domingo, 20 de maio de 2018

Nº 24.180 - "Depois de bagunçar o direito no Brasil, Lava Jato ameaça a estabilidade das instituições em Portugal. Por Joaquim de Carvalho"

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20/05/2018

Depois de bagunçar o direito no Brasil, Lava Jato ameaça a estabilidade das instituições em Portugal. Por Joaquim de Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo -  20 de maio de 2018


Sérgio Moro (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Por Joaquim de Carvalho

Resultado de imagem para joaquim de carvalhoO advogado do empresário Raul Schimidt, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, está em Portugal para tentar reverter a decisão de um desembargador do Tribunal de Relação (português), que determinou na sexta-feira a prisão de seu cliente e a consequente extradição para o Brasil.

O advogado chegou lá depois que a procuradora da república Cristina Romanó, secretária de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal, esteve em Lisboa para tentar reverter outra decisão judicial, do Supremo Tribunal de Justiça, a última instância de Portugal, que colocou Raul em liberdade.

Tanto o advogado quanto a procuradora estão de acordo em um ponto: o caso Raul Schimidt pode afetar as relações diplomáticas entre o Brasil e Portugal.

“Qualquer tentativa para tirar o Raul de Portugal e levar para o Brasil seria um ato de sequestro internacional, um ato gravíssimo, que atenta para a estabilidade de dois países soberanos”, afirma Kakay.

Para Cristina, segundo registra o site do Ministério Público Federal, não há divergência entre as autoridades brasileiras e portuguesas quanto à extradição. “Apenas a atuação da defesa para impedir o cumprimento de uma decisão judicial válida”, afirma.

Raul teve a prisão decretada pelo juiz Sergio Moro, numa das fases da Lava Jato, em julho de 2015, acusado de facilitar os desvios de recursos de contratos da Petrobras para três ex-diretores da empresa, Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró.

Na época, segundo o MPF, Raul vivia em Londres e, para evitar o cumprimento do decreto de prisão, se mudou para Portugal, onde tem cidadania. Um direito dele.

Mesmo assim, em 2016, a Justiça de Portugal o prendeu, em atendimento a um pedido de extradição feito pelo Brasil, e desde então lutava nos tribunais para demonstrar que, sendo português nato, não poderia ser extraditado, já que, pela lei brasileira, brasileiros natos também não podem ser extraditados.

Se a Constituição brasileira proíbe a extradição de brasileiro nato, o do Brasil não pode oferecer essa reciprocidade, como teria feito, numa flagrante tentativa de enganar as autoridades portuguesas.

No início de maio, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que Raul não poderia, mesmo, ser enviado ao Brasil, mas por outro motivo: o governo brasileiro perdeu o prazo para pedir o cumprimento da extradição. Com isso, em princípio, o pedido de extradição caducou.

O que não conseguiu pelos meios oficiais, o Ministério Público Federal tentou pelo jeitinho.

Em Portugal, como admite o texto do MPF, a procuradora fez contatos com várias autoridades e, como resultado, sexta-feira um desembargador do Tribunal de Relação, instância inferior ao Supremo Tribunal de Justiça, emitiu nova ordem de prisão e autorizou a extradição.

Com isso, segundo Kakay, há o risco de uma crise institucional.

Raul não estava em casa quando os policiais estiveram lá para prendê-lo. E agora seus advogados, o do Brasil e os de Portugal, vão recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça. Entre outras coisas, devem alegar a ilegalidade da nova ordem de prisão.

“Há um habeas corpus deferido pelo Supremo Tribuna de Justiça que não está sendo cumprido”, diz Kakay.

Para ele, enviar a procuradora brasileira a Portugal depois que o Brasil perdeu o prazo para requerer a extradição pode se caracterizar ato de improbidade administrativa.

“Eu estou aqui pago pelo meu cliente, dinheiro privado. Eu não posso admitir que o Brasil, tendo perdido o prazo, determine a vinda de uma procuradora, para fazer os contatos aqui junto ao Poder Judiciário e à Procuradoria do Estado português. Acho que isso é uma pressão indevida ao Estado português. São Estados soberanos”, declarou.

Com a ofensiva sobre Portugal, a Lava Jato exporta para o outro lado do Atlântico um jeito de atuação que viola regras constitucionais.

No texto publicado pelo site do Ministério Público Federal, há uma frase que pode ser entendida até como ofensa às instituições portuguesas.

Diz que a procuradora Cristina Romanó, em seus contatos com autoridades locais, “salientou a importância de que Lisboa não se torne um refúgio para investigados da Lava Jato brasileira sem vínculos efetivos prévios com Portugal”.

Nos últimos anos, Portugal se transformou numa referência mundial de civilidade e qualidade de vida. A Lava Jato, no entanto, vê esse país na iminência de se transformar em refúgio de investigados.

O risco é outro. Se aceita esse discurso e atropela as leis para satisfazer a Procuradoria da República no Brasil, Portugal emite um péssimo sinal sobre a estabilidade de suas instituições.


O melhor a fazer é não dar ouvidos a quem age como justiceiro e não agente da justiça.

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Nº 24.179 - "Milhares de argentinos pedem a liberdade de Lula em ato cultural"

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20/05/2018


Milhares de argentinos pedem a liberdade de Lula em ato cultural

Do Jornal GGN - DOM, 20/05/2018 - 15:34 ATUALIZADO EM 20/05/2018 - 16:05



  Fotos: Cobertura Colaborativa Lula Festiva - Midia Ninja


Da Midia Ninja
Em uma noite memorável, milhares de pessoas se reuniram na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, para protestar pela liberdade de Lula e por justiça por Marielle Franco.

Lula é mantido preso político há 42 dias na sede da polícia federal em Curitiba, após ser vítima de um processo ilegal e sem provas, midiático e comandado por um juiz imoral. Marielle Franco foi executada há 67 dias por lutar pelos direitos das mulheres, da população negra, favelada e LGBT. Os dois são lideranças simbólicas na América Latina e no mundo.

Artistas, intelectuais, pensadores, ativistas e a povo argentina se somaram nesta noite histórica para contar pro mundo sobre a importância de dois líderes vítimas da injustiça.

Seguiremos lutando, do Brasil para a Argentina, da América Latina para o outro lado do mundo, até Lula estar livre.


Confira a galeria de fotos realizada pela cobertura colaborativa do Lula Festiva!




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Nº 24.178 - "Fernanda Montenegro e Fernanda Torres desistem de campanha de Riachuelo por Flávio Rocha"

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20/05/2018

Fernanda Montenegro e Fernanda Torres desistem de campanha de Riachuelo por Flávio Rocha


Do Jornal GGN - DOM, 20/05/2018 - 15:55 ATUALIZADO EM 20/05/2018 - 16:03


Jornal GGN - A Riachuelo queria a dupla de atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres para estrelar a campanha publicitária da marca para o dia das mães. O empresário Flávio Rocha dono das lojas Riachuelo, contudo, filiou-se ao PRB, no dia 27 de março deste ano, com o objetivo de disputar as eleições à Presidência da República este ano.

Com a notícia, as atrizes mãe e filha desistiram de sequer negociar a campanha. De acordo com a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, elas foram "categóricas: se o então presidente da Riachuelo fosse mesmo disputar a Presidência, não iriam fazer a propaganda".


A agência Mutato, da Riachuelo, decidiu fazer a campanha, então, com as famílias de Isabeli Fontana e de Ana Claudia Michels.

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Nº 24.177 - "Wadih: OAB tem que abrir processo contra Figueiredo Basto, acusado por doleiros de cobrar propina para vender proteção"

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20/05/2018

Wadih: OAB tem que abrir processo contra Figueiredo Basto, acusado por doleiros de cobrar propina para vender proteção


Do Viomundo - 20 de maio de 2018 às 16h57




Wadih Damous é deputado federal (PT-RJ) e ex-presidente da OAB/RJ

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Nº 24.176 - "Golpe: em cada três jovens, um não consegue trabalhar"

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20/05/2018

Golpe: em cada três jovens, um não consegue trabalhar

​Golpe: 170 mil jovens tiveram que abandonar a faculdade

  
Do Conversa Afiada - publicado 20/05/2018


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O Golpe dos canalhas e canalhas, executado com o despudorado apoio de colonistas como a Míriam Lúcia, o Ataulpho Merval, Monica Bergamo e Elio Geisel, sem esquecer do exterminador de empregos, esse Judge Murrow que o Painel da Fel-lha chama de "Menino de Ouro" destruiu o Emprego e a Economia e fez com que um em cada quatro brasileiros não trabalhe.

