quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Nº 22.148 - "Bob Fernandes, o parlamentarismo e os ratos"

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23/08/2017

Bob Fernandes, o parlamentarismo e os ratos


Do Tijolaço - 23/08/2017

laerteparla

Imperdível o comentário de Bob Fernandes no Jornal da Gazeta da noite passada, que transcrevo a seguir e reproduzo, em vídeo, ao final. Sem deixar de mostrar a todos a magnífica charge do Laerte, na Folha, que resume toda a ópera. Ópera bufa.
Temer diz que semipresidencialismo seria “muito útil para o país”. Útil para ele e para a outra metade desse “semi”.
A primeira metade do semi seria o presidente. Outra metade seria o Congresso, que elegeria o Chefe do governo. Como no sistema parlamentarista.
Imaginem, só por hipótese, o desastre: o Brasil governado por um Temer e por um Chefe escolhido por um congresso igual ao de hoje?
Temer sinaliza para esse congresso algo assim como “tamo junto, vamo junto nas próximas”. São esses que querem semipresidencialísmo, distritão ou assemelhados. 
Essa aberração seria perpetuar o que está ai: um presidente sem votos que chegou ao Poder numa farsa executada, no último ato, pelo pior Congresso da história.
Se aprovado, o modelo eleitoral “distritão” consolida o desastre.
Esse modelo elege o mais votado em cada distrito. Na aparência é legal. Na prática, favorece a manutenção dos que já estão e liquida de vez com a fidelidade partidária.
E nos distritos em que quem tem poder e dinheiro é o narcotráfico?
E quem terá chance nos distritos em que candidato é célebre por ter exposição numa rádio? Ou numa TV? Ou em igrejas? Que congresso e governo saem disso?
Isso para o futuro. Para o presente temos: “Para fazer caixa governo propõe privatizar a Eletrobras”.
Motivo caixa à parte: quem terá, na prática, o controle de decisões estratégicas no setor energético?
Quais países importantes do mundo abrem mão do controle de decisões estratégicas nesse setor?
Já presente no controle e distribuição de energia em boa parte do Brasil, a China mantém o seu setor energético sob absoluto controle.
E não apenas a China entre países que sejam ou pretendam ser grandes e independentes.
E notícias preocupantes em outra frente: hoje o Bom Dia Brasil, da Globo, informou: ratos estão tomando conta das ruas de São Paulo.
“Eles estão se multiplicando”, alerta o biólogo Randy Baldresca, que descreve os três tipos: rato-de-telhado, camundongo e ratazana.

Nº 22.147 - "A aberração da venda da Eletrobras, por Luis Nassif"

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23/08/2017

A aberração da venda da Eletrobras, por Luis Nassif



Jornal GGN - TER, 22/08/2017 - 16:38 ATUALIZADO EM 22/08/2017 - 18:21




Luis Nassif

O anúncio de venda da Eletrobras para fazer caixa é uma das iniciativas mais aberrantes do governo Temer. A ideia da “democratização do capital” e a comparação com a Vale e a Embraer é esdrúxula. Ambas estão na economia competitiva enquanto a Eletrobrás é uma concessionária de serviços públicos, estratégica para o país.

A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras.

A Eletrobras está sendo contruída desde 1953 e exigiu investimentos calculados em R$ 400 bilhões do povo brasileiro. Além da capacidade geradora, que equivale a meia Itaiupu, a Eletrobras controla linhas de transmissão, seis distribuidoras e a Eletronuclear, empresa estratégica que detém as únicas usinas nucleares brasileiras.


O modelo elétrico brasileiro é uma obra de engenharia fanrtástica, resultado do pensamento estratégico de especialistas como Octávio Marcondes Ferraz, Mário Thibau, Mário Bhering, um conjunto de técnicos da Cemig – que também corre risco idêntico.

No governo Fernando Henrique Cardoso, o desmonte irresponsável desse modelo promoveu um encarecimento brutal das tarifas, que acabou tiraqndo a competitividade brasileira em vários setores eletro intensivos. Lá, como ágora, moviam-se exclusivamente por visão ideológica, sem um pingo de preocupação com a lógica de um sistema integrado.

O comprador com toda probabilidade será um grupo chinês que por 20 bilhões de reais assumirá o provavelmente maior parque de geração hidroelétrica do planeta. É realmente inacreditável o nível de improvisação, cegueira estratégica, leviandade suspeita atrás desse tipo de decisão de quebra-galho financeiro.

