domingo, 26 de fevereiro de 2017

Nº 20.986 - "Colunistas vão descartando Temer. É sinal que a classe média desembarca…"


26/02/2017

Colunistas vão descartando Temer. É sinal que a classe média desembarca…


Do Tijolaço · 26/02/2017



sunshinearoeira 


Fernando Brito


Ricardo Noblat, que chamava Michel Temer até de “bonito”, escreve que seu governo subiu no telhado.

Josias de Souza os classifica agora com palavras que só destinava a Lula e Dilma: “A cúpula do governo vira chorume junto com a fina flor do PMDB. E Temer encontra-se perigosamente próximo do lixão para o qual a Lava Jato arrasta personagens como Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão, José Sarney, Jader Barbalho…”

Mesmos os mais fiéis – Merval Pereira, Cantanhêde, entre outros – que  ainda livram o presidente, “detonam” Padilha e pedem sua cabeça, o que é cortar as pernas de Temer.

Embora seu alinhamento seja o patronal, todos eles interpretam em algo o pensamento da classe média moralista – embora todos eles convivam com práticas totalmente imorais do ponto de vista da democracia, a de manipulação política.

Ela está espremida entre o antipetismo que desenvolveu e o bolsonarismo que viu brotar de sua mobilização. Marina e Aécio foram engolidos por essa radicalização, percebe-se.

O único que se resguarda, entre os tucanos, de mergulhar na promiscuidade com temer, é Geraldo Alckmin.

As próximas pesquisas mostrarão o crescimento de Lula e, do outro lado, o de Bolsonaro, embora ainda num patamar de inviabilidade. E, com isso, se acenderão mais luzes de alerta.

Mais ainda porque o país já não suporta mais viver mergulhado na crise e no medo.

Paulatinamente, estes fatores vai sendo o de maior influência na tendência de definição do voto.

Mostrar que pode ser o centro, o equilíbrio e que pode representar o fim da crise.

É uma tolice, própria de uma esquerda descolada da realidade popular – o fato de ser composta de gente boa e bem intencionada é irrelevante  politicamente – achar que Lula deve apresentar-se como o candidato do “contra”, seja o contra Temer, Aécio, Bolsonaro ou Marina Silva.

Não é preciso dizer, como na expressão francesa “ça vas sans dire”: Lula tem um significado seu, aquilo que o velho Leonel Brizola chamava de “luz própria” e, a esta altura, é um gigante cercado de anões.

Para o desespero dos pretensiosos, o quadro que se vai desenhando é o do “bota o retrato do velho, outra vez/bota no mesmo lugar”.

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Nº 20.985 - "Lula vem aí – e isso é muito bom"


26/02/2017


Lula vem aí – e isso é muito bom



Brasil 247 - 26 de Fevereiro de 2017




Paulo Moreira Leite


No Brasil que transformou o Carnaval de 2017 num protesto inesquecível contra Michel Temer, o esforço para construir a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva ganhará novo fôlego após a Quarta-Feira de Cinzas.

Estimulado por personalidades ligadas à resistência democrática, a começar por Chico Buarque e Leonardo Boff, em conversas reservadas ocorridas nos últimos dias, Lula tem deixado claro que está inteiramente convencido de que deve assumir de uma vez por todas a candidatura a presidente da República na sucessão de Michel Temer.

Quando os interlocutores perguntam se estaria disposto a voltar à presidência do Partido dos Trabalhadores, que em 2017 enfrenta a mais grave crise em quase 40 anos de  história, a resposta de Lula tem sido um não categórico. Ele deixa claro que compreende a necessidade de  ocupar cargos na direção do partido e participar dos debates essenciais que irão ocorrer antes e depois do próximo Congresso, a realizar-se em junho.

Mas, com a autoridade de quem lidera todas as pesquisas eleitorais, em função do reconhecimento popular pelas políticas econômicas favoráveis ao crescimento e distribuição de renda associadas a seu governo, o compromisso é concentrar-se na candidatura presidencial e discutir propostas que possam ajudar o Brasil a vencer a pavorosa crise -- econômica, social, política -- em que se encontra. A ideia central, aqui, é debater com urgência propostas de crescimento, visto como eixo que deve centralizar as preocupações com os destinos -- próximos e remotos -- dos brasileiros.

Dias atrás, a economista Laura Tavares levou a Lula dados sobre a Previdência que confirmam uma verdade fundamental no debate político fundamental dos próximos meses, tanto no Congresso como nos sindicatos e na casa de cada família de trabalhadores. Os números mostram que a saúde financeira de nosso sistema público de aposentadorias não envolve uma discussão no vazio de especialistas e consultores alinhados,  mas alimenta-se de um componente essencial -- o comportamento da economia. Assim, nos anos de crescimento e ampliação do emprego com carteira assinada, a Previdência ganhou uma contabilidade saudável e até produziu receitas superiores a seus gastos. Já nos períodos de recessão, perda de empregos e isenções de contribuições, tragédia acentuada com o desemprego recorde após  o golpe, ocorreu aquilo que até uma criança poderia imaginar -- os números se tornaram negativos. A ideia é deixar claro que essa realidade não constitui nenhuma surpresa mas permite reafirmar uma noção que Lula estabeleceu durante em seus oito anos de mandato: um  país como o Brasil não tem alternativa além de crescer, crescer  ou crescer.

No ambiente de dúvidas imensas que alimentam a conjuntura política de 2017, que envolvem inclusive a  capacidade de sobrevivência de Michel Temer até 2018, o debate sobre o lançamento da candidatura Lula se apoia numa visão sobre o golpe parlamentar partilhada por dirigentes e quadros experimentados do PT e dos movimentos sociais que têm participado de muitas conversas.

A análise é que a partir de maio de 2016, quando a Câmara aprovou o afastamento de Dilma, entrou em movimento um golpe que não se reduz a um lance único, mas deve ser compreendido como uma sequencia de operações destinadas a construir um estado de exceção.   Desse ponto de vista, toda avaliação sobre o papel político de Lula na conjuntura só pode ser compreendido em acordo com a visão das partes interessadas.

Para os aliados de Temer e demais beneficiários do golpe, não apenas no universo político, mas também na República de Curitiba, Lula é o principal entrave para a consolidação do novo estado de coisas. Numa comparação que este blogueiro já explicitou em artigos anteriores neste espaço, em 2017  Lula tornou-se um personagem que,  a exemplo de Juscelino Kubitschek em 1964, encontra-se no ponto de encruzilhada do momento político.

Caso Lula seja removido de cena à força -- como ocorreu com JK, cassado dois meses depois da queda de Goulart -- a evolução política irá avançar  em direção ao enfraquecimento ainda maior da resistência democrática ao mais radical projeto conservador em curso no país desde o fim da República Velha, em 1930.  Caso tenha seus direitos políticos preservados, e, como candidato,  possa fazer o debate sobre os rumos do país, expressando uma visão legítima, apoiada por uma parcela respeitável da população -- a mesma que assegurou  quatro vitórias consecutivas em eleições presidenciais, feito raro em qualquer democracia moderna -- a evolução será em outra direção.

Não é preciso confundir as coisas. O que se trata, como prioridade, é impedir um veto a sua candidatura -- no estilo que, em 1955, os adversários quiseram impor a JK, alvo de sucessivas maquinações antes, durante e depois de uma vitória clara nas urnas. Caso uma eventual candidatura de Lula não seja vitoriosa nas urnas, hipótese prevista em toda disputa eleitoral digna desse nome, a preservação de seus direitos políticos representa a continuidade da democracia nascida com a carta de 1988, que criou o mais amplo regime de liberdades desde a Independência, que  assegurar o respeito absoluto a liberdade de expressão e de opinião.

Essa convicção -- de que um veto a Lula é absolutamente inaceitável -- contribui para o desgaste de Ciro Gomes junto a diversos interlocutores do presidente. Sem deixar de reconhecer o comportamento leal que Ciro demonstrou em vários momentos, inclusive na AP 470, eles avaliam que Ciro só  conforta os adversários do campo político à esquerda quando diz que a candidatura de Lula é um "desserviço" ao pais.

Para começar, é uma postura que não o aproxima de eleitores do PT, que, obviamente não acham que a candidatura Lula faz mal ao Brasil. Outro problema é que não consegue dar ao próprio Ciro com um traço essencial a toda liderança política, em particular numa situação de beira de abismo -- a capacidade de colocar-se acima de projetos pessoais.

Um dado animador para a campanha de Lula reside na temperatura política interna do PT. Guardiã da memória do partido e sua principal fonte de energia nas horas difíceis da luta política, a militância tem ensaiado um movimento rumo às próprias raízes, a partir de um balanço crítico do golpe e dos erros cometidos no governo e no Congresso. Uma amostra desse novo momento tornou-se visível quando a bancada de deputados foi forçada a renunciar a uma aliança com Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, sendo levada a apoiar uma candidatura de oposição a Temer. Não se trata de um gesto isolado, mas de uma nova melodia, que contraria a postura que se verificava em tempos recentes.

O preço cobrado por 13 anos consecutivos de governo federal, somados ao impressionante conjunto de prefeituras conquistadas e acumuladas, foi um esvaziamento do partido, que perdeu quadros e dirigentes para as funções de Estado. O PT também perdeu autoridade nas discussões políticas, em grande parte monopolizadas por quem se ocupava das funções de governo -- ou assumia funções parlamentares.  O golpe contra Dilma, somado ao massacre municipal, modificou essa situação e abriu a necessidade do partido se revalorizar, tornando-se um centro real de discussão e tomada de decisão, o que só irá reforçar sua importância política. O debate sobre a nova direção, tema principal do Congresso, ganha uma importância particular em função disso.


Paulo Moreira Leite. Jornalista, escritor e diretor do 247 em Brasília
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Nº 20.984 - "Por que Doria não tira Lula da mente e da boca. Por Kiko Nogueira"


26/02/2017


Por que Doria não tira Lula da mente e da boca. Por Kiko Nogueira



Diário do Centro do Mundo - Postado em 26 Feb 2017



por : Kiko Nogueira


O destempero e a falta de inteligência emocional na reação de Doria diante da hostilidade de foliões em Pinheiros tinha um elemento barbudo a mais.