É um Golpe contra os pobres, as mulheres e os negros, especialmente!

E também um Golpe contra a Casa Grande de idiotas, porque destrói o consumo de hoje e de amanhã!

Porque a crueldade parece ser mais aguda com os jovens.

Segundo o Estadão, que defendeu e defende o Golpe até hoje,

- Desemprego cresce e já atinge quase um terço dos jovens brasileiros''

- Índice de desocupação de jovens entre 18 e 24 anos é três vezes maior que entre quem tem 25 a 39 anos;

- Crise tirou 170 mil jovens da faculdade;

- Aumento do desemprego, falta de crédito e queda na renda levaram mais brasileiros de 19 a 25 anos a abandonar a graduação em 2017.

A fonte é o IBGE.

Mas, como disse o Ministro José Dirceu, tudo tem a sua hora e a canoa vai virar!



PHA

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Nº 24.175 - "Por que Moro e os demais da Lava Jato silenciaram quanto a denúncia dos doleiros. Por Joaquim de Carvalho"

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20/05/2018


Por que Moro e os demais da Lava Jato silenciaram quanto a denúncia dos doleiros. Por Joaquim de Carvalho

Do Diário do Centro do Mundo  -  20 de maio de 2018


....................................................................Carlos Fernando, Figueiredo Basto e Moro

Por Joaquim de Carvalho

Resultado de imagem para joaquim carvalhoSempre tão falante através do Facebook — agora ele entrou em guerra aberta com o ministro do STF Gilmar Mendes —, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima não deu um pio a respeito da delação de dois doleiros no Rio de Janeiro sobre a cobrança de propina para garantir proteção no Ministério Público Federal e na Polícia Federal de Curitiba.


Como revelou O Estado de S. Paulo, em manchete da edição de 19 de maio, os doleiros Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala”, e Cláudio de Souza, subordinados ao “doleiro dos doleiros” Dario Messer, disseram que, entre 2006 e 2013, pagaram mensalmente uma “taxa de proteção” de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil ao câmbio atual).

O dinheiro, conforme os relatos, era entregue ao advogado curitibano Antonio Figueiredo Basto e um colega dele cujo nome não foi informado. Em troca, eles seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro.

Alguém pode argumentar que é tudo mentira e não se deve dar crédito à palavra de criminoso. Se fosse assim, a Lava Jato não existiria, já que quase tudo usado ali para condenações ou prisões preventiva tem como fundamento a palavra de criminoso.


Mas o ponto principal é outro: Dario Messer e seus operadores nunca foram, de fato, incomodados por Moro, o Ministério Público Federal ou a Polícia Federal de Curitiba, contrário de seus concorrentes. Toninho da Barcelona, por exemplo, pegou uma condenação superior a dez anos e foi exposto à execração publica e acabou até depondo em CPI.


Recentemente, Toninho da Barcelona foi solto, mora em São Paulo, mas se recusa a falar sobre Moro, embora tenha o juiz atravessado na garganta. Conhecidos dizem que ele evita até voos de avião sobre Curitiba, para não se lembrar do que passou nas mãos de Moro, procuradores e policiais federais — também foi procurado por advogados ligados ao grupo.

Já Messer seguiu sua vida, com concorrentes fora do mercado. A tranquilidade só acabou quando a Lava Jato se estendeu para o Rio, e foi lá que a investigação o alcançou, no caminho da lavagem do dinheiro do esquema de Sérgio Cabral. Ainda assim, ele tem contatos importantes.

Fugiu para o Paraguai, onde tem cidadania, quando soube que poderia ter sua prisão preventiva decretada. Quando o decreto saiu, foi procurado no território paraguaio, graças a acordo de cooperação do país vizinho com o Brasil, mas não foi encontrado, o que indica que foi avisado mais uma vez.

Antigos aliados acreditam que ele esteja em Israel, onde também tem cidadania, por ser judeu. Messer não foi o único a escapar. O doleiro René Maurício Loeb fugiu do Rio de Janeiro para a Europa a bordo de um navio de luxo, semanas antes da operação ser deflagrada.

A Procuradoria admite que houve vazamento, mas o credita a doleiros presos, que saíram da cadeia muitas vezes para depor e teriam se comunicado com o grupo. Mas, se isso é verdade, como esses doleiros sabiam da data da operação? Como saberia que haveria investigação?  Difícil acreditar. Faz mais sentido que alguém de dentro da Lava Jato alertou o doleiro.

Mas a velha imprensa divulgou essa versão da Procuradoria sem questionamento e é por isso que, num primeiro momento, surpreende que o Estadão tenha publicado a revelação da delação dos doleiros, num furo de Ricardo Galhardo.

Mas quem lê os jornais de hoje vê que o assunto desapareceu. Não está na primeira página nem da Folha de S. Paulo nem do jornal O Estado de S. Paulo. O Jornal Nacional da Rede Globo publicou a reportagem, mas pode-se apostar que também desaparecerá dali, porque é assim que  funcionam as redações.

A notícia é publicada, mas logo esquecida quando o assunto é sensível aos interesses da empresa jornalística.

É só comparar dois casos notórios: reportagens negativas sobre Lula e o PT já consumem horas do noticiário, com inserções diárias, e quilômetros de páginas de jornais e revistas, enquanto o PSDB, quando citado, vira notícia, mas logo depois o tema desaparece da pauta.

É na pauta que os patrões exercem o poder. Quando o repórter insiste que talvez o caso merecesse aprofundamento, desdobramento, repercussão — suíte, na linguagem da profissão —, o editor, orientado pela chefia, argumenta que a empresa já cumpriu seu papel e que agora deve-se partir para outro assunto.

Mas, se a notícia é contra alguém que seja considerado inimigo da casa, a paulada é incessante. É o que se chama de jornalismo de guerra, aquele que tem inimigos.

Talvez seja por apostar nos panos quentes da velha imprensa que Carlos Fernando dos Santos Lima silenciou quanto à reportagem de O Estado de S. Paulo. 


Carlos Fernando, o mais antigo na equipe da lava Jato, linha de frente no caso Banestado, poderia dizer que o esquema denunciado pelos doleiros ligados a Messer lembra o funcionamento da máfia: pagar por proteção.

Poderia falar da necessidade de investigar.

Poderia até dar seu próprio testemunho e contar por que só uma pequena parte dos envolvidos no Banestado acertou contas com a Justiça. A maioria foi poupada.

Mas Carlos Fernando, em vez de falar, desta vez preferiu o silêncio. E vai continuar tentando espinafrar Gilmar Mendes, porque os procuradores sabem que o ministro já não conta com a proteção das redações como antes.

No fundo, eles se conhecem muito bem.

.x.x.x.x.

PS: o depoimento dos doleiros tem ares de ameaça: eles contam um pouco, deixam a porta aberta para recuo, mas demonstram que sabem muito. Querem passar recado. Como na máfia, estão avisando: se me ferrarem, eu quebro vocês.


Joaquim Carvalho. Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com

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Nº 24.175 - "Um tempo de mediocridade"

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20/05/2018


Um tempo de mediocridade


Do Tijolaço · 19/05/2018



cirocentro

POR FERNANDO BRITO

Talvez o pior reflexo da ditadura judicial e midiática que passamos a viver, de alguns anos para cá – e exponenciada, desde a “Era Lava Jato” –  seja a estupidez que tomou conta da vida nacional.

Por onde quer que se olhe, é mediocriadade  – no máximo – o que se vê.

Os candidatos a presidente disputam para ver quem tem o discurso mais agressivo e até um mosca-morta como Geraldo Alckmin se aventura no discurso de distribuição de armas aos fazendeiros do interior. Será que vai colocar “detector de armamentos” nos muitos pedágios das rodovias paulistas, para assegurar-se de que estas armas não serão usadas em Guaianazes ou Parelheiros?

Os jornalistas ditos “formadores de opinião” passaram a comportar-se como pregadores religiosos de uma fé mercadista que, francamente, os coloca à beira da imbecilidade.

Um deles, hoje, chega a escrever que  a “política econômica [é](correta em sua essência, mas ineficaz no curto prazo)”, como se o problema da dependência fosse apenas operacional, não algo essencial.

Nenhum deles atenta para o fato de que o país não apenas está majoritariamente perplexo e que só há, até agora, dois pólos que catalisam vontades: Lula e Bolsonaro. Agem como se, a esta altura, pudesse ainda surgir outro “outsider”, como se tentou com Luciano Huck e, depois, com Joaquim Barbosa.

