segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Nº 20.769 - "Trump cai fora da TPP e puxa o tapete de Temer, Serra e dos coxinhas"

.

23/01/2017


Trump cai fora da TPP e puxa o tapete de Temer, Serra e dos coxinhas


Do Viomundo - 23 de janeiro de 2017 às 20h53

  

Captura de Tela 2017-01-23 às 20.21.55


por Luiz Carlos Azenha


Que diabo é a Parceria Transpacífico (TPP) e por que você deveria se preocupar com o fato de que o recém-empossado presidente Donald Trump caiu fora dela?

TPP é o maior acordo comercial regional já negociado. Não passaria pelo Congresso dos Estados Unidos, por isso a decisão de Trump é acima de tudo simbólica.

A idéia por trás do acordo era “ancorar” a economia asiática aos Estados Unidos, reduzindo a influência regional da China.

Os liberais brasileiros amavam a TPP, especialmente por terem a oportunidade de contrapô-la ao Mercosul: “O mundo avança e o Brasil vai se afundando com o PT amarrado ao pescoço”, escreveu a respeito dela em tom de desespero um dos porta-vozes do agora ministro José Serra, quando Dilma Rousseff ainda estava no Planalto.

A TPP servia, acima de tudo, às grandes corporações. Ela não poderia ser emendada por parlamentares nem nos Estados Unidos! Acreditem: assessores dos deputados e senadores norte-americanos não podiam fazer cópias do texto, que foi escrito secretamente.

Isso mesmo. Só tinham acesso ao texto os integrantes de 28 comitês de assessoria definidos pelo governo, 16 dos quais ligados à indústria, com representantes de pesos pesados como AT&T, General Electric, Apple, Dow Chemical, Nike, Walmart e o American Petroleum Institute. Dos 566 integrantes dos comitês, 85% representavam as corporações.

A TPP permitiria, entre outras coisas, que as corporações abrissem ações judiciais contra Estados que tomassem decisões que contrariassem o acordo comercial e, em tese, causassem prejuízos econômicos às empresas. Ou seja, eliminaria a soberania popular local em assuntos relativos à TPP.

Trump caiu fora em parte para atender demandas à esquerda e à direita no especto político dos Estados Unidos.

Sindicalistas denunciam o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá — o Nafta — por exemplo, como tendo causado a perda de 700 mil empregos nos Estados Unidos. A direita reclama de um “governo mundial” que solaparia os interesses norte-americanos, representado por acordos comerciais e organismos multilaterais.

O fato é que sempre foi estratégia diplomática de um grande número de chancelarias, especialmente depois da queda do muro de Berlim, amarrar os Estados Unidos em acordos multilaterais que pudessem reduzir ou atenuar o imenso poder de Washington.

Hoje, um assessor de Trump deu entrevista à rede CNN dizendo que a era dos “estados nacionais” está de volta e que os Estados Unidos farão apenas acordos bilaterais de comércio.

O cálculo político é óbvio: Washington vai extrair todo tipo de concessão dos “parceiros” explorando o acesso ao imenso mercado de consumo norte-americano. É também por isso que Trump aposta no desmantelamento da União Europeia.

Em nosso caso, mais do que as trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos estão em jogo os mercados da América Latina.

Um estudo da Conferência Nacional da Indústria publicado em 2016 diz que “as exportações de produtos industriais respondem, em geral, por mais de 90% das exportações brasileiras para os países da América do Sul. Além de veículos, produtos de borracha e material plástico e produtos químicos, os países sul-americanos são grandes importadores de equipamentos de informática e produtos eletrônicos (42,2% do total exportado pela indústria brasileira), máquinas e materiais elétricos (41,2%), produtos de metal (38,3%), máquinas e equipamentos (38,0%), produtos têxteis (25,4%), celulose e papel (15,2%) e metalurgia (14,5%), entre outros”.

Em resumo, a minguante indústria brasileira vai enfrentar concorrência crescente dos produtos made in USA, cuja produção Trump pretende estimular com investimentos em infraestrutura, protecionismo e pressão política.

Temer e Serra, cujos interesses combinam com os de Trump — a defesa intransigente dos Estados Unidos — vão ficar a ver navios… e você correrá risco ainda maior de perder o emprego.

Leia também:

.

Nº 20.768 - "Temer abre porta para financiar empresa estrangeira com verba pública"

.
23/01/2017

Temer abre porta para financiar empresa estrangeira com verba pública


Portal Vermelho - 22 de janeiro de 2017 - 13h26 


O presidente Michel Temer diz que não há dinheiro para gastos sociais, mas quer financiar, com verbas públicas, a atuação de empresas estrangeiras no Brasil. Decreto assinado por ele, na semana passada, possibilita que o Tesouro e bancos públicos concedam crédito ao capital internacional para atuar agora em quase todos os setores econômicos. A benesse sinaliza o caráter antinacional e subalterno da gestão. 


 
Foto: José Cruz/Agência Brasil


Por Joana Rozowykwiat   


Sem alarde, foi publicado no Diário Oficial da União o decreto Nº 8957, que amplia drasticamente os setores da economia considerados de "alto interesse nacional". Com isso, empresas de capital estrangeiro que atuam em quase todas as áreas poderão receber crédito e financiamento de fundos e bancos públicos brasileiros. O governo, que aposta num processo de privatização e internacionalização da economia, agora abre as portas para que isso seja feito, em praticamente todos os setores, com dinheiro público.

A mudança remete à Lei de Capitais Estrangeiros (Lei 4.131/1962). Tal norma determinou que o Tesouro Nacional e as entidades oficiais de crédito público da União e dos Estados só poderiam conceder e garantir empréstimos, créditos ou financiamentos a empresas estrangeiras quando estas atuassem em setores de atividades econômicas de “alto interesse nacional”.

Naquela época, com um projeto nacionalista em curso, pouquíssimas eram as áreas enquadradas nessa classificação, o que impedia abrir a maioria dos segmentos à concorrência estrangeira plena.

Em 1997, contudo, o então presidente Fernando Henrique Cardoso publicou o decreto Nº2233, que ampliava o escopo daquilo que era considerado “alto interesse nacional”. Isso facilitou o acesso do capital internacional aos recursos públicos em atividades específicas, como telefonia, setor automotivo, saneamento e algumas áreas de infraestrutura. Era parte do processo neoliberal de privatizações e abertura ao capital estrangeiro que tanto custou ao país. 

Agora, com o decreto de Temer, a investida de FHC foi amplificada de forma gritante. Praticamente todos os setores da economia viraram de “alto interesse nacional”. De atividades ligadas a petróleo e gás natural, saúde e educação, até comércio, têxtil e tecnologias de informação e comunicação, quase tudo estará sujeito à participação estrangeira, com recursos subsidiados por bancos públicos.

