terça-feira, 26 de setembro de 2017

Nº 22.377 - " Brasil 'inventa' retomada sem investimento, vulgo 'bolha financeira' "

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26/09/2017


Brasil “inventa” retomada sem investimento, vulgo “bolha financeira”


Do Tijolaço · 26/09/2017


desaba


por FERNANDO BRITO

O Valor anuncia hoje que os investimentos das empresas estatais e dos governos  caíram vertiginosamente.

No primeiro semestre, as estatais, por exemplo, realizaram o menor investimento desde 2008. 

Ou seja, uma década de retrocesso.

Os Estados, 16% menos do que no desastroso ano de 2016, comparado os primeiros semestres.

A crise fiscal está afetando não só os investimentos da União, como também os das estatais federais e dos governos estaduais.

Já os 26 Estados investiram 15,9% menos que no mesmo período do ano passado que todos sabem já foi de paralisia.

Diz o jornal que, apesar de já terem sofrido cortes imensos em seus orçamentos de investimentos para este ano, ” as 89 estatais não dependentes do Tesouro Nacional executaram até junho apenas 25,8% dos investimentos programados para 2017″.

“Proporcionalmente, é a pior execução em dez anos”.

“Sem caixa e com acesso restrito a operações de financiamento, os governadores estão reduzindo despesas discricionárias e restringindo os investimentos às áreas com receita vinculada, casos de Educação e Saúde”, diz o Valor.


Investimento, como se sabe, é o dinheiro que se gasta hoje para evitar o caos amanhã.

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Nº 22.376 - "JESSÉ: CLASSE MÉDIA PENSA QUE É ELITE"



26/09/2017


JESSÉ: CLASSE MÉDIA PENSA QUE É ELITE


O problema não é a corrupção, mas o pobre entrar na universidade!


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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Nº 22.375 - "A Eletrobras é sustentável e tem papel fundamental para o País"


25/09/ 2017

"A Eletrobras é sustentável e tem papel fundamental para o País"


Da Carta Maior  — publicado 25/09/2017 00h43, última modificação 22/09/2017 15h09

Privatizar a Eletrobras é destruir um sistema viável e benéfico à sociedade, alerta o ex-ministro Nelson Hübner