Aceitam, como verdade e modelo, uma figura medíocre, que  usou ladravazes como degraus para escalar a notiriedade, apoiando-se nas pedras podres que sempre, desde séculos, marcaram esta Nação, onde a elite sempre se apoiou – e não deixou de fazê-lo – no saque e nos privilégios.

O sistema de dominação cultural que nos é imposto encontra, espertamente, uma distorção à qual certa parte da esquerda, no passado e mais ainda no presente, empresta tola legitimidade: o novo.

O novo, é claro, sempre existe e existe a cada dia, porque não somos uma cópia do ontem.

E não existe nunca, porque somos sempre a continuidade do ontem.

Não há novo no Brasil que retrocede.

A ofensiva de moralidade que nela se encapa para destruir-nos é, ne sua essência, o mesmo udenismo entreguista que nos arrebatou a chance de sermos uma Coreia, país que estava muito atrás de nós nos anos 50.

Mas, deus nos proteja, nem é ele que está à frente deste processo, mas um regresso à República Velha, onde a “questão social é um caso de polícia”.

Ou, até, miseravelmente, um “caso de Exército”.

Já disse diversas vezes e o reafirmo: a esquerda não pode aceitar que a disputa eleitoral seja definida por uma salada de moralismos, sectarismos ou rompantes.

Existe um processo, facilmente visível, de demolição do Brasil, de seu Estado e, com ele, da capacidade de intervirmos coletivamente sobre nosso futuro.

A resistência a esta máquina monstruosa é nosso ponto de união, muito mais forte que qualquer dissenção que possamos ter.

E essa resistência tem um símbolo, que é Lula.

Ninguém governará democraticamente o Brasil sem ele.

Mas a maré de mediocridade que governa  a “mente midiática” que acha ter se apossado do país diz o contrário, que defender Lula é fatal para qualquer candidatura.


Não é, é o contrário. Não é fatal, mas é vital para qualquer candidatura progressista.

sábado, 19 de maio de 2018

Nº 24.174 - "O pastoreio bancário do rebanho latino. Por Nilson Lage"

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19/05/2018

O pastoreio bancário do rebanho latino. Por Nilson Lage


Do  TIJOLAÇO · 19/05/2018

goarround


Por NILSON LAGE, COLABORAÇÃO PARA O TIJOLAÇO 

Bancos são instituições que o assediam quando você prospera, juram amor eterno quando prosperou e, se você embarca no desvario do romance, tomam-lhe a casa, o carro e as calças antes de lhe cortar o crédito.

“É uma questão de spread”, explicará o gerente. “O risco. Nada pessoal”.

Logo ele, que era tão amigo!

Isso acontece desde tempos antigos, mas há sempre bichinhos presos na rede das aranhas.

Argentinos, por exemplo, são reincidentes. Têm carne macia, Malbec, um mar de petróleo e versos de um tango que vêm a propósito: “Los amigos ya no vienen /Ni siquiera visitarme / Nadie quiere consolarme en mi aflicción”.

É. La cumparsita.

Não dá para rir deles. A Argentina de hoje, como se sabe, é o Brasil de amanhã.

O que dói ver é países tão ricos aprisionados justo pelo fato de serem ricos: quem se daria ao trabalho de prendê-los em rede tão bem tecida, se fossem miseráveis?

Há certa lógica reversa nas civilizações: a cozinha mais criativa é a do país que passou mais fome, a China, e o nosso prato mais requintado, a feijoada, surgiu de escravos, a gente que menos tinha: ricos, sabemos bem, fazem churrasco de boi farto e comem com salada.

Quando a Europa partiu à conquista do mundo, não só era periferia degenerada do extinto império romano em uma Eurásia bizantina, árabe e chinesa, como sofria espasmos de carência pela interrupção da rota da seda, de onde vinham seus luxos: partiu em caravelas, levando canhões, à conquista do mundo com a ferocidade de adictos forçados à abstinência. Não fosse isso, seria ainda por muito tempo um conglomerado de feudos que tentavam formar estados, numa região onde a água era escassa e a Igreja guardava em conventos memória e sabedoria. No máximo, trocaria o mel pelo açúcar de Creta e recitaria sonetos petrarquianos.

Os Incas, Maias, Astecas, Cheroquis, Apaches, pelo contrário, eram prósperos, satisfeitos: bastavam-se com flechas, lanças e tacapes.; foi nisso que se perderam.

Ouro e escravos à venda em grandes estoques formavam a riqueza dos impérios africanos: o metal está entesourado em Londres, Nova York e Pequim, os humanos em favelas e a África espera os chineses que talvez não pensem como os banqueiros europeus; tomara que Confúcio ajude.

Houve tempo em que os impérios tinham reis, cortes, exércitos que se confrontavam: dava para explorar as contradições e ir tentando com jeito sentar-se à mesa do banquete dos poderosos.

Agora, parece, não mais. Rei Dinheiro e seu 01%, após aprofundados estudos e com base em sólida dourina, tomaram o poder diretamente: nomeiam parlamentares e presidentes, falam por toda a mídia e subordinam os comandos dos exércitos do Ocidente. Europa e América obedecem a um conglomerado financeiro só, composto por entes, na maioria, anônimos; desenvolvem, quase sempre, no essencial, estratégia coordenada.

Esse império único não nos deixa ter energia atômica, armas eficazes, comunicação não vigiada, viajar ao espaço, fabricar navios e ter cultura própria. Toma-nos o que está debaixo da terra e dos oceanos. Quer a água dos rios e a força das cachoeiras, dos ventos e do sol que nos ilumina. Mas o pior é que sua tecnologia mais eficiente é tão poderosa que cega nossos olhos, tapa nossos ouvidos, cala nossas vontades.


Bons pastores distraem e aquietam seu rabanho, cuidando que ele esteja atento ao fantasma do lobo, que é, como a psicologia explica, ameaça e tentação.

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Nº 24.173 - "Ciro, Carlos Lupi e o pinscher que rosna para pitbull. Por Carlos Fernandes"

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19/05/2018

Ciro, Carlos Lupi e o pinscher que rosna para pitbull. Por Carlos Fernandes


Do DCM  - 19 de maio de 2018  Kiko Nogueira 




por Carlos Fernandes

Vivemos um momento político tão conturbado que, pela névoa turva que se formou na arrebentação, já tem até pinscher rosnando para pitbull.

A declaração do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ameaçando a direção do PT afirmando que o partido “precisa tomar cuidado” pois “um veto agora pode inviabilizar, por exemplo, nossa aliança até mesmo no segundo turno”, escancara o mal que faz setores da esquerda abdicarem de seu protagonismo conquistado em décadas de luta por medo dos desafios que ora se apresentam.

Um leitor desavisado, diante tal bravata, diria que Lupi preside o maior e mais coeso partido do país e detêm a candidatura à frente de todos os cenários testados por todas as pesquisas até aqui apresentadas.

Poderia jurar até, que o PDT ganhou as eleições presidenciais no Brasil nas últimas quatro eleições, que possui a mais fiel militância entre todos os partidos, que é dono do maior capital político do país e é responsável pelas maiores conquistas econômicas e sociais de toda a nossa história.

Seria simplesmente risível se não representasse o resultado prático da percepção de um certo vacilo na certeza de que é possível revertermos esse quadro de quebra institucional por parte de quem se acovardou e que agora busca portos mais seguros.

E isso é um contrassenso escandaloso.

Carlos Lupi definitivamente não possui estatura moral e política para exigir, muito menos ameaçar, qualquer apoio vindo do PT.

Seu candidato, com toda a exposição que está tendo, seja na mídia golpista, seja na mídia progressista, está longe de sair do patamar de um mísero dígito na preferência do eleitor e não possui sequer ¼ do percentual da capacidade de Lula em transferir seus votos. Hoje avaliada em algo acima dos 20%.

Que agora venha dizer que até mesmo uma aliança no segundo turno estaria prejudicada, fora o escárnio, desnuda um pouco do tipo de acordo que estão dispostos a fazer para ganhar o pleito.

Absolutamente ninguém dito do campo progressista será capaz de ganhar essas eleições sem o apoio direto do PT. Esse é um fato irrefutável.

Dessa forma, partindo-se de um pressuposto improvável que a candidatura petista não chegue ao segundo turno e que Ciro Gomes consiga chegar ao dia da eleição sem dizer nenhuma bobagem que ponha tudo a perder, Carlos Lupi, ao abdicar de uma aliança com o PT, está a admitir que o seu candidato, de progressista, não tem nada.

Se assim for, que se refestele na disputa pelos votos de Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin.

É óbvio que precisamos todos estarmos unidos. Essa união, porém, não impede que os diversos partidos de esquerda exerçam o seu direito pleno, legal e legítimo de apresentarem suas propostas e ideias.