De acordo com o doutor em economia Paulo Kliass, as mudanças contidas no decreto são “absurdas”. Para ele, não faz sentido que segmentos como o de têxteis, por exemplo, sejam considerados de “alto interesse nacional”, garantindo que estrangeiros possam receber verbas públicas para atuar nesse setor. “O decreto ampliou individualmente cada uma das áreas, abrindo por segmento, e incluiu novas áreas, que provavelmente foram objeto de lobby, como é o caso de petróleo e gás. A exceção agora são os setores que não se enquadram, é uma inversão completa”, diz. 

Segundo ele, o ato de Temer torna ainda mais grave uma situação na qual vários setores estratégicos já estão abertos à concorrência do capital estrangeiro. “Já houve outras medidas que já autorizaram o capital estrangeiro a entrar, por exemplo, no petróleo, na saúde, na educação. O que o decreto faz é que, uma vez estando dentro, o capital estrangeiro tenha acesso a uma série de benesses que a legislação não permitia antes”, afirma. 

A mudança ocorre em total sintonia com a estratégia da equipe econômica de Temer, que aposta todas as fichas da retomada do crescimento econômico através de licitações, concessões e privatizações nas áreas de infraestrutura e energia.

Vale lembrar que no ano passado, o Congresso aprovou projeto que pôs fim à exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal, abrindo as portas para empresas estrangeiras atuarem livremente na área. Desde que o presidente da estatal, Pedro Parente, assumiu o cargo, também ficou clara sua intenção de acabar com a política de conteúdo local na empresa. E, recentemente, a companhia abriu processo de licitação para a construção de uma unidade de processamento de gás natural no Rio de Janeiro, para o qual convidou apenas empresas estrangeiras. As nacionais ficaram de fora. São iniciativas que vão na mesma direção.

“Você está fazendo todo um esforço para o capital estrangeiro entrar no Brasil, porque, do ponto de vista desse governo, essa é a saída: aprofundar a privatização e a internacionalização. E, ainda por cima, para que eles se interessem pela gente, você oferece - além dos juros altos e das condições favoráveis nos processos licitatórios -, recursos do Tesouro, crédito facilitado do BNDES, do Bando do Brasil, da Caixa e do que mais for de instituição pública disponível. Tudo para facilitar a vida do capital estrangeiro”, ressalta o economista.

O agrado ao capital internacional acontece em detrimento das empresas nacionais e, principalmente, apesar do alegado sufoco fiscal pelo qual passa o país. “O governo diz: ‘não tenho dinheiro para saúde, educação, tem que fazer reforma da previdência senão o país não suporta, tem que ter a PEC do fim do mundo para 20 anos’. Mas, ao mesmo tempo, tem dinheiro para o BNDES financiar o fundo norte-americano, japonês ou europeu que quiser operar nesses setores que não têm nada de ‘alto interesse nacional’”, compara Kliass.

Segundo ele, trata-se claramente de um “processo de lobby para conseguir recursos público a custo barato, comprometendo o que seria mais importante, que seria o crédito público ir, não só para empresas nacionais, mas para áreas que sejam consideradas prioritárias e, não, para o comércio varejista, por exemplo”, completa. 

Na avaliação do economista, se o governo acha que é importante a presença do capital estrangeiro no Brasil, deveria, ao menos, fazer com que ele traga seus próprios recursos ao país. “O que não pode é o Brasil, em meio a um esforço fiscal enorme, uma crise, oferecer benesses para um capital localizado fora daqui, que vai levar embora todo o seu retorno, na forma de remuneração de seu acionista que está lá fora e, não, aqui dentro”, condena.

Kliass chama a atenção para a contradição na ação governamental pós-golpe. “Você está facilitando crédito público em um momento de contração fiscal, em que todas as áreas sociais do orçamento estão comprometidas, mas você libera geral nessas áreas que não são de maneira nenhuma consideradas de alto interesse nacional, do ponto de vista da segurança estratégica do país. E, principalmente, você está dando esse recurso para um residente no exterior e, não, ajudando a recuperar a economia brasileira com agentes nacionais, o que seria importante num momento de crise como a gente está vivendo”, reitera.

Na prática, as mudanças promovidas por Temer atendem aos interesses do capital estrangeiro e vão no sentido de reduzir o papel do Estado. “É a opção que o governo está fazendo: privatização, desmonte do Estado e internacionalização da economia. O que antes era capital nacional, área sob responsabilidade do Estado, passa a ser atributo do capital privado e, de preferência, do capital privado internacional. Então, se esse povo precisa de dinheiro e quero que eles venham para cá, vou oferecer todas as condições – ainda que seja prejudicando a soberania nacional, prejudicando o país e a maioria da população”, avalia Kliass.

Os governos do PT costumam receber muitas críticas por conta da adoção da chamada política dos “campeões nacionais” – por meio da qual o governo concedeu crédito subsidiado para fortalecer empresas brasileiras. 

“Você pode até fazer a crítica da forma como isso foi feito. Só que, agora, se inverte. O governo brasileiro vai dar dinheiro para os “campeões internacionais”. É um absurdo! Vai uma empresa brasileira pedir recurso público ao governo norte-americano! Ou ao governo da França! Eles não dão, porque esses países têm um projeto nacional. O governo norte-americano defende a economia norte-americana. E nós, aqui, assumimos o papel subalterno, bajulador, e estamos oferecendo recursos públicos brasileiros, de um país em crise, para o capital internacional. Tem sentido?”, questiona o economista. 


 Do Portal Vermelho
.

Nº 20.767 - "PT QUESTIONA SIGILO NA INVESTIGAÇÃO DO CASO TEORI"


23/01/2017

PT QUESTIONA SIGILO NA INVESTIGAÇÃO DO CASO TEORI


Brasil 247 - 23 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 19:18


Fotos: Lucio Bernardo Jr. e Reuters
..Fotos: Lucio Bernardo Jr. e Reuters

A bancada do PT na Câmara reagiu à decisão do juiz da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Raffaele Felice Pirro, que decretou nesta segunda-feira 23 sigilo das investigações sobre a queda do avião que levava o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, e mais quatro pessoas; o texto, assinado pelo líder, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), questiona o motivo do sigilo e defende que, "diante do enorme interesse público sobre o episódio", a apuração deste acidente "seja feita com a maior transparência possível"


247 - A bancada do PT na Câmara reagiu à decisão do juiz da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Raffaele Felice Pirro, que mais cedo decretou sigilo das investigações sobre a queda do avião que levava o ministro do STF Teori Zavascki e mais quatro pessoas.