André Dusek/Estadão Conteúdo


Hubner
Para o ex-ministro o modelo do governo Lula resulta em melhores preços de energia para a população
Ao  privatizar a Eletrobras, o governo atual destrói o modelo estabelecido pela administração Lula, que transfere o risco para os investidores e proporciona melhores preços de energia à sociedade, analisa o ex-ministro de Minas e Energia e ex-diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica Nelson Hübner.
Dirigida pela visão do mercado de capitais combinada ao afã de fazer caixa, a equipe de Temer detona uma estrutura viável que, só na Usina Santo Antônio, em Rondônia, poupou a sociedade de pagar 26,5 bilhões de reais através da tarifa de energia.
Assim, a aliança tucano-peemedebista restaura a política de FHC que afastou as estatais dos leilões de ampliação de oferta e transmissão e preparou a  Eletrobras para a privatização, explica Hübner, integrante dos conselhos de administração da Cemig e da Light, na entrevista a seguir.
CartaCapital: O governo alega que a Eletrobras não é sustentável, para justificar a sua privatização.
Nelson Hübner: Ao contrário, a Eletrobras é absolutamente sustentável e tem um papel fundamental para o País, sobretudo de equilíbrio de um mercado oligopolizado. Sem a presença da estatal, uns poucos grupos econômicos imporiam custos extraordinários à sociedade. Isso eu pude ver pessoalmente, quando, na condição de ministro interino de Minas Energia, promovi os leilões de Santo Antônio e Jirau e, como diretor-geral da Aneel, coordenei o leilão de Belo Monte e os leilões de transmissão.
Não tenho dúvida nenhuma, hoje, em afirmar que, sem a Eletrobras, através das suas empresas, mesmo participando minoritariamente, como sempre participou, em consórcio com companhias privadas, nesses leilões, o custo da energia para o País teria sido muito maior
CC: Como é isso na prática?
NH: A determinação do preço de geração de novas usinas no Brasil é feita através de leilões regulados. Vêm de 1997-1998, quando se intensificou a onda liberal no País e no resto do mundo, transformando os modelos de regulação do sistema elétrico no sentido de deixar que o mercado respondesse por tudo.
A mudança no modelo brasileiro retirou funções do Estado e do governo, a partir, principalmente, de 1997, com a implantação de todo arcabouço regulatório difundido a partir dos modelos liberais britânico e americano com Margareth Thatcher e  Ronald Reagan,, que defendem o Estado mínimo.
O único item desse período que funcionou e foi mantido nas mudanças no setor implementadas no governo Lula, em 2004, por meio da Lei nº 10.848, foi a licitação para as linhas de transmissão. O governo delega a realização dos leilões à Aneel, que define a Receita Anual Permitida (RAP), valor máximo a ser pago anualmente para a empresa que construir e operar a linha de transmissão durante 30 anos.
Na geração, vencia o leilão aquela que pagasse o maior valor pelo Uso do Bem Público (UBP). Isso foi modificado pela lei mencionada: a empresa que oferecia o menor valor pela energia a ser entregue ao mercado regulado (mercado da grande massa dos consumidores brasileiros ligados pelas empresas de distribuição) era a vencedora do leilão. Os leilões de transmissão e geração evidenciam de modo muito claro a importância da Eletrobras nesse processo. 
CC: Como essa importância da Eletrobras ficou clara?
NH: No governo FHC, todas as empresas da Eletrobras foram incluídas no Plano Nacional de Desestatização PND e não podiam participar de nenhum leilão, nem de expansão de energia nem de linha de transmissão. Participavam só agentes privados, à exceção de duas estatais estaduais, a Copel e a Cemig, que atuavam eventualmente.
O resultado foi que, de 1998 até 2002, quase não havia deságio, que é o desconto no preço-teto que a Aneel publica. Em 2003, um dos primeiros atos do governo Lula foi manter as empresas da Eletrobras como estatais, retirando-as do PND. Elas foram liberadas para participar dos leilões, mas só minoritariamente, ou seja, através de consórcios privados.
Seguiram a orientação e daí em diante os deságios sempre superaram 30%. Várias vezes o Ministério de Minas e Energia discutia com a Aneel a possibilidade de redução dos preços, pois não parecia lógico, num país com economia estabilizada e inflação baixa, uma empresa oferecer 50% de desconto para possuir, implantar e operar uma linha de transmissão.
Os preços-teto foram reduzidos, mas, ainda assim, os enormes deságios continuaram a acontecer nos leilões. Ali ficou absolutamente claro, para mim, que a Eletrobras foi fundamental à expansão de geração e de linhas de transmissão e desempenhou um papel decisivo de equilíbrio do mercado e de garantia de suprimento.
CC: Poderia exemplificar?
NH: Depois das mudanças do modelo, no primeiro leilão de uma grande usina, no primeiro mandato de Lula, quando divulgamos o preço-teto do leilão de Santo Antônio, todas as empresas privadas, em especial as grandes construtoras interessadas na implantação da obra, como a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez, esbravejaram.
Queriam que aumentássemos os valores que eram, se não me engano, de 121 reais o megawatt-hora, nessa faixa, porque, segundo elas, era inviável construir e operar a usina com esse valor. Falavam em 160 reais o megawatt-hora, mas miravam mesmo em 140 reais. Em Santo Antônio, e também em Jirau, se tivessem prevalecido esses argumentos, o governo teria comprado a energia por 140 reais o megawatt-hora, praticamente o dobro do valor efetivamente pago, entre 71 e 78 reais.
A competição que resultou nessa expressiva redução dos recursos desembolsados pelo poder público só foi possível porque sempre liberamos as empresas do grupo Eletrobras para se associarem minoritariamente aos grupos privados. Furnas já estava associada a um grupo e Chesf e Eletronorte, a outro. Caso contrário, não haveria leilão e seria imposto o preço máximo. Veja o caso de Santo Antônio. A usina tem 2.328 megawatts de garantia firme, ou seja, o que ela pode contratar. Se tivesse prevalecido o interesse dos grupos, o preço seria então de 140 reais o megawatt-hora.
No leilão, saiu a 78 reais o megawatt-hora, portanto, uma diferença de 62 reais, que significa, por ano, 885 milhões de reais. Como Santo Antônio tem contrato de 30 anos, a diferença representa então 26,5 bilhões de reais que a sociedade brasileira deixou de pagar através da tarifa de energia. 
CC: Vários críticos relacionam as concessões feitas sob a Medida Provisória 579, de 2012, sobre contratos de concessões de geração, transmissão e distribuição, à suposta entrega de energia subsidiada.
NH: Isso é papo furado de quem está a fim de privatizar e quer encontrar uma justificativa. Sem essa Medida Provisória, todas as usinas antigas da Eletrobras, e de todas as outras empresas com ativos depreciados, que em 1998, no governo FHC, ganharam a extensão dos contratos de concessão até 2015, voltariam para as mãos da União, sua legítima dona, pois a população pagou pela energia gerada e amortizou os investimentos e permitiu o ganho financeiro dos proprietários das usinas durante o período de concessão.
A legislação existente não previa nenhuma possibilidade de prorrogação dessas concessões. Elas retornariam para a União para serem licitadas. Ou seja, a Eletrobras perderia todas essas concessões. A partir da Lei nº 10.848, a licitação para contratação de energia passou a ser pelo critério de menor preço para prestação do serviço, conforme explicado. Era a regra.
Gráfico 1
O que a MP 579 fez foi dar uma alternativa: quem quisesse continuar operando as usinas e ganhar mais 30 anos de concessão deveria aceitar as condições da Lei. Quem não quisesse, continuava com as usinas até o fim da concessão, quando retornariam para a União para serem licitadas.
A Eletrobras deveria, portanto, ter se preparado. A MP estabeleceu um modelo que é muito usual em países com muita geração hidrelétrica em suas matrizes. Algumas pessoas adoram colocar a culpa no PT, que teria pretendido definir artificialmente o preço e até o próprio mercado, mas isso é conversa de quem não entende ou tem outros objetivos que não o bem público.
gráfico 2
O preço da energia de uma usina hidrelétrica nova é basicamente o pagamento dos custos de implantação, ou seja, a parte cara é construí-la e colocá-la para operar. Uma vez edificada e amortizado o investimento, o custo de manutenção e operação é baixíssimo.
O valor da tarifa de Itaipu, por exemplo, é o serviço da dívida. A partir de 2023, quando termina o pagamento da dívida, o custo da energia dessa hidrelétrica será muito próximo de 10 reais o megawatt-hora. Resta saber se vão deixar o mercado ditar o preço da energia de Itaipu. Se isso acontecer, o lucro da empresa será estrondoso. Os paraguaios ficarão muito felizes.
O combustível da usina hídrica é água, um bem público de custo zero. O gerador paga uma parcela de sua receita pelo uso da água. Por isso, as hidrelétricas, e ainda as solares e as eólicas, não são sensíveis a preço. Em todos os mercados em que tentaram colocar essas fontes competindo com fontes térmicas os resultados foram desastrosos.
CC: Como funcionava antes da desestatização de FHC?
NH: As concessões para a construção de usinas eram feitas diretamente às empresas estatais pela União, através do ministério da área. As empresas tinham uma tarifa com garantia de rentabilidade de 10% a 12% (tarifa pelo custo). Mas é um modelo ineficiente.
Acho que a licitação pelo menor preço da energia, conforme estabelecido pela Lei nº 10.848, é melhor, porque retira das mãos do governo o problema de contratar e gerir obras públicas, joga o risco para os investidores e proporciona melhores preços de energia para o País.  
CC: Qual deveria ser a postura do governo em relação à Eletrobras?
NH: O governo deve, ou deveria, mirar nos resultados globais da empresa, em termos de custos e dividendos para o Tesouro, mas, sobretudo, nos ganhos globais para a nação e o povo brasileiro pela ação de uma empresa pública de um setor estratégico como é o de energia.
Mas quem só tem a visão de ganhos e perdas no mercado de capitais opera sobre outra ótica e a publicação de determinadas visões, como atualmente veiculadas, fornece argumentos para administradores que buscam motivos para dizer que é preciso mesmo privatizar. Na verdade, esse não é o motivo.
Privatizar é o objetivo da política, o resto são justificativas. Eles vão querer vender tudo. É um absurdo um governo que assume com um golpe parlamentar, não tem voto algum e está entregando patrimônio público sem nenhuma discussão com a sociedade.
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Nº 22.374 - "No Brasil do 'prove que é inocente', Lula entrega recibos do aluguel"