Daí a minha defesa intransigente não só por uma candidatura petista, mas também pelas candidaturas de Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila e do próprio Ciro Gomes, apesar de este último estar longe, muito longe, de ser alguém que realmente se identifique com alguma coisa minimamente parecida com a esquerda.

No segundo turno, seja lá quem de fato da esquerda esteja lá, contará inevitavelmente com o apoio de todos os progressistas. Mas para isso, é imprescindível que arroubos de delírios como esse de Carlos Lupi sejam evitados.


Até porque o seu candidato, Ciro Gomes, já preenche toda a cota de dizer a coisa errada na hora errada

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Nº 24.172 - "ALTAMIRO BORGES: O PAPA EXCOMUNGOU A GLOBO?"

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19/05/2018

ALTAMIRO BORGES: O PAPA EXCOMUNGOU A GLOBO?


Do Brasil 247 - 19 DE MAIO DE 2018 ÀS 09:52 


Para o jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, o papa Francisco, que tem sido vítima de conspirações dos setores reacionários da Igreja Católica, demonstra não se intimidar; ""Em um recado que até poderia ser endereçado à Rede Globo, ele afirmou que ao caluniar sem provas as autoridades públicas a imprensa cria as condições para 'golpes de Estado'", diz Altamiro 

Por Altamiro Boges, em seu blog


O Papa Francisco, que tem sido vítima de conspirações dos setores reacionários da Igreja Católica, parece que não se intimida. Nesta quinta-feira (17), em sua homilia, ele fez duras críticas ao papel desestabilizador da mídia hegemônica. Em um recado que até poderia ser endereçado à Rede Globo, ele afirmou que ao caluniar sem provas as autoridades públicas a imprensa cria as condições para "golpes de Estado". O religioso não citou o exemplo brasileiro, como o falso impeachment de Dilma Rousseff que conduziu ao poder a quadrilha de Michel Temer. Mas a denúncia da manipulação midiática se encaixa perfeitamente.

"Essa instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje... O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói... Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado... A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Ao final, o Papa acrescentou – o que reforça a lembrança do Brasil – que depois deste ataque, "chega a Justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado".

Esta não é primeira vez que o Papa critica a manipulação da mídia. Em janeiro passado, ele condenou as "fake news", afirmando que jornalistas e usuários de redes sociais deviam rejeitar e desmascarar as "táticas de serpente" dos que fomentam a divisão para servir a interesses políticos e econômicos. "Notícias falsas são um sinal de atitudes intolerantes e hipersensíveis e levam apenas a difusão de arrogância e ódio. Esse é o resultado final da mentira". Já em março de 2013, ele havia feito um duro discurso contra as manipulações à Associação Corallo, uma rede de televisão e rádio da Itália:


"Para mim, os pecados da mídia, os maiores, são aqueles que seguem pelo caminho da mentira e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação. Estes dois últimos são graves, mas não tão perigosos como o primeiro. Por quê? Eu vos explico. A calúnia é pecado mortal, mas se pode esclarecer e chegar a conhecer que aquela é uma calúnia. A difamação é um pecado mortal, mas se pode chegar a dizer: 'esta é uma injustiça, porque esta pessoa fez aquela coisa naquele tempo, depois se arrependeu, mudou de vida'. Mas a desinformação é dizer a metade das coisas, aquilo que para mim é mais conveniente e não dizer a outra metade. E assim, aquilo que vejo na TV ou aquilo que escuto na rádio não posso fazer um juízo perfeito, pois não tenho os elementos e não nos dão estes elementos. Destes três pecados, por favor, fujam! Desinformação, calúnia e difamação".

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Nº 24.171 - "Quem é Figueiredo Basto, o advogado de Curitiba acusado por doleiros de cobrar propina. Por Joaquim de Carvalho"

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19/05/201



Quem é Figueiredo Basto, o advogado de Curitiba acusado por doleiros de cobrar propina. Por Joaquim de Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo -  19 de maio de 2018


 
...........................................................................Figueiredo Basto

Por Joaquim de Carvalho

Resultado de imagem para joaquim de carvalhoO advogado apontado pelos doleiros de Dario Messer como operador de um esquema para vender proteção no Ministério Público Federal e na Polícia Federal em Curitiba já foi acusado de trabalhar para o PSDB no Paraná.

“O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB, foi indicado pelo (governador) Beto Richa para a coisa de saneamento, tinha vinculação com o partido”, disse o Rodrigo Janot em 2014, quando era procurador-geral da república e a revista Veja publicou a capa com a suposta declaração de Youssef de que Lula e Dilma Rousseff sabia da corrupção na Petrobras.

A suspeita era a de que Figueiredo Basto vazou a informação (distorcida, agora se sabe) para a revista, que a usou numa reportagem de capa de uma edição que foi antecipada e acabou utilizada pela campanha de Aécio Neves.

Figueiredo Basto é conhecido por representar réus que obtiveram a homologação de acordo de colaboração com Sergio Moro e foi, durante mais de um ano, conselheiro da Sanepar, a empresa de Saneamento do Paraná.

Youssef obteve o acordo duas vezes, em 2004, quando foi acusado de envolvimento no caso Banestado, e em 2014, quando foi preso por operar como doleiro em esquemas que envolviam desvio de dinheiro na Petrobras.

O advogado também representou Tony Garcia, ex-deputado estadual, denunciado por comandar um golpe que lesou milhares de pessoas no consórcio Garibaldi, em 2005.

Com o acordo, negociado em nome da Procuradoria por Carlos Fernando dos Santos Lima, Tony Garcia se comprometeu a devolver 12 milhões de reais, mas não saldou essa dívida.

No papel de colaborador, ele aceitou grampear pessoas indicadas por Sergio Moro, entre as quais estava o empresário Ricardo Saboia Khury, filho do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Anibal Khury, acusado de lavagem de dinheiro.

“Eles pressionaram tanto o Ricardo Khury que ele entrou em depressão e se suicidou”, diz um empresário de Curitiba que acompanhou o caso.

“Queriam dinheiro para que ele não ficasse sob o chicote de Moro”, acrescenta. Entre os que pressionaram Khury, estaria o advogado Figueiredo Basto, advogado de Tony Garcia, que denunciou Khury.

O jeito agressivo de Basto pode ser conferido num vídeo que está disponível na internet, em que o advogado, durante uma audiência na Vara de Sergio Moro, interroga o delegado da Polícia Federal aposentado Gérson Machado.

Quando chefiava a Polícia Federal em Londrina, o delegado alertou Sergio Moro, em 2006, que Youssef, colocado na rua pelo juiz depois de um acordo celebrado com Figueiredo Basto como advogado, estava delinquindo outra vez.

O alerta não produziu efeitos práticos, já que Youssef continuou operando até o início de 2014, quando foi preso na operação Lava jato. Chamado a depor pela defesa de um dos acusados da Lava Jato, o delegado confirmou o alerta. Porém, Basto parece não ter gostado e pediu para fazer perguntas.

Questionou o delegado por que ele tinha sido aposentado precocemente. “Foi em razão de saúde”, explicou o policial. “Que problema? Mental?”, insistiu o advogado. Moro interveio e disse que ele não poderia seguir naquela linha. Figueiredo Basto parou de fazer perguntas, mas lamentou que não se estava buscando a verdade.

Em 2008, o delegado teve crise de depressão depois que peitou Moro e tentou invalidar o acordo de delação com Youssef. Foi examinado por uma junta médica e aposentado compulsoriamente.

Há um elo que liga Figueiredo Basto diretamente a Moro.

É Joel Malucelli, o empresário milionário que se gaba de ser amigo do juiz. Tão amigo que, há alguns anos, promoveu o encontro entre Moro e o cantor Fagner, em Curitiba, oportunidade em que se divertiram juntos no bar de outro amigo da turma, João Zucoloto, irmão do advogado Carlos Zucolotto Júnior, aquele que foi acusado por Rodrigo Tacla Durán de tentar lhe vender facilidade em acordo de delação.

Malucelli venceu uma licitação na Sanepar, para a contratação de sua empresa de seguro, com homologação de Figueiredo Basto, quando este era conselheiro da empresa estatal, nomeado pelo governador tucano Beto Richa.

Malucelli, agora investigado na Lava Jato, foi o maior doador da campanha de Álvaro Dias a senador, em 2014.

Através de duas empresas, deixou R$ 1,3 milhão (em valores da época) nos cofres da campanha do senador, na época filiado ao PSDB, hoje no Podemos, partido pelo qual pretende disputar a Presidência da República. Malucelli é presidente estadual do Podemos.