O texto, assinado pelo líder, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), questiona o motivo do sigilo e defende que "as investigações deste caso devem ser conduzidas de forma independente e cristalina".

Confira a íntegra:

NOTA OFICIAL

INVESTIGAÇÃO COM INDEPENDÊNCIA E TRANSPARÊNCIA

A Bancada do PT na Câmara estranha a decisão do juiz Raffaele Felice Pirro, da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis (RJ), que decretou nesta segunda-feira (23) o sigilo das investigações realizadas pela Polícia Federal a respeito da queda do avião no qual faleceu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Operação Lava-Jato, Teori Zavascki.

Diante do enorme interesse público sobre o episódio, consideramos imperativo que a apuração deste acidente seja feita com a maior transparência possível.

Considerando o impacto que a substituição do ministro na relatoria da Lava-Jato poderá ter, bem como as inúmeras dúvidas suscitadas e perguntas não respondidas acerca do acidente, entendemos que as investigações deste caso devem ser conduzidas de forma independente e cristalina.

Solicitamos, portanto, que o mencionado juiz reveja a sua decisão, de modo que não seja violado o direito da sociedade brasileira a informações de evidente e indiscutível relevância.

Brasília, DF, 23 de janeiro de 2017.
Dep. Carlos Zarattini (SP)
Líder do PT na Câmara dos Deputados



_______________________________


PITACO DO ContrapontoPIG


A decisão do juíz de Angra:

1 - Evidencia a parcialidade na investigação.

2 - Aguça a suspeita generalizada de atentado

_______________________________



Nº 20.766 - "Convencidos por Teori, juízes do STF aceitaram afastar Cunha, mas só depois da queda de Dilma, diz ex-ministro da Justiça"


23/01/2017


Convencidos por Teori, juízes do STF aceitaram afastar Cunha, mas só depois da queda de Dilma, diz ex-ministro da Justiça


Diário do Centro do Mundo - Postado em 23 Jan 2017


Teori no STF

Diário do Centro do Mundo - Postado em 23 Jan 201


Publicado no Blog do Marcelo Auler.



POR EUGÊNIO ARAGÃO, ex-ministro da Justiça.


Resultado de imagem para EUGÊNIO ARAGÃOO passamento do Ministro Teori Albino Zavascki pôs a nu o estado de indigência moral do Brasil. O desavergonhado debate açodado sobre quem o sucederá, a cupidez dos sedizentes candidatos a ministro, que nem esperam o corpo esfriar, para formarem fila de pretendentes, no melhor estilo de “por que você não olha para mim”, da canção “Óculos”, dos Paralamas do Sucesso, causam náuseas e enrubescem qualquer um que tenha compostura.

Dá gastura só de pensar como gente desse jaez se conduzirá, acaso escolhida para a elevada missão, que, longe de ser um galardão ou uma cerejinha glacê a enfeitar o currículo de Suas Excelências, deve ser uma batalha na trincheira de defesa da constituição e da democracia.

No plano do discurso, o cenário não é mais confortador. Nenhuma das principais tendências políticas do País se sai bem num superficial exame de contrição.

Incompreensão da esquerda – Pela direita, não se disfarçou o alívio pelo evento trágico que colheu o magistrado como relator do mais ruidoso caso de corrupção tratado no judiciário pátrio.

A interrupção do intenso trabalho a que vinha se dedicando o disciplinado Teori dará, nas palavras do chefe da casa civil, um desafogo ao governo golpista, que terá mais tempo para absorver o impacto estrondoso das delações premiadas de diretores da Odebrecht, que fatalmente fará a malta em torno do Sr. Michel Temer perder o norte.

Do mesmo modo, o “mercado”, segundo insuspeitas informações do grupo Globo,teria reagido “de forma otimista” à morte do ministro, pois o governo golpista poderia, com a redução do passo das investigações no Supremo Tribunal Federal, fazer passar no congresso medidas econômicas impopulares, antes da eclosão daquilo que promete ser a maior crise política do pós-golpe.

Pela esquerda, infelizmente, o justificável ressentimento pela interrupção brutal e traiçoeira do processo democrático se traduz em incompreensão e até em falta de compaixão pelo nefasto que, nesta hora, atormenta muita gente que conviveu com Teori e está a sofrer o luto da perda. O que mais se ouve é que o magistrado, com seu tecnicismo, contribuiu decisivamente para o golpe, omitindo-se, nos momentos cruciais, de repeli-lo. Chamam-no de cúmplice e de figura central num processo que continua a ter por escopo inviabilizar politicamente o Partido dos Trabalhadores e destruir suas lideranças.

O mais preparado do STF – Nem o cinismo da direita golpista e nem o “j’accuse” da esquerda ressentida fazem justiça a Teori Zavascki, uma pessoa humana extraordinária, de coração enorme e generoso, que dispensa os confetes post-mortem tão hipocritamente lançados sobre protagonistas da cena nacional que, em vida, foram controvertidos. Julgar o outro é algo a ser evitado para não se padecer do mesmo destino quando chegar a hora.

Ninguém de nós se sentou na cadeira de Teori e nem ficou no meio da tempestade avassaladora que experimentou. Manter seu barquinho no prumo, num mar de tormentas não é fácil nem para os mais adestrados capitães timoneiros e, quanto mais, para aprendizes de mestres-arrais.

Convivi com Teori e tive reiteradamente oportunidade de conversar sobre a crise política que assola o País. Era, de longe, o mais denso e mais preparado ministro do STF, sem querer diminuir os demais. Devo dizer que, no atacado, pensávamos igual, divergindo em alguns aspectos menores do varejo. Quando no governo da Presidenta Dilma Vana Rousseff, sempre me preocupei com a segurança pessoal do amigo que admirava.

Por determinação da Presidenta, foi-lhe colocado à disposição, permanentemente, o transporte aéreo de autoridades da Força Aérea Brasileira. Oferecemos, no ministério, guarda-costas e segurança para si e sua família, ciente que estávamos das ameaças que vinham lhe sendo lançadas de todos os lados.

Desconforto com Sérgio Moro – Mas Teori, na sua humildade e simplicidade, era avesso a esse tratamento diferenciado. Custou muito convencê-lo a usar o transporte. A segurança, ele dispensou. Conversei, então, com o Presidente do STF à época, Ministro Ricardo Lewandowski, e ficou acertado que agentes do tribunal se articulariam com a polícia federal para prevenir qualquer ataque a Teori ou seus familiares.

Posso afirmar com certeza que o ministro Teori não compactuava com os abusos no âmbito da Lava-Jato. Sempre lhe causou muito desconforto o modo de proceder do juiz Sérgio Moro, com sua promoção pessoal às custas da presunção de inocência de investigados e no limite do partidarismo. Tinha repulsa pela falta de autocontenção daquele magistrado de piso.