Nos EUA, o parque hidroelétrico, que corresponde a 15% da matriz energética , é estatal federal, porque lá se acredita que energia elétrica, que envolve recursos hídricos são de interesse nacional e não podem ser privados. Lá há muito cuidado com água, rios e represas e nunca se pensou em privatizar.

A ideia de privatizar estava obvia quando a rainha das privatizações da Era FHC  Elena Landau foi colocada como presidente do Conselho da empresa. Há um mês pediu demissão para não ficar evidente demais sua presença com o anúncio da privatização, ligando a lembranças de sua atuação no governo tucano.


Para completar o pesadelo, o Ministro de Minas e Energia é um rapaz de 33 anos, formado em administração de empresas pela FAAP, sem qualquer especialização na área e representando o histórico PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO, de ilustres nomes como João Mangabeira, que deve estar se revirando na tumba com tal iniciativa por  um "socialista" pernambucano.

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Nº 22.146 - "Caravana de Lula mostra na prática a construção de uma frente ampla"


23/08/2017


Caravana de Lula mostra na prática a construção de uma frente ampla


Brasil 247 - 23 de Agosto de 2017



por DANIEL SAMAM

Daniel SamamMuitos do campo progressista e de esquerda apontam a necessidade latente de construção de uma frente ampla e democrática para se contrapor à vendeta neoliberal, ao desmonte do Estado brasileiro e ao entreguista governo Temer. Tenho pleno acordo e é nessa direção que tenho contribuído junto ao meu grupo político, no PT, e na Frente Brasil Popular.

O problema é que alguns setores da esquerda que pregam a construção de uma frente ampla e democrática, negam de antemão a possibilidade de aglutinar forças de centro nesta construção. Um contrassenso, convenhamos.

No entanto, é Lula quem mostra na prática o caminho para a construção de uma grande frente democrática e popular em defesa do Brasil. As presenças do governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), de Renan Calheiros e Renan Filho, senador e governador do PMDB em Alagoas, nos comícios robustos e em tom claramente contra Temer, têm exatamente esse significado. Não para alguns setores da esquerda pautados pelo moralismo e afetados por um sectarismo incompatível com a grave conjuntura que vivemos.

A caravana Lula pelo Brasil já alcançou um resultado muito acima do esperado, pois revela a capacidade de Lula trazer o povo pra luta política, reacendendo a esperança e apontando o caminho para a saída progressista, popular e democrática para a grave crise que assola o país. O objetivo da caravana de Lula pelo Brasil é a construção de um projeto de país. E ele sabe disso. Por isso, Lula tem ouvido muito mais que falado.


Há quem avalie que o golpe de 2016 só se deu pela perda da mediação política com o centro. Eu, inclusive, sou um dos que pensa assim. Por isso, a caravana de Lula pelo Brasil é uma tentativa bem sucedida de, caso seja candidato, Lula tenha amplitude e margem de manobra junto a diversas forças políticas para a formação de um caldo social e político capaz de sustentar um programa mínimo para vencer e, vencendo, seja capaz de governar.


Daniel Samam é Músico, Educador e Editor do Blog de Canhota. Está Coordenador do Núcleo Celso Furtado (PT-RJ) e está membro do diretório zonal (grande Tijuca) do PT-RJ
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Nº 22.145 - "Lula é do povo, ama o povo e tem a força do povo"

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23/08/2017

Lula é do povo, ama o povo e tem a força do povo


Brasil 247 - 21 de Agosto de 2017


por LAUREZ CERQUEIRA

Laurez CerqueiraLula é do povo, ama o povo, tem a força do povo e ninguém vai tirar, nem dele nem do povo, a capacidade de lutar contra as injustiças. Ele tem sete vidas e o povo também.

Duvido que alguém dos vivos desta terra tenha doado mais da própria vida ao Brasil, tenha recebido mais títulos de Doutor Honoris Causa, das mais importantes universidades internacionais e nacionais, e, ao mesmo tempo, tenha sofrido mais perseguição política e injustiças do que Lula.

Ele é o maior líder da história do Brasil, queiram ou não, arrasta multidões de trabalhadores e trabalhadoras por ruas e praças das cidades de norte a sul do país por que quer simplesmente justiça.

Lula foi preso na ditadura no dia 19 de abril de 1980, porque lutava ao lado do povo nas greves do ABC, em São Paulo, queria justiça e democracia. Foi achincalhado por procuradores com um power point e acusado publicamente, numa coletiva à imprensa, de ser "chefe de quadrilha". Antes, o ex-presidente foi detido pela Polícia Federal em sua própria residência e humilhado, ao ser levado para depor por meio de condução coercitiva.