É uma panela, e o primeiro a denunciar um grupo restrito de amigos que dá as cartas em alguns setores influentes no estado foi Rodrigo Tacla Durán, advogado que prestou serviços para a Odebrecht.

Agora, o que Tacla Durán disse é confirmado pelos doleiros de Messer que foram presos, enquanto o chefe se encontra foragido, provavelmente em Israel, onde tem cidadania, por ser judeu.

Juca Bala e Cláudio Souza acusam Figueiredo Basto de cobrar propina para serem poupados de investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Tacla Durán foi a primeiro a dizer que, no time de Deltan Dallgnol, não há nenhum santo. Foi ele quem denunciou ter sido pressionado a contratar alguém da “panela” de Curitiba para ser poupado na Lava Jato.

Há pouco, Tacla Durán postou no Twitter a manchete do Estadão “Advogado de delatores é acusado de cobrar propinas”. E escreveu: “PANELA DE CURITIBA FERVE!!!!

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Nº 24.170 - "Ciro ainda não tem tamanho para acordo com Lula"

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19/05/2018


Ciro ainda não tem tamanho para acordo com Lula


 Do Tijolaço · 18/05/2018


aceno


por FERNANDO BRITO 

Não encontro lógica – e também nenhuma relevância – neste debate nas redes sociais onde se enxerga uma polarização na esquerda entre intenções de voto em Lula e em Ciro Gomes.

Ambos têm situações diferentes, estratégias diferentes e visam, no curto prazo, objetivos diferentes.

Quando comentei a pesquisa CNT/MDA, divulgada segunda-feira, destaque, talvez sem a ênfase necessária, que o  crescimento  de Ciro Gomes está, hoje, mais na fase do “possibilidade de voto” do que de intenção de voto, definida, propriamente dita.

Tanto é que Ciro, na pesquisa espontânea, atinge apenas 1,7% das escolhas, o mesmo que na edição anterior, muito abaixo de Lula, que tem 18,6%.

Mas cresce de 22% para 31% na pergunta sobre se ele é um candidato em quem o eleitor poderia votar.

Ciro não está, ao menos neste momento, disputando o eleitorado lulista no aspecto ideológico e talvez nem se habilite a tanto.

Talvez, neste instante, esteja se concentrando em dois eixos, dos quais só um interfere sobre Lula: a atenção que está dando a possíveis acordos no Nordeste, onde só tem forças próprias no Ceará, mas não na Bahia e em Pernambuco, outros dois maiores colégios eleitorais da região.

Quem quiser encontrar a razão do encontro, hoje, de Fernando Pimentel e os governadores Rui Costa (PT-BA) e Paulo Câmara (PSB-PE), procure aí.

O segundo movimento de Ciro é o de capturar parte do “Centrão”, que não vê futuro em nenhuma candidatura não parece querer o eterno abraço com o PSDB, minguado como nunca na candidatura Alckmin.

Ciro ainda não tem tamanho para um acordo com Lula e sabe disso.

Lula, por sua vez, não tem a menor possibilidade de dar a Ciro, de bandeja, uma carta branca para falar em seu nome, e talvez não venha a ter, tão cedo.  É o que explica o “recado” que manda para que os “apressadinhos” do PT façam acenos ao candidato do PDT, claro que muito interessados em suas próprias candidatura e pensando o processo eleitoral pela lógica dos liberais.

Lula não pode aceitar asua “deposição” como candidato, menos ainda ostentando a posição de favoritismo que possui, apesar de ser dado como “carta fora do baralho” pela mídia.

Não o pode fazer juridicamente e sabe que não deve fazê-lo politicamente.

Só mesmo os “muy amigos” comentaristas da imprensa é que acham importante correr com alianças que só se definem – e quando muito – ao final das convenções partidárias.

Quem estiver esperando que lhe caia no colo o espólio do ex-presidente, que tire seu cavalo da chuva.

Ciro e Lula sabem muito bem disso, tanto que, inesperadamente, reagiram da mesma forma à ideia de tornar um imaginário indulto ao ex-presidente como uma contradição: indultar a quem se proclama inocente e nem mesmo está definitivamente condenado.


Muita calma nesta hora, porque a eleição é em dois turnos e, ao menos pelo que indica o quadro até agora, todos eles e mais uma vasta fauna política estarão juntos, a prevalecer a tendência de que, na direita, venha a ser Jair Bolsonaro quem chegue ao segundo turno.

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Nº 24.169 - "Taxa de proteção e tortura na lava jato"

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19/05/2018


Taxa de proteção e tortura na lava jato


Do Blog do Esmael  - 19 de Maio de 2018 por esmael


 A lava jato alimenta o próprio crime. Além de denúncia de tortura contra os presos da famosa operação de Sérgio Moro, segundo a Defensoria Pública do Paraná, agora vem à lume a informação de que se cobra taxa de proteção (sic) para blindar investigados na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.

Antes, porém, o advogado Rodrigo Tacla Duran havia denunciado à CPI da JBS, no Congresso Nacional, o que ele considerava “venda de delações” (equivalente á venda de sentenças) no âmbito da lava jato.

Agora, esta semana, vieram à luz mais essas duas denúncias graves: a tortura na prisão da lava jato — o Complexo Médico-Penal de Pinhais, região metropolitana de Curitiba — e a cobrança de “taxa de proteção” de investigados pela operação.


Entretanto, que fique claro, embora os presos sejam sentenciados pela Justiça Federal (lava jato), a execução da pena é atribuição do sistema penitenciário estadual, qual seja, governo do Paraná.

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Nº 24.168 - "O mercado imundo das delações"

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19/05/2018


O mercado imundo das delações


Do Tijolaço 19/05/2018


100anos


por  FERNANDO BRITO

Como para provar o quanto o negócio das delações premiada se tornou tão imundo quanto é lucrativo o mercado de delações premiadas que nasceu e cresceu na estufa da força-tarefa da Lava Jato e na malsinda vara do sr. Sérgio Moro, Ricardo Galhardo, no Estadão, noticia que dois doleiros – Vinicius Claret, o Juca Bala, e  Cláudio de Souza – que participavam de esquemas de lavagem de dinheiro do “corretor” de moeda Dario Messer, eram coagidos a pagar uma “mesada” ao advogado de Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, por “segurança em relação ao Ministério Público” e à Polícia Federal, entre 2006 e 2013.

O preço não era para pagar “bagrinhos”: US$  50 mil mensais, o que, todos estes anos, sobe à casa de vários milhões.

As datas são, assim, anteriores ao início da Operaçâo, mas compreende o período em que Alberto Yousseff já era velho conhecido de Moro e do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, ambos responsáveis pelo primeiro acordo de delação de Youssef, no caso Banestado, no qual foi condenado e deixado livre por ter delatado outros envolvidos.



Talvez esteja aí um caminho para que se descubra a razão de algo que ainda é misterioso: como é que se procuraria alguém que está condenado, que delatou e que estava, em tese, em liberdade condicional para intermediar negócios escusos de alto valor.

Teria Youssef, de fato, algum nível de “proteção” que o tornasse “seguro” para tais negócios, mesmo tendo sido “dedo duro”?

Mas isso não vem ao caso, porque a turma de Curitiba é invulnerável, como o Super-Homem, não é?

E quanto aos outros, bem, tem a história dos cem anos de perdão…judicial.


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Nº 24.167 - " Na última entrevista antes da prisão, Zé Dirceu faz uma autocrítica: 'Subestimamos a direita e politizamos pouco a sociedade' "

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19/05/2018

Na última entrevista antes da prisão, Zé Dirceu faz uma autocrítica: “Subestimamos a direita e politizamos pouco a sociedade”


Do Viomundo - 18 de maio de 2018 às 20h25


Ontem (17/05). Lula Marques esteve com José Dirceu para dar um abraço antes de ele ser hoje: “Fiz algumas fotos para mostrar que ele está bem e com humor maravilhoso”, conta na sua página no Facebook. As fotos (uma delas está acima) estão disponíveis no site fotospublicas.com

EXCLUSIVO | Zé Dirceu: Subestimamos a direita e politizamos pouco a sociedade

Ex-ministro analisa conjuntura brasileira e avalia deficiências de governos petistas

Rafael Tatemoto, Brasil de Fato/Brasília (DF)

Apesar da convicção de que seria preso em breve, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula e um dos principais formuladores políticos do Partido dos Trabalhadores (PT), se mantinha calmo quando recebeu o Brasil de Fato, na segunda-feira (14), para a última entrevista formal que daria antes de ter sua prisão determinada pela segunda

Dirceu se apresentou à Polícia Federal (PF) na tarde desta sexta (18) para cumprir a pena de 30 anos e nove meses de prisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) na última quinta (17).