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25/09/2017


No Brasil do “prove que é inocente”, Lula entrega recibos do aluguel



Do Tijolaço  · 25/09/2017


recibolula


Por FERNANDO BRITO

A defesa de Lula protocolou no Santo Ofício, digo, na vara criminal do Dr. Sérgio Moro o contrato e vários recibos do aluguel pagos por Marisa da Silva pelo apartamento localizado ao lado do seu, em São Bernardo do Campo, aprazível cidade da Riviera Francesa.
Numa incrível inversão do ônus da prova, o Moro “mandou” Lula apresentar os recibos do aluguel, sem que houvesse qualquer prova de que teriam sido pagos por terceiros. Ainda assim, neste completo absurdo, a defesa de Lula o fez, em petição apresentada hoje, à qual juntou a cópia de 26 recibos para comprovar pagamento de aluguel :
Na ausência absoluta de qualquer elemento que pudesse dar sustentação à fantasiosa tese de que o Peticionário teria sido beneficiado com recursos provenientes de contratos com a Petrobras, a Força Tarefa da Lava Jato elegeu
artificialmente uma relação privada de locação entre o Sr. Glaucos da Costamarques (locador) e D. Marisa Letícia Lula da Silva (locatária), envolvendo o citado apartamento 121 do residencial Hill House, como algo relevante para a acusação.
Também no que tange a essa relação privada de locação o Ministério Público Federal nada demonstrou que pudesse amparar a acusação formulada contra o Peticionário.
De qualquer forma, em atenção à deliberação constante no item 3 do “Termo de Audiência” de 19/09/2017, requer-se a juntada do incluso Instrumento de Locação relativo ao apartamento 121, do Residencial Hill House, Bloco 1, localizado na Avenida Francisco Prestes Maia, nº 1501, São Bernardo/SP (SP) bem como a juntada dos inclusos “Recibos de Aluguel” relativos à locação do apartamento 121, do Residencial Hill House, Bloco 1, localizado na Avenida Francisco Prestes Maia, nº 1501, São Bernardo/SP (SP) localizados até a presente data.
Vejam a loucura que se atingiu: Lula declarou o aluguel pago no IR, o locador declarou o recebimento, há recibos  e….não vem ao caso.
Aliás, o Estadão hoje faz estardalhaço com os recibos fornecidos pelo Instituto Lula de doações recebidas da Odebrecht, alegadamente propina. Vai pro Guiness! Propina com talão de recibo e assinatura, depositada na conta bancária (no Brasil) do próprio instituto!
E o pior é que, nos comentários do jornal alguns “jênios” dizem: aí está a prova. Prova de que? De que o dinheiro foi recebido legalmente, com recibo e depósito em banco?
Olha, nem o lobo da fábula era capaz de tamanho cinismo..
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Nº 22.373 - "O agravamento da crise e Lula como saída, por Aldo Fornazieri"


25/09/017


O agravamento da crise e Lula como saída, por Aldo Fornazieri


O agravamento da crise e Lula como saída, por Aldo Fornazieri


Jornal GGN - 25/09/2017





por Aldo Fornazieri


Duas pesquisas publicadas nos últimos dias confirmaram a tese que defendemos no artigo publicado na semana passada: a de que houve um efeito saturação com as denuncias e ataques a Lula. A pesquisa CNT mostra que Lula venceria as eleições de 2018 em todos os cenários. E a pesquisa Ipsos mostra que a rejeição de Lula cai e que aumenta a rejeição do juiz Moro, de Dória, Bolsonaro e vários outros políticos. A falta de materialidade de provas contra Lula reforça a ideia de que ele é alvo de um ataque persecutório por parte de Moro. Dória vem se evaporando no ar por diversos motivos. Já, Bolsonaro, começa a assustar os eleitores na medida em que, de sua boca, saem investidas de cavalaria.

A crise política e institucional, contudo, parece não ter chegado ao apogeu e a complexidade e incertezas que ela suscita tendem a aumentar. O fato é que o golpe desorganizou o funcionamento institucional e já não há governo, não há Congresso e não há Judiciário funcionando nos parâmetros da normalidade democrática e institucional. Nem o Judiciário e nem o Congresso mostram-se capazes de solucionar a crise. A questão central é essa: há um governo ilegítimo, sem nenhum apoio social, cujo presidente da República é chefe de uma organização criminosa, nas conclusões da Procuradoria Geral da República. O presidente e as instituições estão desmoralizados e sem legitimidade.

O povo brasileiro está posto de joelhos em face da incapacidade da oposição de produzir um movimento de massas para tirar o presidente. O presidente, por força da Constituição, é comandante-em-chefe das Forças Armadas. Não é normal que as Forças Armadas de um país, com os seus padrões de disciplina, hierarquia, ordem, sensos de honra e moralidade, sejam comandadas por um chefe que, ao mesmo tempo, é chefe de uma organização criminosa, conforme conclusão de investigações. É neste contexto que deve ser compreendido o pronunciamento de militares, agora da ativa.

O pronunciamento dos militares faz crescer o impasse da crise. Se, por um lado, é correto que eles não podem aceitar como comandante alguém que chefia uma organização criminosa, por outro, há um claro limite constitucional para a sua ação política. Eles não podem agir como poder interventor acima da Constituição. Mas ao mesmo tempo, o Judiciário e o Congresso mostram-se incapazes de solucionar a crise, ao menos parcialmente, com a remoção do presidente ilegítimo.

Ao impasse militar e ao impasse do Congresso e do Judiciário, soma-se um terceiro impasse: A investida de vários setores na sanha quase cruenta para impedir a candidatura de Lula à presidência. Esses setores são legionários do caos, estimuladores da desobediência civil, engendradores de rebeliões. Se o Brasil, a República, as instituições e o sistema político estão destroçados e carentes de legitimidade, como tirar do processo eleitoral o líder com maior legitimidade? E como tirá-lo a golpes arbitrários, sem provas cabais de ter cometido os delitos de que é acusado? Como tirar do jogo eleitoral justamente o líder que pode reconfigurar a legitimidade institucional? Na verdade, esses setores, estão armando um ciclone de grandes  proporções no horizonte da política brasileira.

A hora do confronto

A crise brasileira só poderá ter um início de solução pacífica se o processo eleitoral for marcado pela legalidade e legitimidade, o que implica permitir que Lula dispute as eleições. Se este é o requisito condicional de uma eleição democrática, as forças progressistas e de esquerda precisam se organizar e organizar linhas de defesa desde já para salvaguardar a democracia. Os líderes progressistas atuais terão seus nomes inscritos na ignominiosa histórica da covardia se agirem como agiram na derrubada de Dilma, na aceitação de fato de Temer e na falta de reação na votação da reforma trabalhista.

Alguns analistas, inclusive de esquerda, afirmam que Lula é passado, que faz parte do arranjo que emergiu da Constituição de 1988 e que este arranjo desmoronou porque expressava a conciliação e esta não tem mais lugar a partir do golpe. Nisso tudo, apenas a última afirmação é verdadeira. Na verdade, há uma enorme incompreensão na avaliação de que Lula é passado. Ocorre que o movimento positivo do país que nasceu com a nova Constituição e que teve nos governos Lula seu ponto mais alto, teve sua trajetória interrompida e o Brasil está passado por um grave retrocesso nos direitos, na cidadania, na democracia, na ciência e tecnologia, na soberania, na pluralidade, na convivência, na cultura etc..