Trinta e sete anos depois de ser preso injustamente pelos militares, foi condenado, sem nenhuma prova, pelo juiz de primeira instância, Sérgio Moro, no dia 12 de julho de 2017, a nove anos e seis meses de prisão, aos 71 anos de idade, depois de ter sido presidente da República, eleito duas vezes pela imensa maioria dos votos da população.

Os procuradores e o juiz se comportaram como dois "Capitães do Mato".

Tudo isso porque Lula governou com prioridade para os de baixo, mobilizou o povo e fez um dos mais nobres gestos democráticos da história do Brasil: organizou o Foro de Desenvolvimento Econômico Social, sentou-se numa mesa com trabalhadores, empresários, banqueiros, autoridades, acadêmicos e intelectuais, debateu e negociou um grande projeto de desenvolvimento sustentável e inclusão social para o país, tendo o Estado como indutor do crescimento e a Constituição de 1988 como referência para fazer valer os direitos conquistados pela imensa população que vivia cruel apartheid social no Brasil desde os tempos coloniais.

Propiciou a trabalhadores e trabalhadoras de comunidades rurais e urbanas, de toda diversidade étnica do país, a cidadania, o acesso a direitos inscritos na Constituição (Art. 6º "São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição") e gerou mais de 20 milhões de empregos.

O atraso organizado, cristalizado na elite empresarial, ainda de mentalidade colonial, preferiu demolir, com o golpe de Estado, o projeto de desenvolvimento sustentável, com inclusão social e soberania, e, junto, derrubar as estruturas institucionais da República, que tentavam se firmando como pilares da democracia, para tentar rearticular o poder das velhas oligarquias, dos rentistas.

Preferiu tudo isso a admitir a cidadania do povo, a democracia, os direitos sociais assegurados na Constituição. Para o atraso organizado, direitos para os de baixo ameaçam a velha ordem colonial, os grandes negócios das corporações transnacionais, os interesses de sempre das nações centrais.

Acontece que o povo experimentou os direitos e parece que não vai aceitar o retrocesso, a ressubordinação aos poderosos. Está mandando um recado a eles, por meio de pesquisas eleitorais, que quer de volta o que lhe foi tirado. Se não o tirarem da disputa eleitoral, Lula vai levantar o povo e firmar o resultado das eleições.


O início da caravana da cidadania em Salvador, marcado pela comoção de uma multidão de pessoas aos brados de "Lula guerreiro, do povo brasileiro" deu a dimensão disso, mostrou que o desejo de retomada da democracia e dos direitos é latente no povo e deve se espalhar por todo o país como uma onda de rebelião pacífica e consciente para recolocar o país nos trilhos, que se descarrilhou com o golpe de Estado.


LAUREZ CERQUEIRA.Autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes - vida e obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; e O Outro Lado do Real

Nº 22.144 - "VÍDEO: Na segunda reportagem da série sobre Lava Jato, advogado conta como Moro usurpou competência do STF "


23/08/2017

VÍDEO: Na segunda reportagem da série sobre Lava Jato, advogado conta como Moro usurpou competência do STF



Por Diario do Centro do Mundo - 23 de agosto de 2017
Este vídeo é parte do crowdfunding do DCM sobre a Lava Jato.

Nº 22.143 - "Paulo Teixeira: “Reforma” política é arranjo para conservar a base Cunha-Temer-Aécio"


23/08/2017

Paulo Teixeira: “Reforma” política é arranjo para conservar a base Cunha-Temer-Aécio


Do Viomundo - 22 de agosto de 2017 às 18h55
    



REFORMA POLÍTICA: QUEREM MUDAR PARA CONSERVAR

por Paulo Teixeira*


Resultado de imagem para Deputado federal paulo teixeira do PT/SPA proposta de reforma política que está para ser votada na Câmara dos Deputados é inaceitável e traz de volta aquela velha máxima: “algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Seu ponto principal é o chamado Distritão, um modelo de sistema eleitoral por voto local e majoritário.

É uma lei para conservar a base Cunha-Temer-Aécio, já que favorece candidatos com maior poder econômico, político e midiático e evita uma renovação na próxima legislatura.

Uma alternativa ao sistema eleitoral atual de lista aberta e voto uninominal seria o sistema distrital misto e proporcional, onde metade das cargos seriam eleitos pelos distritos e a outra metade  em listas partidárias, respeitando a proporção dos votos dados em cada partido no cômputo final das vagas.