Quatro dias antes do prazo para, mais uma vez, ser encarcerado, o petista expressou apenas preocupações pessoais em relação à sua família.

A grave situação não o impediu de realizar uma autocrítica em relação aos governos de que participou. Para ele, as questões centrais foram “subestimar a direita” e a “pouca politização e pouca disputa política” por parte do PT.

De outro lado, um diagnóstico otimista: “Não é impossível derrotar os golpistas nesta eleição. Para isso, é necessário ter “um candidato único no segundo turno”.

A conversa abordou também temas como junho de 2013, a relação do PT com a mídia e as opções políticas tomadas nos últimos anos. Confira a íntegra abaixo.

Brasil de Fato: A conjuntura atual é marcada pela queda de Dilma Rousseff. Quais deficiências da esquerda permitiram que isso acontecesse?

Zé Dirceu: O golpe tem razões estruturais. Se você olhar a História do Brasil, vai verificar que de tempo em tempo –conforme o nível de organização, politização e, principalmente, ocupação de espaços institucionais, no sentido eleitoral, de governo e parlamentar, como também de auto-organização das classes populares— sempre há uma interrupção do processo.

Foi assim em 1964 e se repetiu em 2016. Em outros momentos houve tentativa de golpe, como em 1955, tentativa de impedir a posse de Juscelino.

Em 1945, Getúlio foi deposto por um golpe da cúpula das Forças Armadas, elegeu Dutra, voltou nos braços do povo e foi “suicidado” em 54.

O golpe foi dado pelo que representavam histórica e estruturalmente a médio prazo as transformações que estávamos fazendo e o empoderamento político. As classes trabalhadoras criaram muitas vezes partidos, entidades, movimentos, mas foram abortadas pela repressão.

Se você olhar a questão do pré-sal, dos bancos públicos, a política externa. A capacidade que o Brasil estava adquirindo, de ter autonomia, soberania e crescimento. As bases que estavam sendo criadas para um mercado interno, através da distribuição de renda. Participação nos Brics. Aqui a Unasul. O processo de crescimento de governos progressistas. Tudo isso pesou no golpe.

Nós estamos em uma situação muito diferente de outros momentos. Nós temos um candidato que ganharia as eleições, temos partidos políticos, movimento social, seja rural, urbano ou sindical. Tem um nível de organização.

A correlação de forças é desfavorável a nós, mas temos uma base social e política, um legado. Há um nível de conscientização razoável para travar a luta, até mesmo a luta institucional.

Tanto é que eles, para fazer a eleição, têm que inabilitar o Lula. Já fizeram outras vezes. Os militares cassaram Jango, Juscelino, Jânio, Lacerda, Magalhães Pinto, Adhemar de Barros. Eles perderam as eleições em 66 e perderam de novo em 74, para o MDB. E perderiam no Colégio Eleitoral em 78.

No caso particular, nós estivemos no governo um período maior: 13 anos e meio. Um processo bem longo de hegemonia política. Ganhar quatro eleições em um país como o Brasil não é para amador.

Nossa debilidade talvez tenha sido não ter o nível de organização e mobilização para se contrapor ao tipo de golpe que tem sido dado agora em vários países, que é a mobilização de classes médias, às vezes de classes populares, muito apoio da mídia, a partir de razões muitas delas reais, muita intervenção externa e uso do Parlamento e do Judiciário. Foi o caso de Honduras, Paraguai e depois Brasil.

O golpe foi a saída que tiveram para abortar a volta do Lula em 2018, que seria natural. Em 2014, ele deveria ter sido o candidato, mas optou por não ser. Elegeu a Dilma, mas poderia ter sido candidato. Mas o nível de conscientização, mobilização e capacidade de luta das classes populares foi de grande fragilidade, e continua sendo até hoje.

Nós subestimamos muito a questão da luta contra a corrupção. A história do Brasil é a luta contra a corrupção. O Jânio foi isso. O Collor foi isso. O Golpe de 64 era contra a corrupção.

Nós não nos preparamos para a possibilidade de ter um golpe. Desde 2005, no chamado Mensalão, nós erramos na avaliação do que estava acontecendo. Fomos recuando, fomos perdendo terreno. Por fim, eles puseram a cara para fora.

Agora eles estão aí, querendo institucionalizar o golpe. Daqui a pouco criam um sistema político-eleitoral de mentira. Tirando o Parlamento, em que é difícil fazer maioria –por isso falam em semi-presidencialismo toda hora, porque a Presidência da República a gente pode chegar, se não for agora, daqui quatro anos. Eles não têm como impedir que a gente ganhe uma eleição presidencial.

Repito: a prova disso é o banimento do Lula. Por que só ele está banido? Por que nenhum outro acusado “de corrupção”?

Os processos contra os políticos de outros partidos têm um tratamento e encaminhamento diferentes. Quantas vezes já saiu que Roberto Jefferson recebeu 40 milhões dos irmãos Batista?

Os outros partidos receberam. Eles que financiaram as alianças do Aécio. Não têm prisão. Não estou querendo dizer que deveria ter ilegalidades, mas a verdade é que não tem. Não tem nem processo. De vez em quando a imprensa fala.

E o tratamento do Alckmin? O Trensalão foi arquivado no Supremo Tribunal Federal. Em São Paulo, as denúncias todas não têm deputado, não têm governo, não têm político. É só empresário e funcionário das secretarias. O Ministério Público não investiga.

Isso foi uma arma que foi usada contra nós. Isso não quer dizer que não haja corrupção e que não é preciso tomar medidas para se combater.

Qual a justificativa para a opção de não se investir em um processo de maior organização?

O problema é que nós fizemos pouca politização e pouca disputa política a partir dos programas que tínhamos. Essa é uma realidade. E não criamos nenhum nível de organização alternativa.

Vou dar o exemplo do Fome Zero. O Frei Betto propôs e queria instituir os conselhos do Fome Zero, acabou tendo uma discussão sobre a contraposição às Câmaras Municipais e prefeitos. Nós poderíamos ter feito a mediação, mas não fizemos. Acabou não tendo nenhuma outra estrutura no Fome Zero ou Bolsa Família.

Também subestimamos a direita e as forças contrárias a nós. Em parte, porque grande parte dos quadros foram para o governo. Há uma troca de guarda no Partido, e nem sempre se consegue encaminhar várias tarefas ao mesmo tempo.

Toda organização política, seja ela partidária ou social, se confronta com várias frentes de luta e tem de priorizar uma. Acabamos priorizando mais a luta institucional e eleitoral, mais o ato de governar do que a organização partidária e ainda [menos] a politização e mobilização.

Nós estamos vivendo esse problema no combate à prisão de Lula, no combate à criminalização do PT. Nós temos dificuldade em dar um nível de organização para essa luta e de virar o sentido da atuação política para ir ao encontro do povo.

Se tomaram decisões políticas erradas em relação a isso? Não priorizamos essa questão. Nem quando o sinal vermelho acendeu em 2013.

Nós tínhamos dois anos para fazê-lo. É preciso ter um partido conversando com o povo para além da televisão e das lideranças parlamentares. Tem que ter trabalho de bairro, de fábrica, nas escolas, na zona rural. Tem que ter instrumentos. Sempre quem resistiu tem um nível de organização partidária, sindical, popular ou outra forma de confrontar as tentativas de golpe da direita.

Se você olhar o Maduro, ele não virou o processo na Venezuela por conta do apoio das Forças Armadas. Ele virou por causa das mobilizações populares e porque o povo foi votar. Ele ganhou também na urna. Aqui não. A direita mobilizou milhões e nós não.

Na época da ditadura, o povo não fazia manifestação, o povo se manifestava nas urnas.

O que as pesquisas estão indicando é isso. Além do voto nulo e branco e os indecisos, que quando o Lula não é candidato chega a 46%, a maioria que vota, vota contra eles. Eles não ganham eleição. Há dificuldades também, a classe média tem muita facilidade em ir para os locais de manifestação no sábado e domingo, e teve muita estrutura e apoio da mídia e das empresas.

Na pauta do combate à corrupção, o que faltou?

Quando falo que não demos tratamento adequado é que não levamos em conta que essa bandeira persistia na mão deles e iria ser usada. Eu citei dois casos: 1961 e 1989. Jânio e Collor, as duas únicas vezes que eles ganharam a eleição. Eles só perdem.