Lula é o único líder, neste momento, capaz de interromper este retrocesso, pois as forças democráticas e progressistas estão desorganizadas e desorientadas. O país não vive nenhuma situação revolucionária. Pelo contrário, o memento é de resistência para impedir uma destruição maior. Este momento requer unidade das forças progressistas e capacidade de liderança e comando. O conteúdo que o movimento em defesa da candidatura Lula e de sua possível candidatura vierem a assumir dependerá do grau de unidade e de engajamento das esquerdas, dos democratas e progressistas nesses esforços. Trata-se de um conteúdo em disputa, que dependerá da força política o organizacional que os setores progressistas dispuserem para barganhar no programa  ser construído e nas políticas públicas que poderiam vir a ser implementadas. 

A fragmentação das forças progressistas as despotencializará, reduzindo o número de deputados, senadores e governadores eleitos. Dividir e fragmentar significa ser a esquerda que a direita quer. A unidade tem que ser com Lula ou sem Lula, se ele for impedido. Se o momento é de resistência e de recuperação terreno tomado pelo inimigo, trata-se de ser prudente, econômico nas expectativas e severo nas advertências, pois os riscos de novas derrotas são significativos. Lula terá que ter a  sabedoria e a humildade para conduzir essa unidade e o PT terá que deixar de lado o seu costumeiro exclusivismo, fazendo concessões justas ao seus aliados.

Mas tudo isto é possível? A resposta a esta pergunta é mais de dúvida do que de certeza. A esquerda é madrasta de sua própria desgraça. Lutar para afastar Temer, mobilizar para garantir a candidatura Lula e construir a unidade democrática e progressista são as três principais tarefas da conjuntura. Mas o que se vê nos partidos, movimentos e organizações sociais e de esquerda é mais confusão, dispersão, falta de unidade e de rumos.

A fragmentação que está se armando caso Lula não possa concorrer poderá produzir uma nova derrota devastadora: nenhum candidato progressista no segundo turno das eleições presidenciais. Este seria o preço a ser pago pela ausência de responsabilidade histórica e pela ambição inconsquente dos partidos e de potenciais candidatos do campo progressista.  A incapacidade de perceber o momento histórico-político do país faz com que partidos e grupos mirem os seus egoísmos particulares ao invés de olharem para o sofrimento do povo e suas necessidades.



Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP). 

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Nº 22.372 - "CAMILO ANUNCIA INSTALAÇÃO DO HUB DA AIR FRANCE EM FORTALEZA "


25/09/2017

CAMILO ANUNCIA INSTALAÇÃO DO HUB DA AIR FRANCE EM FORTALEZA


Do Brasil 247 - 25 DE SETEMBRO DE 2017 ÀS 10:40


O governador Camilo Santana anunciou há pouco, em transmissão ao vivo, na sua página oficial no Facebook, que Fortaleza foi escolhida para sediar o centro de conexões de voos (HUB) da Air France-KLM e Gol; "Grande notícia para o Estado do Ceará. Fortaleza foi escolhida para sediar o Hub da Air France/KLM/Gol. O anúncio foi feito há pouco, aqui em SP. Inicialmente serão cinco voos semanais diretos para Paris e Amsterdã. Ainda teremos o reforço de vários voos nacionais da Gol para atender a demanda de passageiros de outros estados que usarão nossa cidade como ponto de conexão para chegar à Europa", disse Santana; disputavam o investimento com Fortaleza, Recife e Salvador


Ceará 247 - O governador Camilo Santana anunciou há pouco, em transmissão ao vivo, na sua pagina oficial no Facebook, que Fortaleza foi escolhida para sediar o centro de conexões de voos (HUB) da Air France-KLM e Gol. O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa convocada pelas empresas, em São Paulo, para onde o governador viajou hoje cedo. Disputavam o investimento com Fortaleza, Recife e Salvador.

"Grande notícia para o Estado do Ceará. Fortaleza foi escolhida para sediar o Hub da Air France/KLM/Gol. O anúncio foi feito há pouco, aqui em SP. Inicialmente serão cinco voos semanais diretos para Paris e Amsterdã. Ainda teremos o reforço de vários voos nacionais da Gol para atender a demanda de passageiros de outros estados que usarão nossa cidade como ponto de conexão para chegar à Europa. Isso representa um incremento na nossa economia, com o fortalecimento do turismo, novas oportunidades de negócios e a geração de mais empregos. Uma grande conquista. Estou muito feliz e divido essa felicidade com cada cearense", postou o governador.

A coletiva de imprensa contou com a presença do diretor geral da Air France/KLM para o Brasil, Jean Marc Pouchol e do presidente da Gol, Paulo Kakinoff. No site da Air France já estão anunciados dois voos diretos Fortaleza-Paris, a partir de maio. "Partindo de Fortaleza para Paris, voo Air France operado por aeronave Airbus A340 da Joon, com partidas às Sextas e aos Domingos e capacidade de 278 assentos. Os horários dos voos serão divulgados posteriormente".

Leia, abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre o assunto:

Aeroporto de Fortaleza recebe centro de conexões da Air France, KLM e Gol

O Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, será o centro de conexões de voos no Nordeste das companhias Air France, KLM e Gol a partir de maio de 2018. O anúncio da instalação dos hubs das empresas aéreas foi feito hoje (25) em São Paulo.

As operações terão início com três voos da KLM para Amsterdã, na Holanda, e dois voos para Paris, na França, via Joon, empresa de baixo custo comandada pela Air France.

A Gol também deve reforçar voos para Recife, Salvador, Belém e Manaus, além de criar uma rota Fortaleza-Natal. A empresa é parceira estratégica da Air France-KLM.

Ao escolher Fortaleza para receber os hubs, o grupo formado pelas duas companhias internacionais considerou a proximidade da cidade com a Europa e também com capitais do Norte e do Nordeste. A concessão do aeroporto para a alemã Fraport, feita por meio de leilão realizado em março, também pesou na escolha.

No ano passado, a Câmara Municipal da cidade aprovou lei específica para conceder benefícios fiscais a empresas aéreas que instalassem hubs do aeroporto. Entre as medidas, estão isenção de Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) sobre os serviços relacionados à implantação e operação do centro de conexões e redução de 5% para 2% do tributo para serviços como manutenção de aeronaves, hospedagem das tripulações e venda de passagens aéreas e de pacotes turísticos.

Os voos para Amsterdã sairão às segundas, quintas e aos sábados. Já os voos para Paris serão realizados às sextas e aos domingos. Em média, as viagens terão duração de 9 horas e serão feitas em dois Airbus: o A340, com capacidade para 278 passageiros, fará a rota Paris-Fortaleza; o A330 levará os passageiros a Amsterdã e tem 268 assentos.

Atualmente, a Air France opera 34 voos semanais que partem de São Paulo e do Rio de Janeiro. Já a KLM tem 13 voos por semana partindo também dessas cidades.

A capital cearense também disputava o hub da Latam no Nordeste, mas a empresa adiou o anúncio em dois momentos e, em seguida, suspendeu o projeto. No início do ano, o grupo anunciou que retomaria os estudos sobre o centro de conexões.