Não lhe agradava a propaganda corporativa da polícia e do ministério público. Não via nela nenhuma vantagem para a educação política da sociedade ou mesmo para a eficiência no desempenho da persecução penal. Era um crítico comedido, como lhe era próprio, da forma como a Procuradoria Geral da República lidava com a publicidade das ações da operação Lava-Jato. Tinha ojeriza aos vazamentos de delações e esperava de todos os atores do processo mais serenidade.

O Ministro Teori Zavascki foi acusado, em blogs e matérias jornalísticas publicadas depois de sua morte, de ter falhado, ao afastar tardiamente Eduardo Cunha da presidência e de seu mandato. É verdade que se este afastamento tivesse se dado com maior brevidade, talvez o destino do governo democraticamente eleito de Dilma Rousseff tivesse sido outro. Mas era da personalidade prudente de Teori não tomar decisões de afogadilho, que pudessem ser revertidas e, assim, causassem mais estragos ao ambiente politicamente conflagrado do que se gestadas com cautela.

Temos que lembrar que o Procurador-Geral da República só fez o pedido de afastamento às vésperas do recesso natalino do STF, como se querendo forçar o relator a resolver monocraticamente sobre a medida requerida.

Agastou nosso amigo Teori o fato induvidoso de que esse pedido poderia ter sido feito muito antes, pois os elementos que o embasavam já eram conhecidos em fase anterior das investigações.

Enxergou esse atraso como certa deslealdade da acusação, deixando-o exposto desnecessariamente.

E tinha razão. É evidente que uma medida dessa natureza não poderia ser tomada solteira, sem consulta aos pares, pois, uma vez submetida ao plenário, não se poderia correr o risco de desmoralização do relator com o desfazimento de um eventual deferimento monocrático do pedido do procurador-geral. Essa desmoralização levaria fatalmente ao fortalecimento da posição de Eduardo Cunha no processo, o que seria muito pior.

Preferiu, pois, Teori, esperar o fim do recesso para poder costurar com seus colegas, um a um, a decisão conjunta sobre o afastamento. Não é fácil ser determinado numa corte com tantas personalidades diferentes e de concepções tão contraditórias sobre a urgência da medida por tomar.

Mas, sou testemunha de que Teori não descansou. Insistiu com os colegas semanas a fio na necessidade de se afastar Eduardo Cunha. Só logrou, porém, sucesso depois de consumado o afastamento processual de Dilma Rousseff no procedimento de impeachment que corria no congresso. Sentiu-se mal por isso, mas não era dono das circunstâncias políticas que dominavam aquele momento.

Teori Zavascki era um juiz independente, no significado pleno da palavra. Sempre se pautou por seus estritos padrões éticos. Não tolerava conversa mole e “jeitinhos” no julgamento de causas de que participava. Estudava detidamente a pauta de cada sessão e tinha noção clara de cada voto que seria proferido.

Era implacável quando assertivas lhe causassem estranheza e questionava seus pares sem se intimidar. Era respeitado por isso. Ninguém o engambelava. 

Tinha lá suas posições doutrinárias que alguns podem chamar de conservadoras. Votou contra a proibição de doações eleitorais por pessoas jurídicas porque estava convencido de que não era esta a causa do descalabro ético na política.

Votou a favor da execução provisória da pena após confirmação da condenação em segundo grau. Tinha para si que o excesso de recursos era manejado frequentemente de má fé pela defesa de acusados endinheirados.

São posições de que podemos legitimamente divergir, mas jamais impor a Teori a pecha de “atrasado”, “fascista” ou “ferrabrás”. Não foi nada disso. Era pessoa de convicções claras, bem embasadas e sem o “parti pris” hoje, em tempos de polarização partidária, tão comum entre expressiva gama de magistrados politiqueiros.

Quando escolhido pela Presidenta Dilma Vana Rousseff para o cargo de ministro, dela ouviu só um pedido: que continuasse a ser esse magistrado sério, ético, independente que se revelara durante toda sua carreira. Nada mais. E era o suficiente. 

Sabe-se que a escolha é correta, quando recomendações e conselhos são dispensáveis, porque a pessoa a ser investida no cargo não sairá do caminho da retidão. E Teori não decepcionou. O carinho que a Presidenta legítima cultivou por ele até o final é prova cabal disso.

Ele era sincero e direto. Não iludia ninguém. Dizia claramente o que pensava e nunca tergiversava.

Faço questão dessa defesa de Teori Zavascki. Ele não a precisa. Não precisa de necrológios encomiásticos. Mas, em nome da admiração e do respeito que por ele sempre nutri, não me sinto bem com os julgamentos apressados e levianos que se tornaram frequentes depois que o amigo foi chamado por Deus. Que lhe demos as homenagens que merece, pois foi, com certeza, um grande brasileiro e um juiz que faz jus a esse nome.

.

Nº 20.765 - "Temer, Gilmar e Moreira. Após enterro de Teori, encontro de 'bons amigos'. Veja"

 

23/01/2017


Temer, Gilmar e Moreira. Após enterro de Teori, encontro de “bons amigos”. Veja


Do Tijolaço  · 23/01/2017


triodosdiabos

No Fantástico de ontem, o encontro de “bons amigos” de “mais de 30 anos”: Gilmar Mendes, Moreira Franco e Michel Temer.

Por Fernando Brito

Discutiram, certamente, a atuação de Rogério Ceni como técnico do São Paulo na Copa da Flórida. E também a reestréia do valente time da Chapecoense.

Dois denunciados nas delações da Lava Jato e um ministro que pode vir a ser o novo relator do caso, com a morte de Teori Zavascki, numa tarde de domingo, pura inocência.

De lambuja, o “amigo de 30 anos” Mendes vai julgar no TSE a cassação do usurpador presidencial.

Viva o Brasil!

Não é à toa que  Cármem Lúcia não quis nem sair na foto com Temer 

Ainda que não reste muita coisa, ao menos a vergonha pública poderíamos evitar, não é.

Embora a presença de Gilmar no Tribunal, Moreira no governo e Temer no Planalto já sejam, em si, as próprias vergonhas.

Veja o vídeo do Fantástico:



.