O governo deu tratamento correto na agenda política. As leis todas que foram aprovadas foram aprovadas em 2013. Dificilmente se acha um prefeito ou vereador do PT que seja corrupto. A maioria sai das eleições pendurada em dívida. Um ou outro caso que são exceções.

O sistema político-eleitoral estava construído em doações de empresas e caixa dois. Isso que denunciam que foi desviado da Petrobras são todos números não comprovados. O que tem na Petrobras são os diretores, mas não se achou com nenhum petista o que se achou com Geddel Vieira. Deixa o Antônio Palocci em separado. Nenhum diretor petista – Gabrielli, Estrela ou Graça Foster – que tenha ganho um centavo fora do salário deles. As denúncias são todas de caixa dois para campanha eleitoral, supostamente a partir de superfaturamento e direcionamento de licitação.

Sobre 2013, qual sua avaliação daquele processo?

Em 2013, fizemos sociologia com algo que era eminentemente político. 2013 começa com reivindicações de transporte público, com grupos anarquistas, de esquerda, populares.

A mídia e a direita se deram conta quando as manifestações começaram a crescer por causa da repressão, e foram mudando as bandeiras. O Rio foi o primeiro lugar onde a classe média antilulista baixou. Se transformou.

Como vimos em outros países do mundo, foi uma onda de manifestações como se de uma hora para outra se descobrisse que o serviço público não funciona. A inflação estava mais baixa que no governo Fernando Henrique. Foi um golpe político, não uma revolução social. Tanto não foi que não se converteu em reformas no serviço público. Melhorou o serviço público no governo Temer? O pouco que tinha foi desmontado.

A única coisa que o governo Temer fez foi baixar juros, porque o desemprego e a recessão baixaram a inflação. Está quase indo para deflação. Ele não ajustou as contas públicas, porque gasta bilhões para comprar voto na Câmara e no Senado, com benesses para ruralistas e devedores da Receita.

E nós sabemos o que significa a reforma trabalhista: trabalhar mais e ganhar menos. Trabalhar de maneira precária de forma generalizada. É uma coisa violenta o que está acontecendo.

Querem aumentar a produtividade não pela reforma tributária, baixando juros ou pela melhora da infraestrutura, mas em cima da renda do trabalho. Se a economia crescer, se crescer, vai ser só para os de cima.

Para os de baixo, vamos ver o mesmo que o período da ditadura: a economia cresceu e quando acabou o crescimento, com a crises de 73 e 78, era um cenário de favelas, desemprego, ausência de saneamento.

Existe uma avaliação de que os governos petistas não enfrentaram a questão da comunicação a contento. Há, inclusive, uma história contada pelo senador Roberto Requião (MDB-PR) de que você teria chamado a Globo de “aliada”. Isso é verdade?

O governo do PT não combateu –poderia ter combatido a ferro e a fogo, não sei se teria condições políticas. O pouco que tentou fazer, teve que recuar: a agência reguladora do audiovisual [Ancinav] e o conselho federal de jornalismo. Foi mal encaminhado. Eles não permitiram. O governo tentou, teve que recuar, porque não encontrou apoio. Recuou errado, porque foi dividindo a classe artística, intelectual. Poderia ter mobilizado o movimento sindical. Poderia ter feito a batalha, mas não fizemos.

O governo fez um esforço de distribuir verbas para os jornais regionais, tanto é que todos os [grandes] jornais fizeram editorial contra. O ministro Gushiken tomou uma série de medidas. É verdade que o governo ia e vinha conforme a pressão da própria mídia.
Por outro lado, o governo investiu no sentido de fortalecer a EBC, modernizar, colocar recurso. Agora, precisa colocar três ou quatro vezes mais recursos.
Por fim, na política, tentamos fortalecer alguns grupos empresariais que poderiam ter uma postura independente do cartel de distribuição e publicidade. A distribuição é controlada pela Abril. Há um dumping de publicidade. Isso na atuação independente em relação ao governo para criar alternativas.

Dizer que o governo considerava a mídia favorável não é verdade. Eu jamais disse isso ao Requião.

Primeiro, que não era da minha atribuição essa área. Segundo, por que eu iria falar para ele, tendo sido atingido em fevereiro de 2004 com o caso Waldomiro Diniz, que foi uma invenção da mídia?

Foi um caso no governo Garotinho em 2001, não tinha nada a ver comigo. Foi o primeiro grande escândalo, queriam meu afastamento. Depois veio a público a gravação do Carlos Cachoeira, que era uma farsa. Por que eu falaria uma coisa dessas? Tudo que passei no Mensalão…

Quem conhece meu comportamento sabe que não corresponde a minha posição política. O BNDES no governo Lula não emprestou um centavo para a Rede Globo. O que eu falei um dia é que no começo do governo Lula a questão de deixar empresas quebrarem era um problema grave, por conta da situação do país.

As eleições estão se aproximando e as pesquisas apontam o Lula como favorito. A liberdade de Lula obviamente ajudaria na disputa eleitoral, mas o resultado das eleições também não pode ajudar a que se conquiste sua libertação? Como se resolve essa equação?

Eu sou totalmente contrário a qualquer ideia de não participar das eleições. Fizemos isso na ditadura – uma parte da esquerda, eu particularmente fiz – e não deu muito certo. Temos que ocupar todos os espaços na disputa política, eleger deputados estaduais e federais, senadores, governadores e disputar a Presidência da República.

Temos que denunciar o banimento do Lula. Denunciar toda vez que a Justiça for usada contra nós. Depois de 20 anos, levantam um processo contra o Décio Lima, coincidentemente depois de uma semana na qual ele apareceu com 20% nas pesquisas.

É muito importante o papel de um vereador, de um prefeito, de um deputado federal, de um senador, na luta social, política, na construção partidária, na formação da nossa força política e na conscientização do nosso povo, então não vejo por que não devemos participar.

Tem extremos que você não participa, mas não é o caso. É uma trincheira, uma frente de luta. Como é a frente de luta popular, sindical, rural… Essas sim têm de ser nossa prioridade nos próximos anos. Porque esta aqui [eleitoral], nós ocupamos bem, na outra [popular] é que estamos deficitários, em dívida com nosso próprio povo.

É preciso ter um partido conversando com o povo para além da televisão e das lideranças parlamentares. Tem que ter trabalho de bairro, de fábrica, nas escolas, na zona rural.

Nós temos que disputar, mas temos que ter como prioridade a derrota dos golpistas. O Lula é o candidato que derrota os golpistas, então é natural que ele seja o candidato apoiado pelas outras forças políticas sociais no segundo turno.

Essas forças, dada até a situação do Lula, optaram por ter candidatos próprios, o que é legítimo e natural. Até porque são legítimas, como no caso do Ciro Gomes – que foi governador, prefeito, ministro, deputado estadual, deputado federal e tem histórico de serviço prestado pelo país. Você pode não votar nele, mas ele é legítimo. No caso do Boulos mais ainda, e da Manuela também.

O PSB teria candidato, entendi agora que não vai ter e pode apoiar o Ciro, também é o direito deles. Nós vamos ter o nosso candidato, que é o Lula. A decisão que está tomada é que vamos até o registro dele, vamos lutar pela homologação da candidatura dele.

O que o PT precisa fazer agora é nacionalizar e internacionalizar a campanha Lula Livre. Dar um caráter mais amplo a ela. Nós temos que fazer um esforço para manter os governos que nós temos. Porque é diferente se tratar com o governo da Bahia, do Piauí, do Ceará, e tratar com o governo de São Paulo. Todos nós sabemos que é diferente. Para os movimentos, para a luta política, para a educação, para a saúde… Para aquilo que interessa para o povo, que são os investimentos sociais.

Qualquer outro cenário vai depender muito do momento. Quem pode dizer como vai estar daqui a 90 dias? É um deserto para atravessar. Não é fácil para o PT, para nós, para o Lula, atravessar esse deserto, mas nós temos que defender a liberdade do Lula, o direito dele ser candidato, até para manter esse eleitorado conosco, para esse eleitorado ser uma garantia de que vamos derrotar os golpistas no segundo turno.

A não ser que haja algum fator externo, um choque político, econômico no país. Apesar de que a situação está deteriorando. Essa questão do Bolsonaro é mais perigosa do que parece. Ele ganha no segundo turno, sim, de vários candidatos.

Não entregaram o poder para o Temer, o Padilha, o Geddel e o Moreira Franco? Não entregaram pro Collor? Pro Jânio? O Jânio, imagina, rapaz, um populista, um demagogo. Por quê? Porque querem nos derrotar. Eles nem tapam o nariz para votar no Bolsonaro.