A alturas tantas, no final de seu tour desastroso, um rapaz o xingou. Estavam perto do bar Pirajá, na Rua Pedroso de Morais. Doria ficou irritado. Enquanto entrava no carro, visivelmente transtornado, fez menção de partir para a briga.

E então chamou o outro de “Lula”. Antes de um vexame maior, os assessores o colocaram no veículo e todos partiram rumo ao desconhecido.

Doria tem uma fixação com Lula que é parte estratégia, parte patologia.

Ele se utilizou à larga do antipetismo e do antilulismo para se eleger em São Paulo. Em abril do ano passado, falou em entrevistas que Lula deveria participar da campanha “antes de ser preso”.

Em outubro, bravateou que gostaria de “visitar Lula em Curitiba”, quando lhe levaria chocolates e “um cisne”.

Em janeiro, já na prefeitura, com uma mudinha de árvore na mão, fantasiado de jardineiro, sua equipe de filmagem atrás, afirmou: “Vou dedicar o plantio dessa muda ao Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, o maior cara de pau do Brasil. Presente para você, Lula.”

Voltou à carga na semana passada, enquanto fingia varrer a Faria Lima. Já virou uma marca registrada.

A diferença entre o veneno e o remédio é a dose.

Doria não sabe parar. Sua claque é paga para gostar de suas performances. Fora desse círculo, ninguém aguenta um palhaço fazendo sempre o mesmo número.

No Sambódromo, ouviu o coro “vai tomar no cu”.

Até o coxinha começa a se perguntar se seu prefeito não tem nada melhor a responder ou por que recorre tanto ao nome do inimigo. Um menino mimado que, ao invés de “feio, bobo e chato”, pronuncia “Lula” quando não tem saída numa discussão.

É, igualmente, uma bandeira que não consegue esconder. Dá uma medida do espaço que Lula ocupa em sua vida. Fica mais constrangedor quando lembramos que não há contrapartida — Lula nunca cita Doria.

Em entrevista à BBC Brasil, o guru de JD, Robert Greene, ofereceu-lhe uns conselhos. Sugeriu que ele “entregue mais. Se fantasie menos e entregue mais. Precisa se comprometer e ser muito prático – e não viciar na atenção que você acaba tendo ao dizer coisas ousadas”.

As cacetadas em Lula são tão farsescas quanto o guarda roupa do “gestor”. Em ambos os casos, o prazo de validade já venceu. Resta ao sujeito trabalhar. E aí é que são elas.

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Nº 20.983 - "A bolinha de papel diplomática. Por Wadih Damous(*)"

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26/02/2017

A bolinha de papel diplomática. Por Wadih Damous(*)



Do Tijolaço  · 26/02/2017 por Fernando Brito


SERRAOAS


Do  Blog do Marcelo Auler:

Wadih Damous


Wadih DamousFaz parte do consenso civilizatório o respeito ao sofrimento alheio. Ainda que a turba raivosa, que tomou conta das ruas, vomitou indignação e exigiu a deposição da Presidenta Dilma Rousseff, não tenha seguido essa regra e as redes sociais tenham virado parques de diversões de ensandecidos a desancarem sobre o luto de Lula, devemos nos compadecer da suposta indisposição de José Serra, que, pelo que contam as colunas entendidas da imprensa comercial, fartou-se de ser chanceler.

Nos últimos tempos, o semblante desolado de Serra evocou o clima de fim de campanha eleitoral com perspectiva de derrota. Não há como não o associar ao episódio da bolinha de papel jogada em sua testa na caminhada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010. Depois de receber instruções pelo celular, simulou ter sido atingido por uma pedra e tentou inflar o episódio para posar de vítima de um atentado. Até um neurologista entrou em cena, para atestar a gravidade da lesão. E, ao final, peritos deram o veredicto: fora só uma bolinha de papel! A montanha parira um camundongo.

Pois é, lembram-se da advertência dos pais aos filhos, para deixarem de mentir ou de pedir socorro quando dele não carecem? Se faltarem uma vez com a verdade, perderão credibilidade e talvez não sejam socorridos em apuros.

É o caso de José Serra. Pode até estar doente, coitado. Não devemos brincar com isso. Afora desumana, nada se ganha com essa atitude. Mas, que fica uma pulga, melhor, uma cigarra atrás da orelha, ah, isso não tem como evitar.

Serra nomeado ministro de Temer, José Serra é o típico ator desse “coiso” que costumam chamar de governo. Um governo só de fato, porque, além de seu chefete não ter sido eleito para ser presidente, age em desacordo com o programa da chapa vitoriosa da qual participou e, em sádica afronta aos eleitores, faz de tudo que lhes possa causar repugnância.

José Serra é um puxa-saco do Tio Sam e não consegue nem um pouquinho de atenção da equipe de Trump. Se esmerou tanto para receber sua atenção (depois de apostar suas fichas na candidata adversária, Hillary Clinton), que deu de graça um pedaço do território nacional, a base de lançamento espacial de Alcântara, onde os ianques terão uma alternativa para Guantánamo, caso queiram prender supostos terroristas fora do território americano. Em tempos de suruba nas instituições públicas, talvez imaginasse que Alcântara funcionasse como uma espécie de unguento KY, para facilitar as coisas…

Em nove meses à frente da Secretaria de Estado, sua política para a América Latina foi um desastre. Não sobrou pedra sobre pedra da liderança regional do Brasil. O condutor da diplomacia brasileira preferiu portar-se como um “rowdy”, um menino brigão, hostilizando vizinhos por conta de suas opções políticas.

Desfazendo alianças estratégicas tão custosamente montadas nos treze anos de governos democráticos, fez do Brasil um anão na política global. Não teve planos para os BRICS e calou um projeto promissor de aliança sustentável e contra-hegemônica.

Nada soube fazer com o comércio exterior, nova área temática da sua pasta. À cata de mercados para escoar seu trigo, a Rússia oferece menos da metade do preço praticado pelos americanos, nosso maior fornecedor. Em contrapartida, dispõe-se a importar lotes enormes de carne brasileira. O MRE de Serra deixou as autoridades russas a ver navios. Nessa semana, elas fecharam negócio com o México.

Em regiões conflituadas como o Oriente Médio, o Brasil da “política externa ativa e altiva” (Celso Amorim) faz hoje o papel de espectador desinteressado, apesar de ostentar na sua composição demográfica a maior diáspora árabe do mundo. Vários países da região estão dispostos a aumentar seu volume de negócios com o Brasil. Necessitam urgentemente de acordos de bitributação, para facilitar o fluxo de capitais. Mas o MRE de Serra não deu um passo.

Serra preferiu falar grosso com os amigos tradicionais. Perdeu os ativos conquistados nos anos anteriores sem agregar nada de novo. É um triste balanço. Dessa vez, a farsa da bolinha de papel esconde a profunda incompetência e inoperância de José Serra, travestidas de inapetência. Nesse cenário, é bom que se vá. Seria bom que levasse o “coiso” junto! O Brasil só tem a ganhar ou, melhor, a perder menos do que já perdeu.


(*) Wadih Damous é advogado, Deputado Federal (PT-RJ), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro.

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Nº 20.982 - "O ominoso Serraglio"

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26/02/2017

O ominoso Serraglio


Pequena digressão sobre a suruba
  


Do Conversa Afiada - publicado 26/02/2017


Suruba Federal.jpg


Conversa Afiada reproduz artigo de Epaminondas Demócrito d'Ávila:

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"Transformaram o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro."
(Cazuza, lembrado por Jessé Souza na 
epígrafe de A radiografia do golpe)

Ao nomear o ínclito Osmar Serraglio para o Ministério da Justiça, o sultão Michel Temer instalou um serralho no primeiro escalão do governo federal. Deu mais um passo na direção do aprimoramento das instituições. Das suas, bem entendido.

"Serraglio", em italiano, significa "serralho". O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do qual citamos o que interessa aqui, define:

"1 palácio do imperador, dos príncipes ou dos dignatários do Estado otomano maometano"

"2 espaço desse palácio destinado às mulheres desses personagens; harém"

[...]

"5 fig. local, casa etc., destinado à prostituição; lupanar, prostíbulo"

Nomen est omen, diz um antigo ditado latino, que não cito em homenagem ao bacharéu (bacharel & tabaréu, jamais réu), autor do decantado livro de poemas Anônima intimidade (2013), reformador do tombado Palácio da Alvorada, mas em virtude da insuperável brevidade latina: "(Este) nome é um presságio".

O novo Ministro da Justiça de ominoso nome já disse em abril: "Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado." Enunciada com singeleza acessível a uma criança, a afirmação não só revela o ideário político de Osmar Serraglio, mas também o alcance da sua compreensão do e do seu apreço pelo Direito. Peculiares ambos. Serraglio foi orientado por Michel Temer durante o mestrado em Direito na década de 1980. O fruto não caiu longe da árvore.

Esmael Morais lembrou ontem que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) tornou-se "o principal marqueteiro informal do governo Michel Temer" e "desenvolveu uma nova logomarca: 'Suruba federal'. Na nova marca do governo vem a seguinte inscrição: 'Quem manda nessa porra?' 'Porra' e 'suruba' são jargões do cotidiano de Jucá."

Na última edição de TV Afiada, "A quadrilha no governo e a dos cúmplices", Paulo Henrique Amorim expõe sistemática e didaticamente o acasalamento das duas mencionadas quadrilhas e do Congresso Nacional que as transcende, na suruba. Seu objetivo: "ferrar o povo brasileiro".

Eugênio de Aragão tem biografia e idéias.

Alexandre de Moraes ostenta plágios no currículo.

E quais são as credenciais de Osmar Serraglio, cujo sobrenome também é um presságio?

Leia, amigo navegante, o  artigo de Leonardo Miazzo. Qualquer semelhança com um prontuário é mera coincidência.

Em 16 de julho de 1782 Mozart estreou em Viena "O rapto do serralho", um Singspiel, termo que designa um gênero de teatro musicado muito comum nos países de língua alemã nos sécs. XVIII e XIX.

Onde acomodar o novo Ministro da Justiça na reencenação da genial partitura de Mozart?