Nº 20.764 - "Aragão: 'Não se faz oposição a governo golpista, se combate. Eles são nossos inimigos e não adversários' "


23/01/2017


Aragão: “Não se faz oposição a governo golpista, se combate. Eles são nossos inimigos e não adversários”


Do Viomundo - 23 de janeiro de 2017 às 09h27


    aragão 2
  ‘Não se faz oposição a um governo golpista, se combate’, defende Eugênio Aragão

por Marco Weissheimer, no Sul21, 22/01/2017


O procurador federal Eugênio Aragão criticou, na tarde de sexta-feira (20), a naturalização do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e a aceitação do governo Michel Temer como algo legítimo.
“Nós podemos ser oposição a um governo eleito legitimamente, mas não podemos ser oposição a um governo golpista. Não se faz oposição a um governo golpista, se combate. Eles não são nossos adversários, são inimigos”, disse o ex-ministro da Justiça durante o painel “Defesa da democracia e o futuro da esquerda”, realizado no Parque da Redenção dentro da programação do Fórum Social das Resistências.
Aragão criticou também, no atual contexto político, as propostas de eleições diretas já e de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.
“Neste momento, pautas como Diretas Já e Constituinte são agendas que mais nos dispersam que nos unem. A agenda fundamental é o golpe que não passou de um arrastão de trombadinhas. O tema central é o desfazimento do golpe e a restituição da presidenta Dilma. Não podemos abandonar essa agenda sob pena de sermos acusados de hipócritas. Não dissemos que esse golpe foi misógino, machista e antidemocrático? Tudo isso passou? Negar o nosso discurso e trocá-lo por uma variação é algo que nos enfraquece. Uma nova eleição direta agora significaria aprofundar o golpe, tornando a reconquista da legitimidade mais distante. Se tivéssemos uma nova Constituinte agora, a direita transformaria o Brasil num Estado teocrático”, afirmou.
“Os juristas brasileiros são os maiores golpistas”
Eugênio Aragão definiu o atual momento vivido no País como a mais grave crise do republicanismo brasileiro.
“Voltamos a um estágio atrasado marcado pela desestruturação das nossas instituições e pela destruição de políticas públicas. A superação desse momento vai depender da nossa capacidade de gerar coesão. Para isso, precisamos modular o nosso discurso, definir uma estratégia comum e superar dois vícios históricos da esquerda: o esquerdismo e o burocratismo”, defendeu.
Para o procurador, o discurso do “Volta Dilma” não precisa ser contrastado com a inviabilidade disso acontecer:
“O que é mais importante agora é a manter a coerência e a unidade. Esse discurso nos unifica. Precisamos promover um grande debate nacional, formando comitês locais, organizando seminários, fazendo conversas como esta que estamos fazendo aqui hoje”.
O ex-ministro não poupou críticas ao Judiciário, assinalando que, desde o período do Império, os juristas brasileiros são os maiores golpistas:
“Quando a República foi proclamada, em 1989, o superior tribunal de justiça da época manteve todos os seus juízes. Não houve nenhuma mudança na passagem da monarquia para a república. O golpe deles é permanente e muda de face a cada instante para nos confundir”.
Para Aragão, a extrema debilidade do Estado brasileiro facilitou o golpe:
“Quando saímos da ditadura, não fizemos nenhuma transição democrática de verdade. Quando o STF disse que a Lei da Anistia não permitia o julgamento dos crimes de tortura, desaparecimentos forçados e execuções, a anti-anistia se institucionalizou. Recusamos justiça a atrocidades do passado. Isso foi apenas o começo. Não quisemos discutir os temas da unificação e da desmilitarização das polícias. Fomos por demais lenientes e deu nisso: uma geléia geral em que a esquerda se amalgamou com aqueles que querem destruí-la”.
“O futuro da esquerda passa pela democracia”
Organizado pela Central Única dos Trabalhadores e pela Fundação Friedrich Ebert, o debate também contou com a presença do ex-senador chileno e presidente da Fundação Chile 21, Carlos Ominami, da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e do presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.
Ex-ministro da Economia do Chile, Carlos Ominami fez uma análise dos problemas enfrentados pela esquerda latino-americana e apontou aquele que é, na sua opinião, o principal eixo programático para a superação do quadro atual:“O futuro da esquerda passa pela democracia e o futuro da democracia passa pelo seu aprofundamento”.
Para Ominami, os golpes que aconteceram em Honduras, no Paraguai e no Brasil se deram não só pela ofensiva da direita, mas também pelos erros cometidos pela esquerda. “Nós temos democracias de baixa intensidade que são muito frágeis. Fizemos mal algumas coisas. Não devemos considerar a democracia como um meio para chegar a outra coisa, mas sim como um fim”, defendeu.
O ex-senador, que participa atualmente de uma articulação para formar uma nova frente da esquerda chilena, chamou a atenção ainda para a necessidade de defender a democracia de seus novos inimigos.
Entre eles, destacou o ceticismo com a política e a democracia, o populismo de direita (expresso exemplarmente, segundo ele, na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos) e o populismo judicial.
“É algo ruim e muito danoso quando juízes começam a legislar e governar ou quando querem fazer justiça com a imprensa. No caso do Brasil, o que está se buscando não é fazer justiça, mas sim impedir que Lula volte a disputar o governo com as armas da democracia”.
“Não há democracia de direita”
A deputada Maria do Rosário também defendeu a necessidade de a esquerda priorizar programaticamente a agenda da radicalização da democracia.
“A direita despreza a democracia. Produzir uma democracia renovada é, portanto, uma tarefa da esquerda. Não há democracia de direita, pois esta não respeita sequer os valores e princípios clássicos dos liberalismo. Ela trabalha com uma produção contínua de crises que inviabilizam a continuidade da democracia. Nós não estamos vivendo uma crise da democracia hoje no Brasil, pois a democracia faliu no dia do impeachment da presidenta Dilma. O golpista Temer não tem nenhuma legitimidade para indicar o novo ministro do STF, após a morte de Teori Zavascki. Do mesmo modo, o Senado, cheio de investigados na Lava Jato, não tem nenhuma isenção para sabatinar o novo ministro”, afirmou.
Rosário sustentou ainda que a esquerda deve retomar o debate sobre o direito à representação e a qualidade dessa representação.
Além disso, acrescentou, precisa enfrentar o tema do capital. “Não há possibilidade de democracia com o atual grau de exploração. Para ser democrática, a esquerda precisa ser anti-capitalista, humanista e feminista. Precisa assumir integralmente a agenda dos direitos humanos, que nem sempre foram um tema central para a esquerda”.
Claudir Nespolo, por sua vez, definiu a conjuntura atual como um período de resistência, de acumulação de forças para uma nova fase.
“Estamos assistindo a uma revisão da Constituição de 1988, que está sendo feita sem voto, sem participação popular e sem um processo constituinte. O centro dessa revisão é o ataque à Previdência e às leis trabalhistas”.
O presidente da CUT-RS anunciou que, para enfrentar essa ofensiva da direita, estão sendo construídos, em todo o país, comitês em defesa dos direitos para preparar a população para uma grande greve geral em 2017.
Leia também:
.