O aeroporto de Fortaleza já opera oito voos internacionais, sendo três para a Europa: Lisboa, operado pela TAP; Frankfurt, via Condor; e Roma ou Milão, feito pela Meridiana (os destinos são alternados pela companhia).

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Nº 22.371 - "APÓS PRESSÃO, TEMER DECIDE REVOGAR DECRETO QUE EXTINGUIU RENCA"


25/09/2017

APÓS PRESSÃO, TEMER DECIDE REVOGAR DECRETO QUE EXTINGUIU RENCA


Do Brasil 247 - 25 DE SETEMBRO DE 2017 ÀS 16:20


Reuters


Diante da repercussão negativa e da pressão internacional, o governo de Michel Temer decidiu revogar o decreto que extinguia a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), área de aproximadamente 4 milhões de hectares na divisa do Sul e do Sudoeste do Amapá com o Noroeste do Pará; decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (26); a proposta do Ministério de Minas e Energia previa concessão para exploração mineral na área; notícia foi mal recebida por parte de ambientalistas e outros setores da sociedade, especialmente a artística; a modelo Gisele Bündchen foi uma das mais críticas sobre a decisão; no Rock in Rio, ela falou sobre a importância da conservação da Amazônia e cantou "Imagine", de John Lennon, ao lado de Ivete Sangalo. Ao longo do discurso, o público gritava "Fora, Temer"


247 - Diante da repercussão negativa e da pressão internacional, o governo de Michel Temer decidiu revogar o decreto que extinguia a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), área de aproximadamente 4 milhões de hectares na divisa do Sul e do Sudoeste do Amapá com o Noroeste do Pará.

Segundo o portal UOL, a decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (26). A extinção, proposta pelo Ministério de Minas e Energia em março, permitiria a concessão para exploração mineral. O argumento da pasta era de que a medida seria necessária para viabilizar o potencial da região e estimular o desenvolvimento econômico dos dois Estados. O governo também alegava que a regulamentação coibiria os garimpos ilegais existentes no local.

A notícia, no entanto, foi mal recebida por parte de ambientalistas e outros setores da sociedade, especialmente a artística; a modelo Gisele Bündchen foi uma das mais críticas sobre a decisão; no Rock in Rio, ela falou sobre a importância da conservação da Amazônia e cantou "Imagine", de John Lennon, ao lado de Ivete Sangalo. Ao longo do discurso, o público gritava "Fora, Temer".

Assista ao momento:


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Nº 22.370 - "Escândalo: super-rico não paga imposto no Brasil"

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25/09/2017


Escândalo: super-rico não paga imposto no Brasil


Em 2089, negro terá a mesma renda do branco, 200 anos depois do fim (sic) da Escravidão


Do Conversa Afiada - publicado 25/09/2017



Quando.jpg



Já se sabe que o Brasil é o país mais desigual do mundo.
Não é um escândalo?
E você, amigo navegante: vai ficar aí parado?
Do PiG cheiroso:
A classe média e os mais pobres no Brasil pagam, proporcionalmente, mais impostos que os super-ricos - aqueles que ganham mais que R$ 252 mil por mês, destaca relatório que será divulgado hoje pela ONG Oxfam Brasil. O estudo reforça o que já é consenso entre especialistas em pobreza a respeito do sistema tributário brasileiro: o país não reduzirá a desigualdade de renda enquanto os rendimentos do topo não forem mais tributados.

"O que esses dados mostram é que o 1% mais rico paga pouco imposto e é essa discussão que queremos fazer", diz a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia. O relatório indica que pessoas que ganhavam R$ 252 mil mensais em 2015, ou 320 salários mínimos, pagaram efetivamente em imposto alíquota similar à de quem ganhava R$ 3,9 mil mensais, ou cinco mínimos. "Existe a ideia de que todos pagamos muito imposto no Brasil, e é verdade. Mas quem está pagando essa conta é a classe média e as pessoas mais pobres", afirma.

(...)

O estudo destaca que pouco mais da metade (53%) da receita tributária do Brasil é formada por tributação do consumo, que incide sobre alimentação, medicamentos, vestuário, transporte, aluguel e, por isso, "onera de maneira injusta os mais pobres, que gastam a maior parte de sua renda nestes itens". O IR, mais justo na visão da entidade, é responsável por apenas 25% da arrecadação total.

Como consequência dessa distorção, aponta a Oxfam, os 10% mais pobres gastam 32% de sua renda em tributos (28% dos quais são indiretos, ou seja, sobre produtos e serviços). Por outro lado, os 10% mais ricos gastam apenas 21% de sua renda em tributos, sendo 10% em tributos indiretos.

(...)

"O imposto sobre herança, por exemplo, representa cerca de 0,6% da arrecadação nacional, valor baseado em alíquotas baixas e, por vezes, sequer aplicadas", cita o estudo. Em São Paulo, a alíquota do imposto sobre herança é de 4%. No Reino Unido, ela alcança 40%.

(...)

Mais grave ainda é a situação da população negra. Entre as pessoas que recebem até 1,5 salário mínimo, estão 67% dos negros brasileiros, em contraste com menos de 45% dos brancos. Cerca de 80% das pessoas negras ganham até dois mínimos. Considerando todas as rendas, brancos ganhavam, em média, o dobro do que ganhavam negros, em 2015: R$ 1.589, contra R$ 898. No ritmo atual, projeta a Oxfam, a equiparação da renda média com a dos brancos ocorrerá somente em 2089.

NAVALHA
Sobre esse mesmo escândalo, ler também no PiG cheiroso "fatia de 1% da população concenttra mais de 23% da renda do país":

"Poucas coisas são tão imutáveis no Brasil quanto o tamanho da grande fatia que os 1% mais ricos da população concentram da renda nacional, indica estudo do pesquisador Pedro Ferreira de Souza, doutor em Sociologia e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na área de desigualdade e pobreza, na sua tese de doutorado publicada no ano passado.

Nos anos 30, o grupo já abocanhava 24,3% da renda nacional; nos anos 70, continuavam a se apropriar de 24,6%. Pouco mudou no período de 2010-2015, quando a fração média recebida pelo 1% mais rico no Brasil continua em 23,2%. "As comparações corroboram que o Brasil é um dos países com maior concentração no topo", afirma Souza no trabalho "A desigualdade vista do topo: a concentração de renda entre os ricos no Brasil, 1926-2013", sua tese de doutorado publicada em 2016."

Nº 22.369 - "JESSÉ: A LAVA JATO AFUNDOU O BRASIL!"

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25/09/2017

JESSÉ: A LAVA JATO AFUNDOU O BRASIL!

"A Elite do atraso" não deixa o pobre estudar!


Do Conversa Afiada - 25/09/2017



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Nº 22.368 - "A concentração de renda no Brasil é obscena. Mas eles querem mais"

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25/09/2017

A concentração de renda no Brasil é obscena. Mas eles querem mais


Do Tijolaço · 25/09/2017


decis

por FERNANDO BRITO

Do El País, com base no estudo sobre distribuição de renda no Brasil, embora soe uma trágica ironia usar a palavra “distribuição”:
Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim) são as seis pessoas mais ricas do Brasil. Eles concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões). Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos, levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que revelou um estudo sobre desigualdade realizado pela Oxfam.
O levantamento também mostrou que os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95% da população. E que aqueles que recebem um salário mínimo (937 reais) por mês (cerca de 23% da população brasileira) teriam que trabalhar por 19 anos para obter a mesma renda que os chamados super ricos. Os dados também apontaram para a desigualdade de gênero e raça: mantida a tendência dos últimos 20 anos, mulheres ganharão o mesmo salário que homens em 2047, enquanto negros terão equiparação de renda com brancos somente em 2089.
 Traduzindo de maneira mais chocante: cinco milhões de brasileiros têm a mesma renda que 195 milhões. E nem para aí para a comparação: os 500 mil mais ricos, naquele grupo reúnem uma riqueza bem maior que 160 milhões de pessoas. Ou seja, cada um deles “vale” 320 brasileiros, ou oito ônibus lotados.
Ah, mas isso é tipico dos países mais pobres, como os da América Latina…É?
Neste ano, o Brasil despencou 19 posições no ranking de desigualdade social da ONU, figurando entre os 10 mais desiguais do mundo. Na América Latina, só fica atrás da Colômbia e de Honduras. Para alcançar o nível de desigualdade da Argentina, por exemplo, o Brasil levaria 31 anos. Onze anos para alcançar o México, 35 o Uruguai e três o Chile. 
Claro, se estes ficassem paradinhos do jeito em que estão…
Melhoramos, com as políticas de inclusão, claro, mas não há como distribuir a alguém sem tirar de outros. É a própria coordenadora a Oxfam, Kátia Maia que aforma:
“Na base da pirâmide houve inclusão nos últimos anos, mas a questão é o topo. Ampliar a base é importante, mas existe um limite. E se você não redistribui o que tem no topo, chega um momento em que não tem como ampliar a base”.
E isso, claro, implica mexer nos impostos e em suas estruturas. Você ouve o tempo todo que a carga tributária brasileira é elevadíssima (e, de fato, não é pequena) mas quase nunca sobre como ela é mal distribuída.

distriimpostos

Como você vê na ilustração, os 10% mais pobres pagam uma carga de impostos 50% mais alta que o décimo da população que tem renda mais alta.
Também não ouve falar que, desde o governo Fernando Henrique, que a isenção de imposto de renda sobre juros sobre capital próprio, rendas no exterior e lucros e dividendos que se embolsa das empresas é mais que o dobro te tudo o que se consome no Bolsa Família.
A íntegra do estudo da Oxfam está aqui, para quem quiser conferir e saber mais detalhes.
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sábado, 23 de setembro de 2017

Nº 22.367 - "Um meio eficiente de intervenção militar pelo telefone, por José Carlos de Assis"

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23/09/2017


Um meio eficiente de intervenção militar pelo telefone, por José Carlos de Assis



Jornal GGN  - SAB, 23/09/2017 - 09:45 ATUALIZADO EM 23/09/2017 - 10:00
Foto: Agência Brasil


por José Carlos de Assis


Amigos meus que estão sinceramente transtornados com os rumos da economia e da política começam a considerar a hipótese de apoiar uma intervenção militar. Eu tenho os mesmos pressupostos deles, já que passamos pela mais profunda crise de nossa história produzida pelo poder civil entreguista, mas acho que, em termos de valores essenciais, a liberdade é um direito inviolável que não pode ficar ao sabor do guarda da esquina numa ditadura – como advertiu Pedro Aleixo a Costa e Silva sobre o AI5!
Fala-se muito em democracia, mas democracia é uma estrutura de governo que pode se adaptar a diferentes situações políticas. Liberdade é diferente. É um valor absoluto. Se perdemos a liberdade poderemos até promover desenvolvimento, mas jamais construiremos uma nação solidária, assim como uma perspectiva de felicidade. E liberdade é a primeira vítima de uma intervenção militar, pela própria natureza dos expedientes ditatoriais para a tomada e conservação do poder.
Aos que alimentam a ilusão de que uma intervenção seria do “nosso” lado, ou que teria um colorido nacionalista, ou que favoreceria o desenvolvimento econômico , enfim, que seria virtuosa, notem dois fatos: primeiro, Castello Branco não tinha intenção de perpetuar-se no poder e suas intenções comedidas estão no fato de que o primeiro Ato Institucional não tinha número; segundo, Costa e Silva, um radical, praticamente tomou o poder de Castello e levaria o país ao AI-5.
O Governo Temer é o mais terrível desastre econômico e político que poderia acontecer ao Brasil em décadas. Seu projeto neoliberal de radicalização privatista, totalmente subserviente ao capital financeiro especulativo, é um desafio à Nação e uma agressão à cidadania. Sua eficácia em termos de ação de governo  se manifesta na compra quase pública da maioria do Congresso, que lhe garante a aprovação automática de todas as leis que impõe, da emenda do congelamento orçamentário à destruição da CLT.
Contudo, é preciso ter paciência. Melhor que uma potencial ditadura agora para bloquear as ações de Temer é estruturar a luta política, junto ao povo, pela democracia e pela liberdade na perspectiva das eleições de 2018. Nesse contexto, o fundamental não é a  eleição presidencial. É a eleição do Congresso. Se a maioria do Congresso, conhecido pela venda de votos e pela patifaria de alguns parlamentares, for reeleito, aí sim, estaremos perdidos, qualquer que seja o presidente a ser eleito.
O desafio  que se coloca às forças progressistas é, portanto, mobilizar meios eleitorais, qualquer que seja o esquema de financiamento oficial de campanhas a ser implantado, para  que a Nação consiga um Congresso ao menos  com maioria limpa em 2019. Com um grupo de intelectuais, professores, estudantes, sindicalistas e artistas, estamos preparando o lançamento na internet, na forma de conferência on line e em blog,  a “Aliança pelo Brasil.
Nossa idéia é manter um programa regular, com a forma de uma mesa de debate on line, assim como um blog específico, para debater os problemas econômicos e políticos brasileiros, colocando o foco na renovação do Congresso. Para isso, procuraremos construir os perfis dos parlamentares atuais, identificando sua atuação política e, em especial, seus atos de traição ao povo.
Mais importante que isso, entretanto, é a mobilização popular em torno da proposição do senador Roberto Requião, presidente da Frente em Defesa da Soberania Nacional, no sentido de convocação, no  momento que for oportuno, de um referendo revogatório das medidas antinacionais e anti-povo baixadas por Temer. Anularemos, por exemplo, a reforma trabalhista e o pacote de privatizações que está sendo proposto. E anularemos a estúpida emenda 95, de congelamento do orçamento público por 20 anos. A proposta de referendo revogatório será um dos principais eixos da campanha presidencial  em 2018.
Isso é melhor que uma intervenção militar. Mesmo porque ninguém garante qual lado vão escolher os militares. Os sinais são péssimos. Um deles quer acabar com a luta de classes. Por outro lado, não vi nenhuma declaração peremptória de general em defesa do interesse nacional concreto, ou seja, da soberania real – por exemplo, contra a privatização do setor elétrico. Também não vi protesto deles mesmo no campo estrito da defesa, defendendo a necessidade do submarino nuclear, por exemplo.
 Assim, em lugar de intervenção aberta, talvez fosse mais eficiente que algum general do Alto Comando pegasse o telefone e dissesse simplesmente a Temer: pare com suas ações entreguistas e fique quieto até o fim de 2018. Estou certo de que  ele meteria o rabo entre as pernas e, por covardia, mudaria o curso entreguista de seu Governo, sem ferir a liberdade!
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Nº 22.366 - "FLORESTAN FERNANDES AO 247: NA MÃO DOS BANCOS, MÍDIA APOIOU O GOLPE"