Só podemos imaginá-lo como Osmin, o rude guardião do serralho. No terceiro e último ato, depois de descobrir a trama do rapto e prender os fugitivos, a jovem Konstanze e seu amado Belmonte, Osmin canta a famosa ária "Ha! wie will ich triumphieren, wenn sie euch zum Richtplatz führen und die Hälse schnüren zu", na qual antegoza a execução de ambos. Em tradução livre: "Ah, como não hei de triunfar, quando sereis levados ao cadafalso e garroteados." E continua, sempre em tradução livre do pitoresco e sugestivo texto original: "Hei de saltar, rir, pular e entoar um cântico de júbilo, pois agora não mais pertubareis a minha paz." Mais ainda: "Esgueirai-vos em silêncio, malditos ratos do harém, mas nosso ouvido haverá de descobri-los, e antes de escapardes, caireis nas nossas armadilhas e recebereis a vossa recompensa!"

Não é difícil imaginar o júbilo de Osmar Serraglio, se o seu projeto de alteração da demarcação das terras indígenas for aprovado, se os índios, os aposentados, a população em geral, os "malditos ratos do harém", forem definitivamente ferrados. Mas as semelhanças terminam aqui mesmo. Serraglio poderá até ser o guardião do serralho, no qual tentam transformar o Brasil. Poderá orquestrar juridicamente a suruba. Mas nunca poderá assumir o papel de Osmin, que exige um basso buffo, um baixo bufo. Sua voz é demasiado débil, nada cavernosa; seu físico não assegura a necessária presença no palco. Serraglio será o guarda-livros do serralho, o amanuense solícito, e tal personagem não foi previsto no libreto de Gottlieb Stephanie Junior, que inspirou Mozart na composição de KV 384. Mozart talvez emudecesse diante de Serraglio.

O ícone da suruba, multicredenciado para as tarefas, digamos, mais operacionais, é Alexandre Frota. Se o novo ministro desdenhar dele como Chefe de Gabinete, sempre poderá empregá-lo na portaria.

A inteligência e graça de Mozart nunca farão coro com a vulgaridade dos trombadinhas de Brasília e seus seguidores Brasil afora.

Ultra aequinoctialem nil peccari - Não há pecado ao sul do equador, eis a máxima dos primeiros séculos da colonização, citada pelo cronista holandês Gaspar Barléu em 1647.

Séculos a fio, tudo foi permitido além do equador. Agora tudo volta a ser permitido.

A mais recente equação do novo velho Brasil, que me coube demonstrar, é mesmo:

SERRAGLIO = SURUBA
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Nº 20.981 - "HOSPITAIS PRIVADOS DÃO PRÊMIO A MÉDICOS QUE PEDIREM MAIS EXAMES E INTERNAÇÕES"

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26/02/2017


HOSPITAIS PRIVADOS DÃO PRÊMIO A MÉDICOS QUE PEDIREM MAIS EXAMES E INTERNAÇÕES



Brasil 247 - 26 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 10:16


 

Hospitais privados do país dão prêmios e benefícios a médicos pelo volume de exames, cirurgias, internações e outros métodos; prática faz com que, muitas vezes, procedimentos desnecessários são realizados expondo pacientes a riscos e onerando planos de saúde; médico que soma mais pontos consegue mais reputação dentro do hospital e privilégios como presentes, descontos em exames para ele e seus familiares e prioridade no uso do centro cirúrgico; “O médico do pronto-atendimento que interna mais ganha mais pontos”, conta um médico do Rio de Janeiro; “Tem um médico que segura paciente internado sem necessidade só para gerar mais diária hospitalar”, relata um outro de São Paulo


Da Revista Fórum - Hospitais privados do país dão prêmios e benefícios a médicos pelo volume de exames, cirurgias, internações e outros métodos. A prática faz com que, muitas vezes, procedimentos desnecessários são realizados expondo pacientes a riscos e onerando planos de saúde.

Quanto mais procedimentos, mais pontos ganham na avaliação – que inclui itens como fidelização, adesão aos protocolos clínicos e atuação em ensino e pesquisa.

O médico que soma mais pontos consegue mais reputação dentro do hospital e privilégios como presentes, descontos em exames para ele e seus familiares e prioridade no uso do centro cirúrgico.

Na condição de anonimato e de não identificar a instituição em que atuam, a Folha conversou com 12 médicos de hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Todos confirmam a existência de programas de benefícios em que o volume de procedimentos é considerado na premiação.

“O médico do pronto-atendimento que interna mais ganha mais pontos”, conta um médico do Rio de Janeiro. “Tem um médico que segura paciente internado sem necessidade só para gerar mais diária hospitalar”, relata um outro de São Paulo.

“Eu já ouvi pressões do tipo: ‘a ressonância precisa ser otimizada'”, afirma um médico de Porto Alegre (RS). “Aqui se pede exame de urina até para unha encravada”, diz outro de Salvador (BA).

A prática tem sido questionada por especialistas em ética e em gestão porque pode resultar em procedimentos desnecessários, que expõem pacientes a riscos, e no aumento do custo da saúde-a conta vai para os planos, e quem paga são os usuários.

“Não se pode atrelar a participação médica a nenhuma volumetria. Seria como remunerar bombeiro que apaga mais incêndios. Logo começariam a queimar casas para ganhar mais”, diz Francisco Balestrin, presidente da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

Ele afirma que a prática não é “corrente” entre as instituições e que há vários programas pautados pela ética. Em março, a Anahp fará em um evento com dirigentes para discutir um “mapa de riscos”, e os programas de benefícios entrarão na discussão.

Para o médico Yussif Ali Mere Jr., presidente da Federação e do Sindicato de Hospitais, Clínicas e Laboratórios, “a era de o médico fazer tudo o que quer e ser valorizado pelo hospital [por gerar mais lucro] tem que acabar”. “O custo é insustentável.”

Pedro Ramos, diretor da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), diz que a entidade tinha informações sobre esses incentivos por volume, mas nunca conseguiu provar que eles existiam. Agora, deve pedir uma investigação sobre isso. “É inaceitável”, afirmou.

Para ele, a raiz do problema está no modelo de remuneração. Os hospitais ganham dos planos pela quantidade de serviços que prestam (“fee for service”), não pela qualidade da assistência que prestam ao paciente.

“Os hospitais estão cada vez mais ricos, e os planos cada vez mais pobres. É dramática a situação.” Em razão da crise econômica, os planos perderam mais de 2 milhões de usuários em dois anos.

Ali Mere Jr. também acredita que é preciso mudar o modelo de remuneração, mas discorda de Ramos. “Os hospitais estão mais caros, mas não mais ricos.”

EXCESSO NO USO

Gláucio Libório, presidente do Instituto Ética Saúde, critica programas que incentivam volume de procedimentos e diz que eles abrem brechas para crimes como os vistos na “máfia das próteses”.

A prática é investigada há dois anos pela Polícia Federal e ao menos 40 pessoas já foram indiciadas. Além de compras superfaturadas, que lesaram o SUS e os planos, em alguns casos cirurgias foram indicadas sem necessidade.

“Sou totalmente contra programas que envolvam volume. Médicos não podem receber nenhum benefício atrelado a quantidade de procedimentos de nenhum tipo.”

O cardiologista Luís Cláudio Correia, representante da Choosing Wisely no Brasil (campanha contra o excesso de exames e o sobrediagnóstico), não acredita que os programas tenham papel crucial em indicações excessivas ou desnecessárias de exames.

“A questão é mais cognitiva do que de premiação, de incentivo. Imagino que na ausência de qualquer conflito de interesse, o ‘overuse’ continuaria prevalente.”

Para o intensivista Guilherme Barcellos, que preside a Sociedade Panamericana dos Médicos Hospitalistas e também integra a Choosing Wisely, não é frequente nesses programas uma remuneração direta a médicos por indicações de procedimentos.

“Entram num combo que garante privilégios. Mais receita para o hospital e o médico vira 5 estrelas, ganha estacionamento grátis, lavagem do carro e coisas do tipo.”

EINSTEIN ‘EXPORTA’ PROGRAMA

Considerado modelo no setor, o programa de benefícios do hospital Albert Einstein está sendo replicado em outras oito instituições do país.

Segundo o presidente do hospital, Sidney Klajner, o programa de segmentação médica é usado como forma de fidelizar profissionais autônomos à instituição. São 70 indicadores que geram pontuações que classificam médicos como “premium, advance, evolution e special”.

Os indicadores são baseados em qualidade (adesão a protocolos, interação com a equipe), fidelização (número de pacientes trazidos para o hospital), filantropia (atividades voluntárias nos programa filantrópicos) e participação em ensino e pesquisa.

Klajner diz que o hospital valoriza mais a fidelidade do médico ao Einstein do que o volume de procedimentos.

“Médicos que têm cadastramento e internam pacientes em vários hospitais têm pontuação menor do que aquele que estão exclusivamente no Einstein.”

Segundo ele, em relação a exames, para cada especialidade existe uma meta mediana esperada. “A partir dessa mediana não é contado mais nada. Estamos mais interessados que o médico peça o exame no Einstein e não no Fleury do que no volume.”

O Einstein vetou recentemente uma prática que poderia gerar conflito de interesse: postos de coleta de exames mantidos por laboratórios em consultórios médicos.

“Por mais que cause perda de receita, isso poderia gerar incentivo para exames complementares desnecessários.”

Também proíbe que seus médicos recebam comissões por tipo de quimioterapia que indicam. “Perdemos profissionais por isso.”

O Hospital Sírio-Libanês diz que não remunera os médicos por quantidade de exames e que “repugna essa prática”. Também não há remuneração por quimioterapia indicada, segundo o CEO, Paulo Chapchap. “Os médicos são remunerados pelo cuidado com o paciente.”

O Hospital Oswaldo Cruz disse que o porta-voz indicado a falar sobre o assunto estava viajando.

O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, informou que seu programa médico passa por reestruturação e que só se manifestará após a conclusão do processo.

A Rede D’Or, que tem 31 unidades no país, disse que “não tinha interesse em participar da reportagem”.



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PITACO DO ContrapontoPIG.