Nº 20.763 - "Falta o Iluminismo"

.

23/01/2017

Falta o Iluminismo

O Brasil nunca conheceu a Idade da Razão, e isso explica a situação em que precipitamos, cada vez mais fundo

Carta Capital  — publicado 23/01/2017 00h15, última modificação 20/01/2017 17h18

 
Bastilha
Na moldura do século XVIII, este evento se explica


Mino Carta


Alguns anúncios da televisão que zapeio chamam minha atenção. Um deles, de um curso de inglês pela internet, promete aprendizado fulminante com direito a diploma internacional e extraordinárias garantias de emprego. Mas vai além na demonstração de suas virtudes divinatórias: logo logo seremos uma nação bilíngue. O pregador do anúncio lembra os bispos evangélicos.


Recordo a publicidade dos tempos da ditadura. Ao falar em liberdade, expunha-se a qualidade de um jeans. O armador Gerson, campeão do mundo em 1970 para alegria do ditador Médici e dos brasileiros em peso, incluídos os perseguidos pelos janízaros do DOI-Codi e Cenimar, afirmava o sabor e perfume de certos cigarros e a conveniência de “se levar vantagem”. Ou seja, talvez, ganhar a dianteira a caminho de uma doença fatal.

 
O primeiro anúncio continha alguma ironia, creio eu. Não sonhe com liberdade, parecia dizer, mas console-se ao vestir jeans. O segundo, hoje impossível, aludia a um traço forte do caráter nativo, dado ao golpe baixo e ao passa-moleque. Quanto a Gerson, foi bom jogador, houve, porém, melhores, entre seus contemporâneos, na minha opinião, Ademir da Guia.


A publicidade dos dias de hoje, do curso de inglês, é representativa da parvoíce geral, do besteirol reinante. A nossa ignorância conta até com o reconhecimento mundial. Uma pesquisa recente, francesa, nos coloca em sexto lugar entre os mais atrasados.
A educação do povo nunca preocupou o Estado Nacional, desinteressado, como bem sabemos, do Bem-Estar Social. Já houve tempos melhores muito curtos, no entanto. Quando cheguei a São Paulo, ainda menino, o colégio mais respeitado era público, instalado em prédio antigo e digno no Parque Dom Pedro, hoje área de mendicância e tráfico. A criminalidade mora ali.


Colégio muito concorrido, meu pai gostaria que o frequentasse. Não consegui vaga. A capital paulista tinha 1 milhão e meio de habitantes e 50 mil carros. No Carnaval, o corso passava pela Avenida São João, artéria principal.


Cidade limpa, pacata, civilizada. Destinada a um futuro exemplar de grande metrópole do Hemisfério Sul coerente com o seu passado, como o são, por exemplo, Melbourne e Sydney. De improviso, deu para se orgulhar de ser “a que mais cresce no mundo”. Deu no que deu.


Que se proclame a possibilidade de sermos todos bilíngues a curto prazo é uma hipérbole da sandice que não se dá por acaso. Sempre houve quem quisesse vender o elixir da longa vida e quem o comprasse.


O anúncio da tevê a que me refiro é, obviamente, insignificante comparado à disposição da maioria dos brasileiros de comprar elixires de porte e efeitos infinitamente superiores. Milhões bateram panelas e saíram às ruas de camiseta canarinho crentes de que a derrubada da presidenta Dilma escancararia as portas da felicidade.


Raros os que deram ouvido aos avisos: ruim com Dilma, pior sem ela. Precipitamos no caos, a cada instante a treva se adensa e vamos ao encontro de um desfecho trágico. E ainda muitos, legiões, não se dão conta disso.


Ocorre-me, pinçado ao acaso, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, a Tia Carminha das crianças inocentes. Na expectativa da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, ela se prepara a assumir a Presidência da República. Quem sabe não tenha reparado que o ministro Gilmar Mendes, seu colega e subordinado no STF, anda de mãos dadas com o presidente da República. De resto, quem não quer ocupar o trono? De chofre, poderia citar duas dúzias de nomes.


Espantosa é a pretensa normalidade da situação, a julgar pela reação de inúmeros cidadãos e do tom da mídia. A resignação do povo é tradição. Mas não haveria de tocá-lo o resultado do golpe de 2016: a punição do trabalho, a rendição ao neoliberalismo mais feroz, o corte nos investimentos em Saúde e Educação? Até quando haverá de resistir a chamada maldita “cordialidade”? E como se sentem os remediados? E a classe média-média?


Há quem diga que a casa-grande vive e viverá em perfeita tranquilidade, indiferente às atribulações da maioria. A normalidade para ela nunca acabaria. Na comparação malposta, a aristocracia francesa vivia a normalidade até as vésperas da tomada da Bastilha. Verdade é que aquele era o século do Iluminismo, e este aqui nunca aportou. 


.

.

Nº 20.762 - "Teori: Lava Jato ferra Temer"

.

23/01/2017

Teori: Lava Jato ferra Temer

O que deixaria o Ministro apreensivo: o Cerra ir em cana ?


Conversa Afiada - publicado 23/01/2017



EntraTemer.jpg
Cemitério de Formosa/GO...


Trecho da declaração do filho do Ministro Teori, Francisco Zavascki, reproduzido no Globo Overseas Investment BV, a partir de entrevista que deu ao Fantástico:

Ele estava trabalhando e veio me visitar na quarta-feira à tarde (dia 18). A gente conversou longamente sobre muitos e muitos assuntos. Ele se mostrou muito preocupado: “Olha acho que 2017 vai ser muito mais complicado que 2016”... Eu vi uma apreensão muito grande dele em relação ao que ele já tinha analisado das delações, o que tinha lá dentro e uma preocupação de como o país e as instituições iriam reagir à divulgação desses depoimentos — disse Francisco.

Teori, seguramente, não estava apreensivo com a possibilidade de o Padim Pade Cerra, o Careca, concluir atrás das grades brilhante carreira de "elite da elite"...


PHA
.

Nº 20.761 - "O que o Moro foi fazer no velório?​"

.

23/01/2017

O que o Moro foi fazer no velório?​


Juiz fazer pronunciamento em velório? Não é uma esculhambação?


Conversa Afiada  - publicado 22/01/2017


Velorio.jpeg


O cachalote, aquele em quem o professor Belluzzo identificou traços do "sábio idiota", foi a Porto Alegre para o velório do Ministro Teori.

"Nem tudo está perdido", disse Moro, de forma enigmática.

"Tudo", o que?

A prisão do Lula para que não seja candidato em 2017 ou 18?