23/09/2017

FLORESTAN FERNANDES AO 247: NA MÃO DOS BANCOS, MÍDIA APOIOU O GOLPE



Brasil 247 - 18 DE SETEMBRO DE 2017 ÀS 07:41


Reprodução | Agência Brasil
Reprodução | Agência Brasil

Em entrevista à TV 247 o jornalista Florestan Fernandes Jr. é enfático quanto ao que aconteceu no Brasil há um ano: “Eu acho que o que aconteceu no Brasil foi um golpe mesmo. E um golpe que começou a ser armado talvez antes ainda da primeira eleição da Dilma”. “Havia um interesse violento dos bancos de tirar a Dilma e colocar alguém atrelado aos interesses deles”, explica. “O que surpreendeu muito foi a utilização da Justiça para se fazer esse trabalho que no passado foi feito pelos militares”, diz ele; Florestan também denuncia o nítido interesse internacional na tomada do pré-sal; confira a íntegra


Por Alex Solnik e Leonardo Attuch

Nessa entrevista à TV 247 o jornalista Florestan Fernandes Jr. é enfático quanto ao que aconteceu no Brasil há um ano: “Eu acho que o que aconteceu no Brasil foi um golpe mesmo. E um golpe que começou a ser armado talvez antes ainda da primeira eleição da Dilma”. “Havia um interesse violento dos bancos de tirar a Dilma e colocar alguém atrelado aos interesses deles”, explica. “O que surpreendeu muito foi a utilização da Justiça para se fazer esse trabalho que no passado foi feito pelos militares”, diz ele. Florestan questiona o fato de os bancos, apesar de terem sido historicamente os maiores doadores em campanhas eleitorais não serem denunciados na mídia: “Eu tenho a impressão, quase uma convicção que a maioria da imprensa brasileira está na mão dos bancos”. Repórter da Globo durante a campanha das Diretas Já conta como o governo ditatorial pressionou as emissoras de televisão a ignorarem o primeiro comício do movimento: “No dia do comício chegou um fax da Presidência da República dizendo para os donos das emissoras que quem colocasse no ar as imagens e falasse que estava havendo uma manifestação contra a ditadura e pela democracia iria perder a concessão”. A Bandeirantes não obedeceu. “João Saad, dono da emissora foi chamado a Brasília. O general Figueiredo teria dito a ele: “lembra aquela concessão que o senhor me pediu de uma emissora aqui em Brasília?” “Lembro, presidente”. “Pois é, tá aqui a concessão... olha o que eu faço com ela”... e rasgou o papel na frente dele”.  Ele não tem dúvida de que o golpe teve apoio externo: “O Brasil começa a ser vigiado e começa a haver uma ação da CIA quando o Brasil anuncia a descoberta do pré-sal. Quatro laptops com informações importantes sobre a descoberta foram roubados”. Leia abaixo trechos da entrevista e assista na íntegra.

LEONARDO ATTUCH: No seu facebook que atinge mais de 40 mil pessoas você tem colocado posições muito claras acerca do momento político brasileiro. Na verdade, sobre o golpe. Porque é que você tem sido tão transparente e chama o que aconteceu no Brasil de golpe de forma tão explícita?

FLORESTAN FERNANDES JR.: Porque eu acho que o que aconteceu no Brasil foi um golpe mesmo. E um golpe que começou a ser armado talvez antes ainda da primeira eleição da Dilma. Durante todo o governo Lula a mídia o trata de maneira dura, depois, no governo Dilma também foi uma coisa quase que sistemática. O que surpreendeu muito foi a utilização da Justiça pra se fazer esse trabalho que no passado foi feito pelos militares. Isso ocorreu nos anos 50 com Getúlio Vargas que teve que dar um tiro no coração, porque o processo era igualzinho, com denúncias de corrupção, de enriquecimento ilícito...

ALEX SOLNIK: E nem tinha a Globo na época...

FLORESTAN: Tinha. Tinha o jornal “O Globo”...

ALEX: Que não tinha a força da TV.

FLORESTAN: Mas a mídia já era uma só voz... o discurso era único...

ALEX: Fora a “Última Hora”, é claro...

LEONARDO: O importante é o seguinte: a mídia já atua politicamente no Brasil há muito tempo, você mesmo citou o caso do Getúlio que teve contra ele o jornal do Carlos Lacerda...

FLORESTAN: “O Globo”, a “Folha”, o “Estadão”...

LEONARDO: Mas um engajamento da imprensa que houve contra Dilma você já viu igual?

FLORESTAN: Não.  

LEONARDO: De você ter convocações pra manifestações?

FLORESTAN: Não. Eu estava na Globo quando começou o movimento pelas Diretas Já. Havia a posição de se fazer a cobertura da primeira grande manifestação pelas Diretas Já a 25 de janeiro de 1985. De repente houve uma ordem para a gente voltar para a redação. E no lugar dos repórteres entrou uma narração em off com as imagens do comício dizendo que estava sendo comemorado o aniversário da cidade.

LEONARDO: Foi um dos grandes vexames da história da Globo.

FLORESTAN: Foi.

LEONARDO: Você pode contar os bastidores disso?

FLORESTAN: No dia do comício chegou um fax da Presidência da República dizendo para os donos das emissoras que quem colocasse no ar as imagens e falasse que estava havendo uma manifestação contra a ditadura e pela democracia iria perder a concessão.

LEONARDO: Ou seja, jogo pesado.

FLORESTAN: Jogo pesado.