Está aí  de uma maneira simples e clara uma das explicações da raiva que a grande maioria dos médicos brasileiros  tinha do programa Mais Médicos do governo da Dilma.

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Nº 20.980 - "RELATOR NO TSE PREPARA VOTO DURO E VAI PEDIR A CASSAÇÃO DE TEMER"


26/02/2017



RELATOR NO TSE PREPARA VOTO DURO E VAI PEDIR A CASSAÇÃO DE TEMER



Brasil 247 - 26 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 07:30



O ministro Hermann Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, vai propor a cassação de Michel Temer; segundo informações publicadas na coluna de Lauro Jardim, ele considera "um descalabro" a divisão da chapa Dilma-Temer – e lembra ainda que essa é a jurisprudência da corte; seu voto será duríssimo e será dado assim que o ministro Gilmar Mendes colocar o caso em julgamento; ou seja: Temer está nas mãos de Gilmar, que pode decidir abreviar seu governo a qualquer momento


Brasília 247 – A sobrevivência política de Michel Temer, que é hoje a figura mais rejeitada do País e já teve oito ministros abatidos por escândalos de corrupção, hoje depende exclusivamente do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Isso porque se ele decidir colocar em pauta a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, ele será cassado.

Segundo o colunista Lauro Jardim, o ministro Hermann Benjamin, relator do caso, já preparou seu voto, que será duríssimo.

Benjamin considera "um descalabro" a divisão da chapa Dilma-Temer – e lembra que não é essa a jurisprudência da corte.

O grito de "Fora, Temer" foi o elemento unificador do carnaval ao redor do País, seja em Salvador, no Rio de Janeiro ou nos blocos de cidades como São Paulo e Belo Horizonte.

Depois do Carnaval, Temer se tornará ainda mais frágil com a revelação das delações da Odebrecht.

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Nº 20.979 - "Além de Padilha e Temer, denúncia de Yunes compromete Moro"


25/02/2017


Além de Padilha e Temer, denúncia de Yunes compromete Moro


Brasil 247 - 25 de Fevereiro de 2017



Jeferson Miola


Jeferson MiolaO depoimento que José Yunes prestou ao MP assumindo-se como simples "mula" para transportar os R$ 4 milhões da propina da Odebrecht destinada a Eliseu Padilha, é demolidor para o governo golpista.

A denúncia do amigo de mais de meio século do Michel Temer põe luz sobre acontecimentos relevantes da história do golpe, e pode indicar que os componentes do plano golpista foram estruturados em pleno curso da eleição presidencial de 2014:

1. a Odebrecht atendeu o pedido do Temer, dos R$ 10 milhões [os R$ 4 milhões ao Padilha são parte deste montante] operados através de Lúcio Funaro, ainda durante o período eleitoral de 2014;

2. mesmo sendo o candidato a vice-presidente da Dilma, na campanha Temer trabalhava pelo esquema do Eduardo Cunha [que na eleição apoiou Aécio Neves, e não a chapa do seu partido, o PMDB], que tinha como meta eleger uma grande bancada de deputados oposicionistas ao governo Dilma;

2. a organização criminosa financiou com o esquema de corrupção a campanha de 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara;

3. Lúcio Funaro, tido até então exclusivamente como o "operador do Eduardo Cunha", na realidade também atuava a mando de Eliseu Padilha e, tudo indica, de Michel Temer - José Yunes diz que Temer sabia tudo sobre o serviço de "mula" que Padilha lhe encomendara;

4. em janeiro/fevereiro de 2015, na disputa para a presidência da Câmara, embora em público Temer dissimulasse uma posição de "neutralidade", nos subterrâneos trabalhou pela eleição do Cunha;

5. mesmo sendo vice-presidente da Presidente Dilma, o conspirador conhecia o plano golpista desde sempre, e participou desde o início da conspiração para derrubá-la. O primeiro passo, como se comprovou, seria dado com a vitória do Eduardo Cunha à presidência da Câmara para desestabilizar o ambiente político, implodir os projetos de interesse do governo no Congresso e incendiar o país.

A denúncia de Yunes reabre o questionamento sobre a decisão no mínimo estranha, para não dizer obscura e suspeita, do juiz Sergio Moro. Em despacho de 28/11/2016, Moro anulou por considerar "impertinentes" as perguntas sobre José Yunes que o presidiário Cunha endereçou a Temer, arrolado como sua testemunha de defesa.

Moro tem agora a obrigação de prestar esclarecimentos mais convincentes e objetivos que o argumento subjetivo de "impertinência", alegado no despacho. Caso contrário, ficará a suspeita de ter prevaricado para proteger Temer e encobrir o esquema criminoso que derrubaria o governo golpista. Afinal, sabendo do envolvimento direto de Michel Temer no esquema criminoso, Moro teria agido para ocultar o fato?

A cada dia fica mais claro que o Brasil está dominado pela cleptocracia que assaltou o poder de Estado com o golpe. O melhor que Temer faria ao país seria demitir toda a corja corrupta – a começar pelo Eliseu Padilha – e renunciar, porque perdeu totalmente a confiança política e a credibilidade.

A permanência ilegítima de Temer na cadeira presidencial é um obstáculo intransponível à recuperação do Brasil, que assim seguirá o caminho acelerado do abismo.


Jeferson Miola. Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

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Nº 20.978 - "Padilha inaugura o puxadinho dos ministros afastados"

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25/02/2017

Padilha inaugura o puxadinho dos ministros afastados


Brasil 247 - 24 de Fevereiro de 2017




Eliseu Padilha deve inaugurar o ministério paralelo dos afastados por envolvimento com a Lava Jato, um puxadinho protetor anunciado por Temer na semana passada: ministros citados ou investigados serão afastados temporariamente. Demissão, só para os que se tornarem réus, algo que dificilmente acontecerá durante seu mandato. Padilha pediu licença do cargo de ministro-chefe da Casa Civil para fazer uma cirurgia que estaria mesmo programada. Ele jura que volta mas, no curso da licença médica, devem ser divulgadas, pelo menos parcialmente, as delações da Odebrecht. Padilha, muito provavelmente, passará da licença médica para o afastamento temporário, não retornando ao Planalto. Pelo menos outros quatro ministros devem lhe fazer companhia no puxadinho: Moreira Franco, Gilberto Kassab, Bruno Araujo e Marcos Pereira. As paredes do governo estão começando a rachar e Temer, mais isolado e só, será cada vez mais prisioneiro da coalizão parlamentar que, na ânsia para salvar-se da Lava Jato, já não liga para as aparências nem para o efeito nefasto da  imposição de um nome como Osmar Serraglio para o ministério da Justiça.

José Serra pediu demissão do Itamaraty anteontem, alegando também motivos de saúde mas, como tem mandato, em vez do puxadinho, desfrutará do aconchego do Senado.  Delatores teriam afirmado que ele recebeu R$ 23 milhões da empreiteira para sua campanha de 2010. Um chanceler com hérnia de disco realmente deve sofrer muito.  Mas o vaidoso Serra sofreria muito mais se, confirmada sua citação por delatores, tivesse que se submeter ao humilhante afastamento temporário anunciado por Temer. O que ele vem anunciando é um retorno com grande disposição para o ativismo parlamentar. O puxadinho é bom para quem não  tem mandato, como Moreira, Kassab e Marcos Pereira. Continuarão recebendo e tendo direito ao foro especial.

Já Padilha anunciou a licença médica horas depois que o melhor amigo de Temer, José Yunes, revelou em depoimento, prestado espontaneamente, ter sido  usado como “mula” por Padilha, que em 2014 pediu-lhe para receber um pacote em seu escritório. A entrega foi feita pelo operador de Eduardo Cunha e companhia peemedebista, Lúcio Funaro, hoje preso. Yunes confirmou assim a delação do executivo Claudio Mello Filho, da Odebrecht, de que parte dos 10 milhões pedido à empreiteira por Temer foram entregues no escritório de Yunes. Eduardo Cunha também havia incluído uma pergunta sobre esta operação de entrega naquela lista de questionamentos a Temer, como testemunha de defesa, vetada por Sérgio Moro. Se Padilha vai mesmo operar a próstata, como garantem os próximos, a cirurgia não vai acontecer durante o carnaval. O pedido de licença médica poderia ter ficado para depois, para quinta-feira, ou para a semana que vem. Padilha, tudo indica, fez uma retirada de emergência, antecipando a licença, antes que subissem os gritos pedindo sua cabeça.

Ao longo desta semana, o governo desgastou-se imensamente. Até mesmo quando ganhou, como na aprovação do nome de Alexandre de Moraes para o STF, ganhou perdendo. A indicação de um preposto acumpliciado com os investigados – como tão simbolicamente revelado pela magistral fotografia de Dida Sampaio, em que Moraes pisca para Edison Lobão durante a sabatina na CCJ do Senado – desnudou moralmente o governo, apequenou Temer, o Senado e o próprio STF. Ao escolher Serraglio para a Justiça, o governo sabia tratar-se de um arqueiro de Eduardo Cunha, para não falar de outros traços do perfil. Na disputa pela primeira vice-presidência da Câmara, há poucos dias, Serraglio foi derrotado por boa margem de votos por parte da base que não o engole. O vitorioso foi Fabio Ramalho, o mesmo que agora anuncia o rompimento com o governo do grupo do PMDB que defendia um candidato de Minas para o posto. E na base, alastra-se também a rejeição às reforma previdenciária e trabalhista, com a apresentação de emendas modificativas. Com o barco político fazendo tanta água, não há risco de Temer compensar o desgaste com boas notícias na economia. Boas é muita bondade, pois um aumento sazonal na arrecadação e uma redução atrasada na taxa de juros não darão conta da recessão e do desemprego a curto prazo.  O que teremos, depois do carnaval, é o aprofundamento das rachaduras nas paredes do governo.


Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País.
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Nº 20.977 - " Temer, a “'mula', sangra e tem dificuldades para 'entregar o pacote' "


25/02/2017

Temer, a “mula”, sangra e tem dificuldades para “entregar o pacote”


Do Tijolaço  · 25/02/2017


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por Fernando Brito


Como se sabe, o papel para o qual  a elite dominante escalou Michel Temer foi o de “mula”.