Ou a jurisprudência do "não vem ao caso", no caso de tucanos gordos?

Será que o Moro encontrou no velório o Careca, o "MT", da lista de alcunhas da Odebrecht?

Encontrou aquele que o ACM chamava de Eliseu 'Quadrilha'?

Sorriu, saudou e saiu, ou os cumprimentou efusivamente, como faz quando encontra o Mineirinho na festa da QuantoÉ?

Moro teria feito no velório "um pronunciamento"!

"Pronunciamento" em velório, assegura a Fel-lha.

De fato, isso aqui virou - como diz o Ricardo Melo - uma esculhambação: juiz fazer "pronunciamento" político em velório.

Já não bastam os pronunciamentos políticos que ele emite em sentenças...

Moro disse que Teori era um herói!

"Herói" por que?

Porque não fazia política.

Porque não iria ao velório do Moro?

Porque mandou desqualificar aquele ato criminoso do Moro - o vazamento de um telefonema da Presidenta da República com o cidadão Luis Inácio Lula da Silva?

Crime que, em qualquer país medianamente civilizado, o desqualificaria para continuar a "julgar"?

O Juiz Moro, por acaso, mantinha relações de amizade com o Ministro Teori e ninguém sabia?

O que, apenas, justificaria sua ida ao enterro.

Porque se não era amigo do Ministro Teori e, portanto, jamais seria convidado para tomar assento naquele avião, se não fosse, não tinha nada que ir ao velório.

Ou será que foi fazer política?

A mesma política que exemplarmente tenta punir?


PHA

.

Nº 20.760 - "A morte de Teori e o dever da suspeita, por Aldo Fornazieri"

...

23/01/2017

A morte de Teori e o dever da suspeita, por Aldo Fornazieri


Jornal GGN - SEG, 23/01/2017 - 07:38 ATUALIZADO EM 23/01/2017 - 07:39



A morte de Teori e o dever da suspeita


por Aldo Fornazieri


Teori Zavaschi, como homem e como juiz, a exemplo de qualquer um de nós, tinha defeitos e virtudes. Ainda sem uma biografia, e ao que se sabe pela imprensa e pelas suas decisões, declarações e visão de mundo, é possível dizer que tinha mais virtudes do que defeitos. Num pais que enfrenta um grave déficit de pessoas públicas virtuosas, a sua morte representa uma enorme perda, tanto pelo lado humano, quanto pelo lado político e histórico. A sua morte merece ainda mais lamentações pelas circunstâncias jurídico-politicas em que ele estava envolvido, a iminência da homologação das delações da Odebrecht, seu papel na Lava Jato etc.
 ​
Ninguém sabe ainda se sua morte foi provocada por um acidente ou por um atentando. Não há nenhum indício de que tenha sido um atentado. Se foi acidente, temos que convir que a Deusa Fortuna anda amargurada com o Brasil. Talvez, cansada com nossas inconsequências, irada com nosso extravio histórico, desgostosa com nossa falta de virtudes, decidiu que nos advertirá cada vez mais com o açoite das tragédias. Seria delongar-se de forma cansativa enumerar as pequenas e grandes tragédias que nos atingem recorrentemente por conta da falta de virtudes da sociedade e, principalmente, dos governantes. Afinal de contas, todos sabem que onde não existem virtudes e capacidades as portas ficam abertas e as muralhas fendidas para a superveniência do trágico, do desditoso, do imprevisto e do doloroso. Assim, junto com a morte de Teori é necessário que se chore o destino desgraçado do nosso pais e a infeliz dor do nosso povo.

Mas, mesmo que não haja indício de atentado na morte de Teori e dos que o acompanhavam, temos, não só o direito, mas o dever de suspeitar de que o avião caiu por iniciativa criminosa. Este dever é assistido pelo fato de que o Brasil vive um momento histórico de inconfiabilidade generalizada. É como se o país estivesse se dissolvendo no ar em face da inexistência de nenhuma força com poder de agregação. Pelo contrário, todas as forças que atuam no país parecem centrífugas e estilhaçam a sociedade cada vez mais em conflitos, em desagregação e em inconfiabilidade.

A destruição da democracia e da confiança

Um governo, em qualquer país, deveria ser o centro agregador dos interesses e do bem estar do povo. O atual governo brasileiro é a força que mais age para destruir o sentido comum de uma caminhada para o futuro. Ele nasceu da fruta maligna da traição, da conspiração sicária, da busca da auto-proteção de um grupo criminoso. A inconfiabilidade é a essência desse governo. 

Antes da instalação desse governo acreditava-se em algumas coisas. Acreditava-se que vivíamos numa democracia, defeituosa, claro, mas numa democracia. Acreditávamos que os golpes e as violações constitucionais eram coisas do passado. Acreditávamos que, com exceção de um e de outro, os partidos eram democráticos. Acreditávamos que os nossos colegas eram democratas.

O golpe fez ruir todas as confianças e crenças básicas que se deve ter nas democracias. Vimos políticos que combateram a ditadura abraçar o golpe. Vimos ilustres acadêmicos, analistas, comentadores, jornalistas, seja por omissão ou por adesão, abraçar o golpe. Vimos a mídia que fez autocrítica em relação ao golpe de 1964 abraçar uma nova forma de golpe.

A destruição da confiança e da fé básicas na democracia produziu graves efeitos. Um deles, consistiu na instauração do reino da suspeita e da inconfiabilidade. Não há no que confiar: os líderes são suspeitos, os partidos são suspeitos, o Congresso é suspeito, o Ministério Público e a Procuradoria Geral da República são suspeitos, o presidente da República é suspeito e o Judiciário é suspeito.

Como pode haver relações de confiança em um país que, em nome do combate à corrupção, se instalou um governo cuja cúpula expoente é a mais corrupta que já se teve? Como se pode ter confiança quando esse governo investe deliberadamente contra toda segurança social, causando até mesmo espanto nos jornais tradicionais dos Estados Unidos? Como se pode ter confiança quando as instituições estão em colapso; quando as prisões são campos de concentração e escolas do crime; quando não há segurança pública elementar; quando a sociedade está dilacerada por duas guerras - uma da violência e a outra do trânsito?

Como não desconfiar da morte de Teori sabendo que ele homologaria relatos de crimes cometidos pela cúpula desse governo, por senadores e deputados poderosos? Afinal de contas, imbricadas com as decisões de Teori, estavam em jogo imenso poder, poderosos interesses, gigantescas fortunas amealhadas pela criminosa ação do assalto à coisa pública. Por isso, a suspeita é um dever, sob pena de que sua ausência se torne uma omissão. Quem comete crimes para chegar ao poder pode cometê-los para nele se manter.