Devemos levar ele a sério. Então não é para subestimar, até porque ele tá com 20% de intenção de votos. Em 89, o Lula foi com 17 e pouco para o segundo turno, 0,7% a mais que o Brizola.

A partir da menção ao Bolsonaro, em cenários de polarização sempre volta uma questão para a esquerda: radicalizar ou moderar o discurso e o programa?

Deixa eu dizer uma coisa: a polarização existe, a radicalização existe, porque eles quebraram o pacto constitucional e político, rasgaram a Constituição.

E as consequências são trágicas, os militares já estão na vida política do país de novo. A declaração do Villas Boas e a foto do Estado Maior assistindo o julgamento do Lula no Supremo como quem diz: ‘estamos apoiando que se negue o habeas corpus’, isso é uma tragédia pro país.

Lembrando os documentos da CIA agora, a dívida que os militares têm com o país, ao contrário do que diz o Raul Jungmann de que as Forças Armadas são um ‘ativo democrático’, mas elas estão voltando, puxadas, inclusive, por personalidades do Supremo, porque ninguém levantou a voz para criticar, só o Celso de Mello criticou, e é uma coisa grave.

Gravei hoje uns pronunciamentos sobre a CIA e os documentos que comprovam o que já sabíamos. Isso exige que o Supremo reveja a Anistia, que as Forças Armadas publiquem seus arquivos, e exige uma reparação moral e penal de quem praticou esses atos, mesmo post-mortem, como em outros países.

Eles estão introduzindo a violência na vida política do país de novo. O atentado à caravana do Lula e ao acampamento. Vocês sabem como eles executam lideranças: pla-ne-ja-da-men-te. Não é incidente.

Uma coisa é um incidente, você ocupou, tem um choque, vem a polícia. Eles marcam as lideranças e assassinam. Ou o Chico Mendes não foi assim? Ou a Margarida [Alves] não foi assim? Quantos não foram assim? Quantas lideranças do Movimento Sem Terra e da Contag não foram mortas assim?

Então eles introduziram a violência no país, não fomos nós, pelo contrário, fomos bem legalistas, bem pacifistas, nesse período todo! Disputamos eleição conforme as regras, inclusive as piores regras que tinham… Nós organizamos o PT sob as regras da ditadura! Só depois de 1988 que veio mesmo a liberdade de organização, de manifestação, de greve e tal.

Qual deve ser o discurso então?

Nós precisamos fazer aquilo que o país precisa. Porque quando dizem que nós estamos radicalizando, é porque dizemos que precisa fazer uma reforma tributária, que a burguesia fez no século 19 na Europa, a reforma agrária, a reforma tributária e a reforma política.

Tem que fazer uma reforma tributária no Brasil. Os impostos são regressivos e indiretos. Quem paga imposto de consumo é o povo.

O IPTU progressivo passa em alguma prefeitura? Lembra da Erundina? A campanha da Marta, chamada pejorativamente de “Martaxa”, era IPTU progressivo.

Então nem pagar imposto progressivo eles querem pagar. Além do problema dos juros, nós temos que enfrentar o capital financeiro, bancário, porque agora até a própria imprensa começa a falar da concentração… é um cartel!

No Brasil tem dois bancos! Porque o outro não é brasileiro. E ainda querem acabar com os bancos públicos. No Brasil, os bancos e o capital rentista se apropriam de grande parcela da renda nacional, que não vai para investimento, não vai para produção e não vai para consumo.

Nós precisamos desmontar o sistema político institucional que tem no Brasil hoje, que está falido, rejeitado, e não funciona mais, e criar uma nova institucionalidade, um novo sistema político, rever o papel do Judiciário. Nós temos que fazer uma revolução social no país, temos que virar a pirâmide de ponta cabeça.

É um programa radical? É. Mas se não for esse programa, nós vamos fazer o quê?

Como vamos financiar esse Estado de “bem-estar social” que tem no Brasil? A LOAS, Bolsa Família, Seguro Desemprego, SUS, educação… Eles querem privatizar. Na verdade, eles estão privatizando agora o ensino técnico e a tendência de privatização da saúde.

O Brasil é um país que tem uma rede de proteção social e para mantê-la você precisa ter uma carga tributária que seja distribuída pros que ganham mais, mais; e pros que ganham menos, menos, não como é hoje, o contrário.

E o problema da reforma da Previdência. Você precisa de uma reforma da Previdência, mas uma reforma do ponto de vista do servidor público, não como queriam fazer do rural, do trabalhador urbano… O problema da idade precisa ser discutido, evidente, se você começa a trabalhar mais tarde e vive mais, você não pode começar a aposentar as pessoas aos 55 anos de idade. Mas você não pode falar: ‘todo mundo agora vai trabalhar mais 15 anos e ganhar menos na aposentadoria’.

Então precisa radicalizar o programa. Como é que vai fazer? No fundo, essa é a questão: a participação da classe trabalhadora na vida social e política do país, a disputa pela riqueza, pela renda e pela propriedade e a disputa pelo poder político. É disso que se trata.

Mas não precisa atrair o centro?

Precisa atrair o centro, mas o centro não é atingido por essas medidas nossas. Reduzir juros é de interesse de toda a classe média. Reduzir os imposto, porque pagar imposto no Brasil deveria ser só acima do teto da Previdência, que é de R$ 5.400,00, hoje.

A carga tributária do governo João Goulart era 65%, a alíquota do imposto de renda do Brasil. A alíquota do IR no Brasil já foi 50% por muito tempo, hoje é 27,5%. Então é assim: eu ganho R$ 30 mil, eu pago 27,5%, se eu ganho R$ 300,00, eu pago 27,5%, se eu ganho 3 milhões, pago 27,5%.

Fora a sonegação, que nem é sonegação, é elisão fiscal. Sonega-se legalmente, porque cria-se um planejamento tributário, brechas na lei. Por isso, não é nem que o programa é radical. É um programa que o Brasil precisa. Se nós queremos viabilizar um Estado de bem-estar social e fazer o Brasil crescer, precisamos fazer as reformas para isso.

Você presenciou dois golpes e participou da resistência a ambos. Que paralelos você traça? Há mais perspectivas para a esquerda brasileira pós 16?

Nós temos base social e política. Temos legado e condições de construir um programa. Agora, é preciso unir as esquerdas, a centro-esquerda, ter um candidato único no segundo turno, porque não é impossível derrotar os golpistas nesta eleição.

O correto, e o que tem base pra isso, é o Lula, que está preso e estão fazendo de tudo para inabilitá-lo e impedi-lo.

Por razões óbvias, vamos fazer a luta pelo registro e pela candidatura dele, mas eu sempre digo: a unidade nossa é a garantia de derrotarmos os golpistas e de continuarmos a luta contra eles.

Por isso que a Frente Brasil Popular foi tão importante… e o PT não deu a devida importância, podia ter feito muito mais pela Frente.

Essa reunião dos partidos para construir um programa comum, as tentativas de organizar a solidariedade ao Lula de forma suprapartidária, que eu acho que precisa. E aqui dentro do Brasil também, nós podemos organizar uma campanha muito maior, com muito mais diversidade de atos, atividades, ampliando esse espectro.

Você falou de dívida da esquerda brasileira com o povo. O que a esquerda precisa mudar em métodos e organização?

Acho que a principal é ir ao encontro do povo, como o Lula fez. Como ele saiu da defensiva e se consolidou? Com as caravanas. Claro que para ele é muito mais simples, mas temos de traduzir isso para nossas bases, os diretórios, as organizações, e fazer o mesmo.

Neste momento, todos deveriam estar fazendo caravanas nos bairros, como milhares estão fazendo, mas deve ser uma forma de atuação permanente.

Se nós não elevarmos o nível de organização e de consciência política em geral, vai ser muito difícil enfrentar nos próximos anos a direita, que já mostrou como age. O aparato policial-judicial tá virando uma polícia política.

A atuação do Ministério Público, da PF e de setores do Judiciário estão, a pretexto de combater a corrupção, violando preceitos e garantias constitucionais, e vão tomando poder político do Executivo e do Legislativo. O Supremo tem tomado decisões que usurpam poderes do Executivo e Legislativo.

Acho que nós temos uma dívida sim, e essa dívida é, basicamente, não do ponto de vista dos avanços sociais, econômicos, políticos, porque lutamos muito por isso e tivemos grandes conquistas no governo Lula. Mas nossa dívida é que nós temos capacidade de resistir, e fazer avançar o processo. Nós precisamos de um nível maior de politização, de organização e de maiores instrumentos, como, no caso, os instrumentos de comunicação.


Edição: Nina Fideles e Diego Sartorato
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