Pegar o poder com o golpe e entregar, depois, ao PSDB, já devidamente higienizado dos direitos dos pobres e com as medidas de depenamento do Estado brasileiro.

A mula, porém, está escandalosamente manca.

A tropa que ela liderava perde um integrante por semana, e cada um que sai se torna um fardo a mais: é mais um para livrar das encrencas ma Justiça.

E, em matéria de livrar, nada é mais importante do que aliviar a “pressão Cunha”, conseguindo colocar o ex-deputado em liberdade, missão que está confiada a Gilmar “Alongadas Prisões” Mendes. Da decisão, se possível manter na Segunda Turma do STF, deve ser poupada uma constrangedora estréia de Alexandre de Moraes, que marcaria ainda mais as digitais de Temer.

Se fosse uma prática desde o início, a de permitir, tão logo executadas as apreensões de documentos, bloqueios de bens e de contas, limitações de deslocamentos e proibição de ida ao exterior, que os acusados respondessem, como manda a lei, em liberdade, seria mais uma.

Mas Moro, a Justiça e, especialmente, o STJ e o STF acostumaram o país, durante dois anos e pico, à ideia de que lugar de acusado é na cadeia. E quem mais acusado, quem mais bandido perante a opinião pública que Eduardo Cunha?

Talvez, sem repercussão política, o ex-goleiro Bruno.

Então, ferida e só, a “mula” aperta o passo para a entrega de sua principal encomenda: a reforma da previdência, na qual, como penduricalho, vem a reforma trabalhista.

Mas surgem problemas para isso, tanto no “baixo clero” peemedebista, que vê os tucanos nos melhores poleiros quanto na cúpula do parlamento, abalada pelas denúncias contra Rodrigo Maia (às da Odebrecht se somam agora as da Delta Engenharia, de Fernando Cavendish, antecipadas pela Veja) e o rebuliço que a prisão de Jorge e Bruno Luz causarão na bancada peemedebista no Senado.

Em O Globo, um dirigente tucano faz pouco da insatisfação peemedebista: ” A decorrência natural é que Temer, para fugir do isolamento, demande cada vez mais a presença de quadros do PSDB que possam apoiá-lo e com quem trabalhe com um grau de confiança maior. Lamentavelmente, ele perdeu esses interlocutores de confiança no PMDB, não sobrou ninguém e a bancada é um deserto. Ele tem chamado o Aécio cada vez com mais frequência ao Planalto, e o Imbassahy vai crescer muito. É discreto e confiável. Vai gerar ciúmes? Vai. Mas lamentavelmente eles não têm como reagir a isso.

Será? Boa parte do centrão flutua levada pela maré. E a maré é ruim, muito ruim.


O carnaval triunfal de Temer, previsto para desfilar aos gritos de “olha o crescimento aí, gente” viu, na quinta-feira, virar seu clima para quarta-feira de cinzas.

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Nº 20.976 - "Quem foi buscar o dinheiro com Yunes?"

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25/02/2017

Quem foi buscar o dinheiro com Yunes?


Do Tijolaço · 25/02/2017

 
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por Fernando Brito

No site Os divergentes, o veterano repórter Andrei Meireles, que não é repassador de realeases, mata a primeira parte da charada da “entrega de documentos” pelo doleiro de Lúcio Funaro no escritório do amicíssimo de Michel Temer, José Yunes.

— Não há motivo plausível para a Odebrecht, com seu estruturado departamento de propina, ter optado por um modo tão amador para um pagamento dessa envergadura.
– Quem conhece como a dobradinha entre Eduardo Cunha e Lúcio Funaro funcionava ri quando se fala da possibilidade de eles terem usado esse percurso para disfarçar algum pagamento de propina.
– Por algum motivo, o pacote transitou pelo escritório de José Yunes, amigo de Michel Temer da vida inteira.
– Na interpretação de quem conhece esse jogo, quem deu, intermediou e operou o pagamento ali quis carimbar a entrega.

Meireles intitula seu texto com a conclusão:  Como Temer e Padilha caíram na armadilha de Eduardo Cunha.

Assim, se sabe que ou Funaro era alguém de quem Eliseu Padilha também se servia para operações financeiras ou Eduardo Cunha era o controlador do repasse e da partilha do dinheiro de financiadores do PMDB, neste caso a Odebrecht.

Falta a segunda parte do mistério: para onde foi o pacote?

Isso admitindo que tenha ido para algum lugar, porque Yunes, embora saiba quem foi levar e tenha ficado, diz ele, de cabelos em pé ao ver que era Lúcio Funaro, não sabe, diz ele de novo, quem foi buscar.

Só isso já não é crível e menos ainda quando se v~e o layout interno do escritório: ninguém entra sem passar pela portaria para, claro, identificar-se pela segunda vez, porque a primeira vez é no interfone do portão de blindex.

Admitindo que alguém tenha ido, apanhou para levar para onde?

Padilha é gaúcho e exercia, na época, um mandato de deputado federal, em Brasília.

Havia uma “mula” para carregar o dinheiro para lá? Em vôo de carreira, para correr o risco do Raio-X? Se, para mandar o dinheiro para Brasília, seria necessário fretar um avião, para evitar problemas, porque o “entregador” não fez isso?

O provável destino do dinheiro era São Paulo, onde fica a sede da Odebrecht, onde Funaro tinha escritório, assim como Yunes.

Então vejamos: segundo o delator da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o grupo que negociava ajuda ao “PMDB da Câmara” era formado por Geddel Veira Lima, de Salvador; Moreira Franco, que é do Rio de Janeiro; Eliseu Padilha, que é tem apartamento no elegante bairro dos Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Ah, sim, tinha também o “MT”, que mora em…

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Nº 20.975 - "Tabapuã Papers revela relações sombrias entre José Yunes e Temer"


25/02/2017

Tabapuã Papers revela relações sombrias entre José Yunes e Temer


Blog do Rovai - 24 de fevereiro de 2017


No dia 31 de dezembro do ano passado, numa data pouco provável para este tipo de matéria, surgiu o blogue Tabapuã Papers, com um texto assinado por Joel Assis e Larissa Monteiro. A reportagem, até o momento a única do blogue, tinha como ponto central as “relações sombrias” entre José Yunes e Michel Temer. Ou seja, o blogue parece ter sido criado para divulgar este material.


Há aproximadamente um mês o blogueiro foi apresentado ao blogue por uma colega jornalista. Vasculhou-o, fez relatórios, checou dados, mas não conseguiu avançar muito nos emaranhados de suas ramificações. De qualquer forma, não encontrou incoerências ou formulações inverídicas.



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Com a declaração dada por Yunes sobre ter sido “mula” de Eliseu Padilha com o conhecimento de Temer, há necessidade de que outros jornalistas também possam ter acesso a esses documentos.

Histórico dos negócios suspeitos de Yunes com Temer

Boa parte do relatado abaixo foi extraído do blogue citado. Alguns trechos literalmente. O blogueiro, porém, achou necessário fazer uma edição para que a leitura pudesse ser mais fluente.

A criação da Stargate

Em agosto de 2001, Glorybel Sousa assinava papéis na sala 400 de um prédio em forma de ‘S’ no estado de Delaware, famoso paraíso fiscal norte-americano, no escritório da Coporation Service Company (CCS), criando uma empresa da qual seria “diretora”. Poucos dias depois, Glorybel nomeava José Yunes como procurador da companhia no Brasil, autorizando o advogado a agir como melhor entendesse na gestão da recém-fundada Stargate Esthetics LLC.

A sede da Stargate Esthetics, no papel, é o próprio escritório da CCS, agente registrado de “milhares de entidades corporativas”. O principal trabalho de um agente registrado é, simplesmente, oferecer um endereço legal aos clientes.

A CCS aparece nos Papéis do Panamá como sede de mais de vinte offshores – empresas em paraísos fiscais. Os papéis reúnem dados de quase meio milhão de companhias desse tipo.

O anonimato garantido por offshores facilita lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, fraude e outros crimes.

Dois meses  depois de receber a procuração de Glorybel para agir em nome da Stargate Esthetics, José Yunes abriu, em Santana de Paranaíba, na região metropolitana de São Paulo, cidade famosa por permitir tributação mais baixa, uma firma cujas atividades iam da venda de produtos de estética à “participação em empreendimentos de qualquer natureza”.

Era a Stargate do Brasil Estética, Produtos e Serviços, que nasceu quando a companhia de Delaware se associou ao “empresário” Arlito Caires Santos. A sociedade funcionava da seguinte forma: a firma americana entrava com R$ 2,499 milhões e Arlito com mil reais.

Em troca de um salário mensal “pró-labore”, Arlito seria o “diretor”, mas precisaria da aprovação da Stargate Esthetics para pegar empréstimos, por exemplo. Como José Yunes era o procurador da companhia americana, as mais importantes operações da Stargate do Brasil tinham de passar pelo crivo do advogado.

Em março de 2004, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciava um pacote de estimulo à construção civil, com R$ 1,6 bilhão em crédito para a compra de casas próprias. Naquele mês, Arlito e Yunes alteravam o campo de atuação da Stargate do Brasil. A companhia também passaria a comprar, vender e alugar imóveis. Shirley Siqueira Gomes assinou como testemunha da mudança do objeto de atuação da empresa.

Após quase uma década, a Stargate do Brasil criava outras duas companhias de “consultoria empresarial”. Juntas,  a Golden Star Serviços e Participações e a Lighted House Serviços e Participações tinham um capital de R$ 11,1 milhões. Desse total, dois mil reais saíram dos bolsos de Arlito e o restante da Stargate do Brasil, que José Yunes controla.

As duas empresas funcionam no mesmo endereço, uma casa de fachada amarela e grades pretas no Brooklin Paulista. O blogue Tabapuã Papers revela que tentou encontrar, sem sucesso, Arlito. Também teria enviado repórteres à sede das empresas no último dia 28 de dezembro. Lá,  havia somente uma placa indicando que funcionava um escritório de contabilidade.