Investigações estão em curso. O recomendável é que todos os atores relevantes as acompanhem, que a OAB as acompanhe e que a Câmara dos Deputados forme uma comissão para também as acompanhar. Em relação às delações da Odebrecht, a sociedade deve cobrar a sua imediata homologação, pois, tudo indica que o trabalho estava em fase de finalização. Não é aceitável que, agora, um novo relator comece do zero, com outra equipe, com novos assessores.

Para que a suspeita não se amplie é preciso uma homologação rápida, assim como sua rápida publicidade. Se a presidente do STF, Carmen Lúcia, nesse início de gestão conseguiu germinar sementes de credibilidade, é preciso que tenha consciência de que delongas e protelações ampliarão as suspeitas que caem sobre o  próprio Supremo.

 Os políticos sérios e que têm propósitos honestos, e os magistrados que querem ter uma biografia digna precisam  ter consciência de que vivemos um momento em que qualquer otimismo sobre o futuro do Brasil se dissipou. A nossa marcha da história não tem sido nem positiva e nem progressiva. O Brasil, definitivamente, não foi escolhido por Deus, nem somos um "povo pacífico e ordeiro" e, menos ainda, temos uma democracia racial. É preciso construir algo novo. E se algo novo terá que surgir nesse país haverá de surgir da dor do parto, da purgação desse momento de suspeita e inconfiabilidade.



Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política
.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Nº 20.759 - "Cancella: É proibido criticar Moro e Lava Jato, mas Parente entregar a Petrobras aos gringos, com auxílio do juiz, pode"

22/01/2017


Cancella: É proibido criticar Moro e Lava Jato, mas Parente entregar a Petrobras aos gringos, com auxílio do juiz, pode



Do Viomundo - 22 de janeiro de 2017 às 10h25



  petrobras moro parente
Pedro Parente, com auxílio de Moro, entrega Petrobrás a gringos.
Lava Jato, segundo a mídia, virou uma unanimidade nacional!
Isso é caçoar da inteligência dos brasileiros, talvez fazendo alusão ao escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues que dizia que “Toda unanimidade é burra”.
Entretanto ,a sociedade já começa a enxergar a verdade e vai perceber que juiz Sérgio Moro pode até ser herói nacional, mas dos EUA.
Aliás, o governo americano o premiou e as suas principais revistas também, Time e Fortune, o exaltaram. Fizeram isso pelos excelentes serviços prestados ao povo americano, entre tantos:
1 — Moro chamou os procuradores americanos para investigar a Petrobras, legitimando a espionagem contra o Brasil;
2 — Os tribunais americanos estão de olho no petróleo brasileiro e querem destruir a Petrobras e contam com a ajuda incondicional da Lava Jato;
Eles assim defendem que a causa da queda das ações da Petrobras foi a corrupção. Mas isso é uma grande farsa, até porque as ações de petroleiras despencaram no mundo todo, não só no Brasil.
E Moro, colaborando com a tese deles, mandou os ladrões da Petrobras testemunharem nos tribunais americanos em favor dos gringos.
Moro, os americanos e o mundo sabem que a queda das ações foi uma tramoia dos EUA e da Arábia Saudita, quando aumentaram drasticamente a oferta de petróleo no mercado, fazendo com que o preço do barril do petróleo de US$ 140 fosse para US$ 30.
Os EUA fizeram isso para prejudicar os países produtores, como Rússia, Irã, Brasil e Venezuela. Parece que no Brasil funcionou.
3 — Lava Jato e a mídia, incansavelmente, trabalham para desmoralizar a Petrobras, com o intuito único e exclusivo de facilitar sua entrega aos americanos. A Lava Jato fornecia, como num reality show, diariamente, informações denegrindo a Petrobras e o governo Dilma, preparando terreno para o golpe e para a entrega de nossas riquezas. Assim a Globo concedeu a Moro o prêmio de “Homem que faz a diferença”.
4 — Nunca quiseram acabar com a corrupção, pois Moro só mostrou a corrupção nos governos do PT, de Lula e Dilma, na Petrobras. E não mostrou as barbáries cometidas pelos tucanos, isto porque eles fazem parte da panelinha dos que querem entregar nosso petróleo.
A corrupção no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, na Petrobras, jamais foi mostrada pela Lava Jato, nem com FHC reconhecendo em seu livro, Diários da Presidência, que havia corrupção em seu governo, na Petrobras. E, com certeza, era infinitamente maior do que no período de Lula e Dilma, só que eles não deixam investigar.
O Filho de FHC já foi citado em corrupção na Petrobras pelo ex-diretor da empresa, o preso Nestor Cerveró, e pelo operador do PMDB, Fernando Baiano. E Moro faz ouvido de Mercador!
5 — Agora o tucano Pedro Parente está fazendo um feirão com os ativos da Petrobras. Parece comercial de televisão “Parente ficou Doido”, pois entrega tudo — como vender petróleo do pré-sal do campo de Carcará, sem licitação, a preço de um refrigerante, quando o preço do petróleo no mercado internacional está acima de US$ 55 o barril. E a Lava Jato finge que não vê!
O golpe foi dado com a ajuda dos americanos no Brasil, mas a mídia e os golpistas não aceitam a palavra golpe, inclusive a ministra Rosa Weber interpelou a presidenta Dilma para explicar por que chamou o golpe de “Golpe”.
E, por ordem dos golpistas, não podemos nem falar de golpe e também não podemos fazer criticas nem ao juiz Sérgio Moro e nem à Lava Jato. Elogiar pode! Como se não bastasse o MPF não quer nem que a Polícia Federal faça críticas à Lava Jato.
Eu denunciei, em novembro de 2016, ao MPF, a omissão da Lava Jato em relação ao governo tucano de FHC e à gestão do Pedro Parente na Petrobrás.
Em dezembro fui intimado pelo MPF, atendendo a pedido do juiz Sérgio Moro, por possível crime contra honra do servidor público.
Três meses depois veio a resposta da minha denúncia mandando que eu reenviasse a denúncia seguindo um passo a passo lá deles.
Nem precisaria de denúncia, pois se estão destruindo o patrimônio público, já que envolve a Petrobras, creio que o MPF deveria agir de ofício. E o feirão continua de vento em popa!
No golpe militar, que durou 21 anos, proibiam também de falar ou escrever determinadas palavras e muitos textos teatrais e músicas foram censurados por isso.
No golpe de 2016 é proibido falar ou escrever a palavra golpe, bem como criticar o juiz Moro e a Lava Jato. Detalhe: destruir o país, pode!

Emanuel Cancella é da coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e autor do livro “A outra face de Sérgio Moro”.
Leia também: