sábado, 10 de junho de 2017

Nº 21.590 - "Temer nega espionagem a Fachin. E quem acredita em Temer?"

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10/06/2017

Temer nega espionagem a Fachin. E quem acredita em Temer?


Do Tijolaço · 10/06/2017

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POR FERNANDO BRITO

Michel Temer disse que se reuniu com Joesley Batista por causa da “Operação Carne Fraca”, mas a operação só aconteceria dias depois do encontro.

Temer disse que Rodrigo Rocha Loures é pessoa de “boa índole”, e Loures  foi flagrado  com a mala de R$ 500 mil.

Temer disse que não viajou no jatinho de Joesley com Marcela e depois teve de voltar atrás dizendo que  sim, mas não sabia de quem era o avião.

Temer pediu tempo para responder às perguntas da PF, conseguiu, e depois mandou dizer que não ia responder a nenhuma.

Agora, Temer nega que tenha posto arapongas da Abin para fuçar as eventuais relações entre o Ministro Luiz Edson Fachin e o grupo JBS, há dois anos, quando de sua indicação e sabatina pelo Senado.

Alguém vai acreditar em Temer, depois de tantas?

O sinal de que não se acreditou foi  a dura nota emitida pela Ministra Cármen Lúcia, que chega a ameaçar com responsabilização penal:

“O Supremo Tribunal Federal repudia, com veemência, espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça. Se comprovada a sua ocorrência, em qualquer tempo, as consequências jurídicas, políticas e institucionais terão a intensidade do gravame cometido, como determinado pelo direito”.

A denúncia da Veja, que parece ter sido redigida de forma a despistar sobre sua verdadeira fonte – a revista diz que foi “um auxiliar do presidente Michel Temer, que pediu para se manter no anonimato porque não está autorizado a falar publicamente sobre o assunto”, como se algum auxiliar pudesse ser “autorizado a falar publicamente” sobre um crime cometido por ordem presidencial – não teria tido maiores consequência se alguém ainda pudesse dar a Temer  alguma credibilidade.

Mas, como todos sabem que é um mentiroso contumaz. não adianta nem jurar.

O nosso Pinóquio do Palácio, que chegou ao poder pela mentira, com a mentira permanece lá.

E, ao contrário do boneco da fábula de  Carlo Collodi que toda criança sabe, nem mesmo um grilo falante tem como consciência.
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