Yuni Incorporadora Ltda e os bancos do empréstimo da Schahin com a Petrobras

Há quinze minutos de caminhada dos prédios das duas empresas, no bairro Vila Olímpia, localiza-se a Yuny Incorporadora S.A. José Yunes e dois filhos, Marcos Mariz de Oliveira Yunes, o mais velho, e Marcelo, fundaram a companhia em 1996. Na época, a Yuny cuidava apenas de empreendimentos de “altíssimo padrão”, como informa a página da incorporadora na Internet. Uma grande mudança ocorreu no dia 31 de agosto de 2006, quando José Yunes a transformou em uma sociedade anônima fechada, com ações divididas apenas entre os sócios. O capital da Yuny em nome dos donos era de R$ 3,5 milhões. Mais uma vez, Shirley Siqueira Gomes era a testemunha nos contratos.

Nesses 20 anos a imobiliária dos Yunes cresceu e, atualmente, os sócios têm na empresa um capital superior a R$ 174 milhões. José Yunes deixou de assinar pela Yuny, mas os filhos Marcos e Marcelo permanecem nela.

No dia 3 de setembro de 2010, os irmãos Yunes autorizavam uma das empresas do grupo a pegar empréstimos de até R$ 5 milhões com o Banco Pine S.A. Dois meses depois, no dia 10 de novembro, enquanto Temer já celebrava a vitória nas eleições, Marcos e Marcelo voltavam ao prédio ondulado da Vila Olímpia para autorizar outro empréstimo, de R$ 4 milhões com o Banco Fibra S.A.

Até junho de 2013, os filhos de José Yunes autorizaram empréstimos de, pelo menos, outros R$ 10 milhões com o Pine e outros R$ 7 milhões com o Banco ABC Brasil S.A. No total, eram R$ 26 milhões com o Pine, o Fibra e o ABC Brasil juntos.

Não há nada de irregular nisso, mas há uma coincidência que une os três bancos: todos estiveram na mira de investigações sobre desvios em contratos do grupo Schahin com a Petrobras.

Uma reportagem de 2016 do jornal Estadão diz que a Receita Federal encontrou indícios de que essas e outras 10 instituições financeiras “criaram uma estrutura para emprestar e receber dinheiro em paraísos fiscais”. E que, na avaliação da Receita, esses empréstimos abriram “espaço para dar ‘aparência lícita’ a dinheiro que poderia ter sido obtido em operações ilegais no Brasil, como fraude a licitações e sonegação fiscal”.

O artigo ainda afirma que o Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), responsável pela Lava-Jato, avaliava se abriria um inquérito contra os bancos.

Maraú Administração de Bens e Participações, sociedade com Marinho e Tutinha

Em 25 de abril de 2016, uma semana depois de a Câmara dos Deputados aprovar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e enviar o caso ao Senado, Marcos Yunes ficava sócio da Maraú Administração de Bens e Participações. A Maraú existia desde 2007 e, supostamente, servia apenas para cuidar de bangalôs de luxo na paradisíaca cidade de Maraú, na Bahia.

Um dos sócios de Marcos Yunes na Maraú é Alba Maria Juaçaba Esteves Pinheiro, que foi esposa de Noberto Nogueira Pinheiro, do conselho de administração do Banco Pine. Também faz parte da sociedade Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, dono da rádio Jovem Pan. E, vejam só que coisa, José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo de Comunicação.

Entre os sócios de toda essa gente na Maraú está a empresa Shadowscape Corporation, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, território que, assim como Delaware, muitos chamam de paraíso fiscal.

A Shadowscape nasceu no dia 4 de janeiro de 2011, tendo como agente registrado o célebre Mossack Fonseca, escritório de advocacia panamenho pivô dos Papéis do Panamá e responsável por abrir offshores ao redor do mundo. Os papéis panamenhos, aliás, também citam a Shadowscape. O registro do banco de dados mostra que o escritório de administração da firma fica em Douglas, capital da Ilha de Man. Por coincidência, muitos também classificam a ilha entre a Inglaterra e a Irlanda como um paraíso fiscal.

O representante da Shadowscape no Brasil seria José Arnaldo da Silva, morador no bairro Vila Dona Meta, em São Paulo. A reportagem do Tabapuã Papers teria ido até o local mas não encontrou o endereço do representante da Shadowscape que constava nos registros da empresa. Vizinhos afirmaram que um homem chamado José morava por ali, numa casa de aparência humilde, mas que havia se mudado em setembro do ano passado.

Quem também é sócia da Maraú é Andrea Capelo Pinheiro, que também é sócia da Agropecuária Vila dos Pinheiros, especialista na criação e no comércio de gado. A administração do haras é de Francisco Jaime Nogueira Pinheiro Filho, da família de Andrea e também de Noberto Nogueira Pinheiro, do Banco Pine.

Andrea também é diretora do BR Partners, um banco de investimentos que ocupa o 25º e o 26º andares do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi.

As duas salas do 25º andar ocupadas pelo BR Partners pertencem a uma empresa chamada Tabapuã Investimentos e Participações. O dono da Tabapuã seria, justamente, o grande amigo de José Yunes, seu “irmão”, Michel Temer.

A Tabapuã, empresa de Temer

No dia 19 de novembro de 2010, Temer abriu com uma das filhas, Luciana, a Tabapuã, que cuidaria do aluguel das duas salas do 25º Andar do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi. Curiosamente na reunião daquele 19 de novembro estavam presentes duas pessoas próximas a José Yunes. Uma delas era o advogado Marcelo Beserra. A outra, a mesma Shirley Siqueira Gomes, testemunha de alguns dos contratos que o amigo de Temer assinou

Essa não é a única das coincidências que liga a família Yunes ao atual presidente da República. As declarações de bens do presidente mostram que Temer participou de uma sociedade com José Yunes e sua família por, no mínimo, quatro anos. Em 2006, quando concorria ao cargo de deputado federal, Temer declarou possuir uma sociedade para um empreendimento imobiliário no valor de R$ 639.378,50. Quatro anos depois, a declaração de bens de Temer mostra uma sociedade com a Yuny – que no papel não tinha mais José Yunes entre os donos – no valor de R$ 639.378,49.

Reportagem da revista Veja afirma que essa sociedade do presidente com a incorporadora dos Yunes começou em 2003, quando Temer adquiriu – ainda na planta – o imóvel ocupado pelo BR Partners.

Pode não haver nada de errado com os negócios acima citados. Mas alguns são de fato suspeitos, já que envolvem criação de offshores e empréstimos heterodoxos. De qualquer forma, uma coisa está mais do que clara, Yunes parece ser muito mais do que um amigo, muito mais do um irmão de Temer. E pode acabar com o seu governo.

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Nº 20.974 - "Serra monta farsa, sai do governo para se blindar no Senado e contar com a proteção do STF e da PGR contra a Lava Jato"

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25/02/2017


Serra monta farsa, sai do governo para se blindar no Senado e contar com a proteção do STF e da PGR contra a Lava Jato



Palavra Livre Posted: 23/02/ 2017 04:58 PM PST




por Davis Sena Filho

"Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde: há os grandes sonhos dos homens e a surda força dos vermes". (Cecília Meirelles, no Romanceiro da Inconfidência)

O senador golpista e ex-ministro entreguista do Itamaraty, José Serra, não dá ponto sem nó. Nunca deu, como nunca apresentou ao público e a quem de direito os seus diplomas de engenharia e de economia, quando se apresenta para ocupar cargo público. Serra — o Careca —, neste caso, parece com o presidiário e empresário "falido", Eike Batista, o dono do grupo EBX, que, como todos os empresários predadores que vicejam no Brasil, cantam loas e boas à iniciativa privada. Contudo, e para o bem da verdade, é que grande parte dos megaempresários enriqueceram sob a sombra do estado nacional, dos governos dos estados da Federação e das prefeituras de médios e grandes municípios.

Dinheiro público aplicado diretamente em seus bolsos, de forma que possam viver durante todos os anos de suas vidas, juntamente com suas famílias e associados, como verdadeiros nababos, a se locupletar do estado patrimonialista, que transfere seus recursos para os negócios privados dos inquilinos da casa grande. É a praxe há 517 anos neste País; e é exatamente o que o governo fundamentalista de mercado e pária de *mefistófeles — vulgo *MT — está a fazer a toque de caixa e a seguir à risca sua agenda negativa, entreguista, ultraliberal e inacreditavelmente contra os interesses do Brasil.

O golpe à moda bananeira perpetrado por uma casa grande provinciana, ignorante e corrupta, que teve a cooperação, a aquiescência e a cumplicidade vergonhosa de seus subordinados togados, que militam politicamente  no STF, na PGR e em varas de primeira instância como a de Curitiba, que se transformaram em pilares importantes para que se efetivasse um golpe de estado contra a soberania popular aparentemente consolidada pelas urnas desde 1989, a Constituição, o Estado de Direito e a presidente constitucional e legítima, Dilma Rousseff.

Não se viu até hoje nada igual a esse governo composto por traidores tão "dignos" quanto a uma escória, que lutam para escapar da cadeia por causa da Lava Jato, porque até os governos de direita do passado resguardavam as questões nacionais estratégicas e não retiraram direitos pétreos do povo brasileiro. Nem o Neoliberal Golpista I — o FHC — foi tão fundo, no que tange à miserabilidade moral e à perversidade despida de qualquer humanidade.

Os militares, por exemplo, tinham atenção com as questões estratégicas do País, a aplicar recursos em hidrelétricas, a exemplo de Itaipu, bem como a proteger o setor nuclear, quando não aceitaram, no governo do general-presidente Ernesto Geisel, as condições impostas pelos Estados Unidos para que o Brasil construísse usinas nucleares.

Geisel recusou o acordo com os estadunidenses e formalizou contratos de cooperação científica e tecnológica com a Alemanha Ocidental, na época um país dividido por causa da Guerra Fria. São apenas dois exemplos que cito, pois a finalidade é mostrar o quanto o governo de *mi-shell temer é a antítese do que é racional e prudente, porque antinacionalista e antidemocrático, mas descaradamente entreguista, pernicioso e perigosíssimo para os interesses do Brasil e do desenvolvimento social e econômico do povo brasileiro e de seus trabalhadores. Só não vê quem não quer ou está de má-fé.

Dito isto, voltemos a Serra, indivíduo que é parte importante do governo essencialmente empresarial, que não tem quaisquer preocupações em desenvolver o País e emancipar seu povo. É nítido e visível. Basta apenas elencar as ações e atos da agenda feroz e covarde dos golpistas que tomaram o poder de assalto e, por causa desta realidade, sentem-se à vontade para entregar e pilhar o Brasil, em todos os setores e segmentos de negócios e de atividade humana.

Porém, o assunto principal deste artigo não é o Amigo da Onça de alcunha *mi-shell temer e seu governo incompetente e fracassado, por ter sido parido natimorto. Também não é protagonista do assunto da narrativa o presidiário Eike Batista, o ex-badalado playboy, "garoto" dos olhos da imprensa de negócios privados inconfessáveis e pelo high society brasileiro de alma fútil, leviana e de caráter egoísta e perverso. O assunto dispõe sobre a saída de José Serra do governo pária e ilegítimo de *temer — o pai de todos os fracassos quando se trata de economia, administração pública e honra.

A questão se reporta à ação de tal sujeito ególatra e que não mede consequências para atingir seus propósitos políticos e, inversamente à sua postura política e de vida, resolve sair do poder, até porque ninguém participa de um golpe de estado terceiro-mundista para depois entregar "sua" cadeira de mão beijada, mesmo se for para um tucano empedernido e usurpador como o é o próprio José Serra. "Por quê?" Fiquei a me perguntar..., pois são muitas as indagações e reticências. Entretanto, visualizo feixes de luz em meus pensamentos e percebo que José Serra, homem de caráter vingativo, intolerante e nada solidário, jamais tomaria decisão tão drástica sem, todavia, mexer em seu tabuleiro de xadrez político. Evidente, uai!

A verdade é que Serra antecipou sua blindagem, no que concerne às delações da Odebrecht via Lava Jato, porque movido por um timing de sobrevivência política de estilo sorrateiro, que poucos políticos possuem, pois há muitos anos se envolve em situações periclitantes, que o levam moralmente a ser contestado e criticado por grande parte dos eleitores brasileiros. Serra foi duas vezes candidato a presidente e por duas vezes foi derrotado pelo PT de Lula e Dilma.

Suas ações e seu distanciamento atávico dos sentimentos e das reivindicações populares são como se fossem sua marca como político dedicado aos interesses da grande burguesia brasileira e da plutocracia internacional. E é exatamente dessa forma que o senador de direita e do PSDB paulista se pautou à frente do Itamaraty do governo golpista e usurpador de *mi-shell temer.

Serra, apesar de ser matreiro, não engana a todo mundo e, com efeito, chama a atenção da sociedade civil e de servidores públicos do Judiciário, que sabedores de sua atuação em casos de corrupção repercutidos pela imprensa de mercado, que sempre estendeu-lhe a mão "amiga", a chamá-lo, sobejamente, de "elite da elite", compreendeu que sendo alvo das delações da Odebrecht, pois acusado de receber R$ 23 milhões, colocará o governo ilegítimo na vitrine, que por sua vez vai receber pedradas da oposição partidária e da sociedade organizada, além de setores do Judiciário que não se deixaram levar por vaidades frívolas ao tempo que persecutórias por parte de autoridades, como Rodrigo Janot, Gilmar Mendes, dentre inúmeros juízes do STF, procuradores, a exemplo de Deltan Dallagnol, assim como juiz seletivo, parcial e midiático, como o Sérgio Moro.

Serra em sua carta "singela" a *temer, alegou motivos de saúde para deixar o governo ilegítimo e golpista. "Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler" — afirmou o chancelar golpista, para logo complementar: "Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe".

Pois é... Legal o José Serra, não? A verdade é que os tucanos, e neste caso em particular o Serra, contam com a impunidade por intermédio de blindagem por parte do sistema judiciário envolvido com os interesses políticos da Lava Jato. Venhamos e convenhamos: até hoje e a despeito de os políticos mais importantes do PSDB terem sido muitas vezes denunciados e delatados, sendo que alguns, como o senador Aécio Neves, são megadelatados, nenhum tucano ou político do DEM foi encarcerado ou humilhado ao depor ou levado coercitivamente de sua casa como criminoso, realidade terrível que fizeram covardemente e desrespeitosamente com o ex-presidente Lula.

As  testemunhas levadas a depor pela acusação, quase 30, isentaram o Lula de ter participado ou se beneficiado de ações e atos corruptos, o que deixou o perseguidor e justiceiro Sérgio Moro atônito e inconformado, porque sua missão a ser cumprida é impedir que Lula seja candidato nas eleições de 2018. Isto está claro, porque não é mais possível concordar com as ações dos procuradores do powerpoint mentiroso e manipulador e do magistrado que vazou diálogo de uma presidente em plena atividade de suas prerrogativas constitucionais, ou seja, autoridades que cometem crimes, pois o objetivo não é mais prender o Lula ou que o valha.

O propósito é desconstruir e desqualificar sua imagem e a do PT, mantê-los sob pressão política e eleitoral, jogá-los, indefinidamente, nas manchetes das mídias golpistas, que recebem vazamentos criminosos de servidores que cometem crimes e têm consciência disso, pois envolvidos. indevidamente, com a luta política e partidária, porque se aproveitam de seus cargos e do dinheiro público para efetivarem suas ações políticas e, por seu turno, cometerem suas arbitrariedades, a seus bel-prazeres, porque o Brasil vivencia hoje uma ditadura não assumida e comandada por juízes, procuradores, delegados e políticos.

Atores de teatro de horrores, que conquistaram o poder ao tomarem de assalto o Palácio do Planalto, sem a legitimidade das urnas e sem a aquiescência de 54,5 milhões de eleitores, que tiveram seus votos despoticamente rasgados. A questão é saber quem se importa com tamanha patifaria e canalhice, quando servidores das corporações do Estado nacional se voltam contra a estabilidade democrática e institucional, assim como resolvem optar por rasgar a Constituição, com a intenção de dar fim ao pacto social formalizado pela sociedade brasileira, no ano de 1988, quando a Carta Magna foi sancionada e aprovada após 21 anos de ditadura.

Rasgaram a Constituição Democrática, da Cidadania e dos Direitos Civis para permitir o golpe de estado por parte de bárbaros e selvagens testas de ferro do grande empresariado, a desmontar o estado nacional, tirar direitos previdenciários e trabalhistas dos trabalhadores e aposentados, extinguir dezenas de programas de inclusão social e igualdade de oportunidades, além de entregar ou extinguir projetos estratégicos à gringada esperta, malandra e pirata, que trata esse governo pária como um governo de subalternos e subservientes, colonizados e patéticos, de um país miserável onde viceja uma "elite" vagabunda e igualmente miserável e antinacionalista.

Serra saiu do governo pária e despótico e vou dizer por quê: porque ele não quer chamar a atenção, pois o Itamaraty dá muita visibilidade, além de seu capataz na Petrobras, o Pedro Parente, ser o sujeito mão de tesoura que está a esquartejar a Petrobras, a vender suas subsidiárias e a entregar o Pré-Sal. Um crime de lesa-pátria sem precedente na história deste País. Se fosse em um País civilizado, esses entreguistas sem eira nem beira seriam presos, porque lugar de traidor é na cadeia. E, se fosse em um país radical ou fundamentalista nos campos religiosos e político, no que tange aos seus regimes, esses seres dantescos e medíocres poderiam ser punidos com a pena de morte. Fato.

Porém, aqui é o Brasil. Um pardieiro sem lei e sem respeito, onde viceja uma burguesia dona da casa grande extremamente violenta, corrupta e perversa, bem como odeia profundamente o Brasil, sendo que três dos inúmeros motivos são os preconceitos raciais, de classe e origem, além do inenarrável, indescritível e incomensurável complexo de vira-lata. É de doer nos ossos, na alma e na consciência. Aqui é a terra da bagunça, lugar onde se efetiva golpes, e o mais rico, o que pode mais, invade com violência e arrogância o espaço do outro e não respeita seus direitos.

Trata-se do autêntico foda-se! A selvageria em toda sua essência e plenitude. A cara e o focinho do Brasil do golpe terceiro-mundista afeito às republiquetas das bananas. O Brasil é a Banânia! Não restam dúvidas. Aqui fica tudo por isto mesmo. Terra da classe média malandra e espertalhona, pois moralista sem moral. Terra dos ricos ladrões, que mamam nas tetas do Estado, sabotam a economia do País, boicotam os consumidores e os contribuintes e não são cobrados por suas roubalheiras ou incompetências ao administrarem seus negócios dignos de gângsters. Também, com um Judiciário desse ninguém precisa de inimigo.

José Serra é esperto e... golpista! Se livra dos holofotes do Itamaraty e assim evita mais pressão contra o governo do atraso e do retrocesso de espírito escravocrata, além de não perder o foro especial por prerrogativa de função, pois o tucano vendilhão e traidor da Pátria é senador. Contudo, não é somente isto que está em jogo. No Senado, Serra terá a proteção de seus pares e companheiros de sedição e de golpe contra a presidente legítima e constitucional Dilma Rousseff.

O governo tem maioria e os senadores, grande parte envolvida na Lava Jato, não irão deixar o José Serra na mão. Vale lembrar que o tucano também é figura carimbada dos escândalos de corrupção do Metrozão/Trenzão, no Estado de São Paulo, dentre muitos outros episódios nada modestos quando se trata de acusações e denúncias de corrupção contra o senador José Serra, conforme as notícias da imprensa alienígena amiga dos tucanos e dos procuradores e delegados de polícia. Ponto.

Supostamente com problemas de saúde — o político paulista já usou tais subterfúgios em outros episódios quando sob pressão —, Serra sai do palco iluminado e se resguarda, a fim de esperar ações que o blindem, não somente no Senado, mas, sobretudo, no STF e na PGR, que estão a cozinhar o galo que se veste de preto conhecido como Sérgio Moro, do PSDB do Paraná, que se deixa fotografar e a sorrir ao lado dos inimigos do PT, de Lula e de Dilma, a exemplo de João Dória, Aécio Neves, membros da família Marinho (nunca sei o nome dos irmãos de uma família conspiradora de golpes de estado contra presidentes trabalhistas), *mi-shell temer, Geraldo Alckmin e tucanos em geral, além de ter recebido o prêmio "Operário Padrão" das Organizações(?) Globo, que malandra como é, mudou seu nome para Grupo Globo.