LEONARDO: Era o Figueiredo?

FLORESTAN: Era o Figueiredo. Aí, a Globo que era a primeira entrar no ar com o Jornal Nacional recuou. Mas, pelo que eu soube, o dr. João Saad, dono da Bandeirantes reuniu Joelmir Beting, a diretora de Jornalismo levou na sala dele e falou: “olha, eu recebi esse fax, é uma ameaça, mas não tem sentido eu ter uma emissora de televisão e não dar uma notícia como essa. Então, eu quero dar a notícia, mas quero que façam de uma maneira muito delicada, sem provocações, só registrando que está ocorrendo isso”. A Band entrou com as imagens dizendo que estava havendo um comício pelas Diretas Já bem na hora em que estavam cantando o Hino Nacional. O Jornal da Manchete, que vinha na sequência da Band falou: vou dar também. Só a Globo não deu. Dias depois, o dr. João Saad foi chamado a Brasília por Figueiredo. Figueiredo teria dito a ele: “lembra aquela concessão que o senhor me pediu de uma emissora aqui em Brasília?” “Lembro, presidente”. “Pois é, tá aqui a concessão... olha o que eu faço com ela”... e rasgou o papel na frente dele.

LEONARDO: Bem, as emissoras de TV apoiaram o golpe e a crise não acabou. Quem apostou nesse golpe saiu perdendo?

FLORESTAN: Eu tenho a impressão, quase uma convicção que a maioria da imprensa brasileira está na mão dos bancos.

LEONARDO: Toda pendurada?

FLORESTAN: Toda pendurada...havia um interesse violento dos bancos de tirar a Dilma e colocar alguém atrelado aos interesses deles. Um assunto que devemos tratar aqui é o da dívida pública brasileira que em grande parte é invenção dos bancos...

LEONARDO: O jogo, então foi muito mais pesado que uma disputa por verbas publicitárias?

FLORESTAN: Eu acho que sim. Você vê que o Moro faz uma investigação e nenhum nome de banco aparece. Os grandes financiadores das campanhas eleitorais são os bancos.

ALEX: O Moro acabou com aquela CPI do Banestado...quando envolve banco, engaveta.

LEONARDO: Já que você falou da Operação Lava Jato você tem feito posts sobre o tema, e fez um recente, que repercutiu muito, a gente até publicou no 247, que dizia respeito à participação internacional no golpe, especialmente o apoio dos Estados Unidos para destruírem setores estratégicos da economia brasileira. Aí estamos falando de engenharia...o próprio setor de proteína animal...você acha que houve mesmo uma ação de fora pra dentro?

FLORESTAN: Eu acho que houve. Eu tenho certeza que aconteceu isso. Eles não fizeram sozinhos. Contaram com a colaboração, como sempre, dos bancos e da grande mídia brasileira. Todos unidos num objetivo que é vender o país e ganhar dinheiro nesses leilões que vão ocorrer aqui com as grandes empresas. O Brasil começa a ser vigiado e começa a haver uma ação da CIA quando o Brasil anuncia a descoberta do pré-sal. Quatro laptops com informações importantes sobre a descoberta e dois HDs foram roubados na casa de engenheiros da Petrobrás em 2008. Em 2007 o Brasil descobre o pré-sal. Na época, um dos engenheiros disse ao G1: as informações que foram roubadas valem ao menos 2 bilhões de dólares. Ele falou: “eu não tenho dúvida nenhuma que o governo vai sofrer pressão para entregar essas reservas para as grandes empresas petrolíferas que atuam principalmente nos Estados Unidos”. Está lá no G1. Uma matéria enorme!

LEONARDO: Ou seja, a grande motivação do golpe foi a entrega do pré-sal. Lembrando que, no mês de outubro, se o Temer ainda estiver no poder pretende realizar os leilões de áreas de exploração nas quais a Petrobrás teria a preferência para atuar nos campos do pré-sal, mas como diz o Pedro Parente “talvez não seja o caso... os campos não são tão bons”, a Petrobrás vai abrir mão da preferência para a Shell, a Exxon, etc. Quer dizer, o objetivo vai se consumar se nada for feito.

FLORESTAN: Isso aí já está na agenda do governo. Além da entrega do petróleo eles acabaram com a indústria de plataformas. O Brasil estava produzindo aqui as plataformas de exploração de petróleo. Com a Lava Jato essas companhias faliram, fecharam, as fábricas de aparelhos de perfuração também fecharam e o Brasil hoje está importando plataformas da China. Os estaleiros fecharam. As empreiteiras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa estavam fazendo obras na África, na China, Irã, Síria...as obras pararam. Em São Paulo o monotrilho está parado até hoje porque era de uma dessas empreiteiras.

LEONARDO: Da OAS, se não me engano. Mas, Florestan, ontem vazou mais um trecho da delação do Lúcio Funaro em que ele diz que Temer e Cunha conspiraram dia e noite pelo golpe e que ele mesmo comprou deputados para votarem a favor. A operação na Câmara foi paga. Você acha que isso abre perspectiva a anulação do impeachment?

FLORESTAN: Eu não acredito nisso mais. Eu acho que seria melhor para o Brasil se isso acontecesse, mas não acredito       que isso vá acontecer. E para aqueles que dizem não foi golpe basta dizer o seguinte: houve dois candidatos que usaram as mesmas armas, usaram dinheiro de caixa 2 em suas campanhas através de recursos de empreiteiras, bancos, enfim e todo mundo sabe muito bem como funcionava a eleição no Brasil. Uma pessoa ganhou a eleição. E ganhou com 5 milhões a mais de votos. A eleição tinha que ser respeitada. Teria que esperar o fim do mandato dela. Eles não queriam só antecipar a eleição, eles queriam tirar a possibilidade de a centro-esquerda com uma proposta social permanecer no poder. Eu trabalhei numa rádio no ano 200. A rádio ficava na Paulista. Um dia, o dono da rádio entrou no intervalo, dentro do estúdio falou assim: “no próximo bloco eu quero que você acabe com essa mulher”! “Essa vagabunda”! Começou a xingar. “Porque ela ficou de colocar um dinheiro aqui e não colocou”. O produtor pegou o telefone, ligou pro repórter: “Fulano, você está aonde”? “Tô aqui na Paulista”. “Como é que tá o ponto de ônibus aí”? “Tá meio cheio”. “Então, faz o seguinte, você vai entrar, vai entrevistar as pessoas para elas falarem mal do ônibus... que o ônibus não passa... que o serviço é ruim... que essa prefeitura não está fazendo nada em relação ao transporte”. E aí o sujeito fez as entrevistas. “Você fica muito tempo esperando o ônibus”? “Fico”. E por aí afora.

ALEX: Era a Marta?

FLORESTAN: Era a Marta Suplicy.

Assista à entrevista na íntegra.