Serra saiu do Itamaraty, pois seu projeto de entrega do pré-sal a estrangeiros está a ser efetivado de vento em popa. Missão cumprida. Além disso, o espertalhão, que age como leitão para poder mamar deitado, sabe que Rodrigo Não Devo Nada a Ninguém Janot, o procurador-geral da República, e o juiz (sic) do STF que vai ser empossado logo, logo, que responde pelo nome de Alexandre Lex Luthor de Moraes, bem como as presenças impolutas e politicamente conservadoras dos condestáveis Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Celso de Mello, Luiz Fux, Rosa Weber, Cármen Lúcia, dentre outros, permitirão que José Serra se sinta à vontade, seguro e satisfeito como pinto no lixo. Não somente o Serra, mas também muitos dos golpistas do PSDB e do PMDB, que tomaram o poder assalto mediante a um golpe.

A verdade é que o PSDB é e sempre foi o partido do sistema de capitais, das grandes corporações multinacionais e alinhado aos interesses dos governos dos Estados Unidos ou dos "Esteites" ou da "América", como gostam de falar com orgulho e admiração os coxinhas ignorantes sobre história, despolitizados e paneleiros de barrigas cheias e amantes do pato amarelo corrupto da Fiesp. Os coxinhas irremediavelmente colonizados,  detratores de seu próprio País e tão entreguistas quanto os donos dos meios de produção. Só que tem uma diferença: coxinhas são empregados e vivem de salários. É mole ou quer mais?

O PSDB tem o *temer nas mãos, e o golpista só cai do poder se o PSDB quiser. O presidente usurpador, denunciado e acusado 43 vezes somente pela Odebrecht é, na realidade, um fantoche e, por sua vez, tornou-se meramente um despachante do PSDB, que conquistou o poder. Nada importa aos delegados, procuradores e juízes se tucanos e peemedebistas estão envolvidos com corrupções. A Lava Jato é  um instrumento político e de opressão contra o Lula. Somente para o Lula, ainda mais que o líder trabalhista lidera todas as pesquisas de forma acachapante.

Volto a repetir: a Lava Jato, um covil de covardias e perseguições, não é, por exemplo, para o ex-presidente José Sarney, que foi pego com a mão na botija, a conspirar com o Sérgio Machado e o Romero Jucá sobre a queda de Dilma, ou seja, a conspirar também para obstruir as ações da Lava Jato. Entretanto, os políticos e partidários do STF, que também atuam como juízes, consideraram, sem vacilar, que José Sarney não poderá ficar nas mãos de Sérgio Moro. Só que Sarney não tem mandato e, por conseguinte, seu foro não é especial.

Todavia, o Lula está nas mãos persecutórias, injustas e partidárias de Sérgio Moro. Sim senhor. Lula foi presidente e, tal qual a Sarney, não tem mandato e foro privilegiado. Então, vamos à pergunta que não quer calar: há condições, mínimas que sejam, para confiar em um Supremo que se tornou minúsculo? Trata-se de uma corte que se apresenta muito menor que o Brasil e dele não é digno, que se tornou tenebrosamente partidária, muda e surda, pois cega sempre foi e pelo o andar da carruagem vai continuar a não enxergar os crimes daqueles que a Justiça defende e protege. É o fim da picada.

Obviamente que não dá para confiar, porque além deste episódio, Lula também foi impedido de assumir a Casa Civil enquanto o Moreira Angorá Franco pôde assumir cargo que o permita ter foro especial para não ter de responder à Lava Jato e sim ao STF. Dois pesos e duas medidas. É assim que a banda toca nessas paisagens tupiniquins. Dessa forma que se blinda os apaniguados e os testas de ferro do sistema político e econômico que assumiu o poder por intermédio do crime de golpe de estado.

A tucana Eliane Cantanhêde, a jornalista do partido da "massa cheirosa", o PSDB, quase me mata de rir, quando ela, do alto de sua inquieta alienação e de um elitismo que chega a ser arrivista, afirmou que os amigos de José Serra estavam preocupados com sua depressão. Segunda a moça da massa cheirosa, Serra, o coitadinho, "não estava feliz no cargo, que é muito distante da Fazenda com que sonhou, e temia entrar num bolo comum dos ministros e parlamentares da base aliada citados na Lava Jato". Bingo!

Serra, então, de acordo com a colunista tucana, é um homem muito importante para ser jogado na vala comum da Lava Jato. Apesar de sua incompetência comprovada, como ocorreu no Itamaraty, tanto que seus amigos preocupadíssimos com sua "depressão", sabiam, como sabe a Cantanhêde, que a agenda do chanceler golpista e usurpador do poder era vazia porque o tucano, na verdade, não tem expressão e foi tratado com um pária golpista da casa grande de país de terceiro mundo pela comunidade internacional.

As ações e declarações questionadoras no que tange aos golpistas se deram nos âmbitos da ONU, da OEA, da OIT, da OMS, do Mercosul e de outros órgãos internacionais, bem como por parte de deputados e senadores franceses e norte-americanos, das academias e universidades de inúmeros países e da poderosa imprensa capitalista estrangeira, que, evidentemente, não pode ser chamada pela direita cucaracha, colonizada, provinciana e tacanha do Brasil de comunista, bolivariana, petista ou adjetivos outros. Aí não dá. Serra representa a fraude e a farsa na política. Ele deixou o Itamaraty para se blindar melhor e sumir do mapa, o que é mais factível como senador do que como chanceler. Serra foi um fracasso retumbante como chanceler, porque jamais pensou além de seu umbigo.

A verdade é que José Serra está a dar o que chamam na gíria popular de "migué" ou está a dar uma de "João sem braço", o que é a mesma coisa. Por sua vez, seus aliados e partidários compreendem o panorama político deste Brasil de tradição golpista e civilizadamente atrasado, porque submetido há séculos à irresponsabilidade e à violência de uma casa grande bárbara que jamais, e em hipótese alguma, pensou o Brasil. Serra saiu do governo pária e ilegítimo para se blindar e ser protegido pelo Senado, PGR e STF. É isso aí.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Nº 20.973 - "Fim de Temer está mais próximo"

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24/02/2017

Fim de Temer está mais próximo


Brasil 247 - 24 de Fevereiro de 2017




por Paulo Moreira Leite


A providencial cirurgia na próstata anunciada por Eliseu Padilha, 24 horas depois de ter sido denunciado pelo amigo presidencial José Yunes como destinatário de uma mala de dinheiro, confirma que o fim de Michel Temer está próximo.

Por mais que seja possível insistir na coreografia -- e Brasília já viu muitos espetáculos semelhantes --  o governo acabou esta manhã.

A versão de que Padilha afasta-se do governo por razões médicas não merece credibilidade. A história inteira é outra.

Antes do depoimento de José Yunes vir a público, o chefe da Casa Civil seguia em sua vida normal de ministro e grande manda-chuva do Palácio. Por exemplo. Cinco dias depois da licença médica, tinha reunião marcada com empresários e sindicalistas envolvidos no debate sobre conteúdo local nos investimentos do pré-sal. Seria na quarta-feira de cinzas.

Sem Padilha, a solidão política de Temer chega ao nível da calamidade.

No final de novembro, no escândalo envolvendo uma cobertura milionária em Salvador, o outro amigo, Geddel Vieira Lima, já havia deixado a Secretaria de Governo.

Juntos há muitos anos, até há pouco eles formavam um trio azeitado, os verdadeiros chefes do grupo político que assumiu o Planalto após o golpe que derrubou Dilma.

Eram os protagonistas no centro das grandes decisões, aqueles com a palavra final nos assuntos graves e fundamentais -- inclusive nomear e demitir.

Funcionavam assim desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que deixou o Planalto em janeiro 2003, isto é, quatorze anos atrás. Em suas memórias FHC emprega a expressão "cheirando mal" para se referir a movimentos de Padilha -- sempre em companhia de Temer e Geddel -- para emplacar  um ministério, que, afinal, acabou conseguindo.

Olhando para o futuro próximo, basta recordar que as delações da Odebrecht ainda não saíram do forno. Ainda podemos aguardar pela Camargo Correa, OAS, para imaginar o que aguarda a última ponta do triângulo.

Por enquanto, basta lembrar que o próprio Yunes acertou o peito de Temer ao revelar -- empregando uma estranha linguagem de traficantes de drogas -- que tinha informado ao presidente que havia atuado como "mula" a serviço do chefe da Casa Civil.

Neste ambiente, a saída de Temer caminha para se tornar uma necessidade prática antes de se tornar um clamor nacional. Pode ser fruto de um ato de renúncia, voluntário e unilateral, possível a qualquer momento.

Outra hipótese é o julgamento pelo TSE. No inferno em que se transformou o governo, a cassação do mandato de Michel Temer será um favor.

Neste momento, o debate sobre a sucessão antecipada de Temer ganha corpo e velocidade.

Há uma operação vergonhosa em andamento. Depois de desrespeitar a Constituição quando isso era conveniente a seus interesses, as forças que articularam a derrubada de Dilma tentarão  esconder-se atrás da Carta de 1988 para operar um pleito indireto, num Congresso que o suíço Eduardo Cunha montou. Com isso, manterão o povo, mais uma vez, longe do direito de opinar sobre os destinos do país. Também será possível tentar algum lance de mágica para mudar o cenário atual para 2018, assim descrito na Folha de S. Paulo, edição de hoje, pelo insuspeito Reinaldo Azevedo: "as nuvens que se armam ameaçam jogar o país, mais uma vez, no colo das esquerdas. Tudo o mais constante (...), é ao encontro delas que marchamos."

Não é uma boa ideia. Só ajuda a criar tumultos desnecessários e incertezas. A solução -- urgente -- consiste em retomar o debate sobre a emenda que o obriga a realização de diretas-já, unica forma para o país recuperar a democracia.


Paulo Moreira Leite. O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília
Fim de Temer está mais próximo.
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