Nesse momento temos que evitar os retrocessos.

Além do distritão, sistema de adotado em poucos países, como a Jordânia e o Afeganistão, há uma tentativa de retorno ao financiamento empresarial de campanhas, responsável pela crise política atual.

O financiamento de campanhas por empresas faz com que os grandes grupos econômicos dominem a política. É preciso adotar o financiamento público e baratear as campanhas por meio de tetos de gastos baixos, evitando um desequilíbrio econômico na disputa por cargos públicos.

Essas medidas devem estar aliadas a limites baixos de auto-contribuição e de contribuição de pessoa física. Além disso, vamos trabalhar para implementar uma cláusula de barreira e o fim das coligações partidárias como mecanismos para diminuir o grande número de partidos no Brasil.

O caminho correto para fazer uma reforma política é a convocação de uma assembléia nacional constituinte exclusiva para esse fim, para que as mulheres, os negros, os indígenas, enfim, o povo brasileiro seja representado no parlamento.



*Paulo Teixeira. Deputado federal do PT/SP

Nº 22.142 - "O golpe sumiu com o risco do 'apagão'? "


23/08/2017

O golpe sumiu com o risco do “apagão”?


Do Tijolaço · 22/08/2017


amorimluz

POR FERNANDO BRITO


No artigo que escreveu sobre a privatização da Eletrobras, a presidente deposta Dilma Rousseff fala em riscos de “apagão”.

Estranho, não é?

Pois não era no governo dela, sobretudo nos anos de 2014 e de 2015 que se falava que o Brasil estava sob risco de apagão?

E agora, praticamente não se fala nisso, exceto por uma pequena notinha ou outra?

Aos números, para ver se Dilma está enxergando chifre em cabeça de cavalo, já que a nossa mui digna e sábia imprensa não fala disso.

Em 21 de agosto de 2015, uma sexta-feira (dias úteis apresentam consumo maior), o Brasil tinha uma reserva hídrica para geração de energia equivalente a 109.828 megawatt/mês , diante de uma capacidade total de armazenamento de 291 mil MW/mês. Tinha, portanto, 37,63% de suas reservas máximas.

Ontem, esta percentagem baixava a 34,3%, com 96.948 MW equivalentes em água acumulada nos reservatórios.

Em todas as regiões, o nível é pior: no Sul, em 2017,  60,6% contra 83,2% em 2015; no Norte,  54,5% agora contra  68,7%. E no Sudeste e Nordeste, que respondem por 5/6 de toda a capacidade geradora nacional, respectivamente, 34,2% e 13,5% agora contra 35,4 e 20 dois anos atrás.

A situação só não está pior porque a demanda – a carga de consumo – caiu com a crise: de 61 MW médios para 60,3 MWm, com uma pequena importação de energia para compensar.

Quer dizer que vamos ter apagão?

Não, é claro, porque só um irresponsável “adivinha” quando chegarão as chuvas.

Mas significa que teremos energia elétrica mais cara, sem nenhuma dúvida, por pelo menos quatro meses, por conta do custo das usinas térmicas, que naquele dia de 2015, respondiam por 20,4% da demanda e ontem por 24,4%.

E situações dramáticas em muitas regiões do Nordeste, pois estão sendo ordenadas vazões que o reservatório mais importante da região – Sobradinho – não tem condições de sustentar, reduzido como está a com 8,3% de sua capacidade, o que já compromete a captação de água para a irrigação da agricultura.

A diferença entre a situação energética de então e a de agora está em apenas uma coisa: a imprensa.

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Nº 22.141 - "Dilma e a Privatifaria da Eletrobras"

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22/08/2017

Dilma e a Privatifaria da Eletrobras

"Uma traição aos interesses da Nação"


Conversa Afiada - 22/08/2017


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Conversa Afiada reproduz nota da Presidenta Dilma Rousseff:

PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS VAI CAUSAR AUMENTO DE TARIFAS, INSEGURANÇA E APAGÕES


Dilma Rousseff

A privatização da Eletrobras, um dos mais novos retrocessos anunciados pela agenda golpista, será um crime contra a soberania nacional, contra a segurança energética do país e contra o povo brasileiro, que terá uma conta de luz mais alta.
Um delito dos mais graves, que deveria ser tratado como uma traição aos interesses da Nação.
Maior empresa de produção e distribuição de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras garante o acesso à energia a um país de dimensões continentais, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e com uma economia diversificada, que está entre as mais complexas do mundo.
A sua privatização, e provável entrega a grupos estrangeiros, acabará com a segurança energética do Brasil. Submeterá o país a aumentos constantes e abusivos de tarifas, à desestruturação do fornecimento de energia, a riscos na distribuição e, inevitavelmente, à ameaça permanente de apagões e blecautes. Devemos todos lembrar do ano de racionamento de energia no governo FHC.
O governo tem dois motivos principais para privatizar uma grande empresa como a Eletrobras: a aplicação da pauta neoliberal, rejeitada por quatro vezes nas urnas, e que é compromisso do golpe implantar; e o desespero para fazer caixa e tentar diminuir o impacto de um dos maiores rombos fiscais da nossa história contemporânea, produzido por um governo que prometia resolver o déficit por meio de um surto de confiança que não veio e um passe de mágica que não produziu. Produziu, sim, a compra de votos por meio da distribuição de benesses e emendas.
O meu governo anunciou déficit de R$ 124 bi para 2016 e de R$ 58 bilhões para 2017, que seriam cobertos com redução de desonerações, a recriação da CPMF e corte de gastos não prioritários. O governo que assumiu por meio de um golpe parlamentar inflou a previsão de déficit para R$ 170 bi, em 2016 e R$ 139 bi, em 2017. Inventou uma folga para mostrar serviço à opinião pública, e nem isto conseguiu fazer. Agora, quer ampliar o rombo para R$ 159 bi. Mas não vai ficar nisso. Aumentará o déficit, no Congresso, para R$ 170 bi, para atender às emendas dos parlamentares de que precisa para aprovar sua pauta regressiva. Para isto, precisa dilapidar o estado e a soberania nacional. E forjar uma suposta necessidade de vender a Eletrobras é parte desta pauta.
Atribuir uma suposta necessidade de privatização da Eletrobras ao meu governo, por ter promovido uma redução das tarifas de energia, é um embuste dos usurpadores, que a a imprensa golpista difunde por pura má-fé. É a retórica mentirosa do golpismo.
As tarifas de energia deveriam mesmo ter sido reduzidas, como foram durante o meu governo,. Não porque nós entendêssemos que isto era bom para o povo – o que já seria um motivo razoável – mas porque se tratava de uma questão que estava e está prevista em todos os contratos que são firmados para a construção de hidroelétricas. Depois da população pagar por 30 anos o investimento realizado para construir as usinas, por meio de suas contas de luz, é uma questão não apenas de contrato, mas de justiça e de honestidade diminuir as tarifas, cobrando só por sua operação e manutenção. Manter as tarifas no mesmo nível em que estavam seria um roubo. Por isso reduzimos e temos orgulho de tê-lo feito. Com a privatização, será ainda um roubo.
Vou repetir a explicação, porque a Globo faz de tudo para distorcer os fatos e mentir sobre eles. Quando uma hidrelétrica é construída por uma empresa de energia – pública ou privada – quem paga pela sua construção é o consumidor. A amortização do custo da obra leva geralmente 30 anos e, durante este tempo, quem paga a conta deste gasto vultoso é o usuário da energia elétrica, por meio de suas contas de luz.
Quando a hidrelétrica está pronta, o único custo da empresa de energia passa a ser a operação e a manutenção. Daí, é justo que o povo deixe de continuar pagando por uma obra que já foi feita e, depois de 30 anos, devidamente paga. É mais do que justificado, portanto, que as tarifas que custearam a construção sejam reduzidas.
Se as empresas de energia – públicas ou privadas – mantiverem as tarifas no mesmo nível, e eventualmente até impuserem aumentos nas contas de luz, estarão tirando com mão de gato um dinheiro que não é delas. É uma forma de estelionato. Não se deve esperar que empresas unicamente privadas, cujo objetivo é principalmente a lucratividade de sua atuação, entendam que uma equação justa deveria impor modicidade tarifária quando os custos altos da construção de uma usina hidrelétrica já não existem mais.
Apenas o Estado – um estado democrático e socialmente justo – tem condições de entender esta situação e autoridade para agir em defesa dos interesses dos consumidores.
Entregar a Eletrobras e suas usinas já amortizadas para algum grupo privado, talvez estrangeiro, significa fazer o consumidor de energia pagar uma segunda vez pelo que já pagou, além de abrir mão de qualquer conceito estratégico em relação à produção, distribuição e fornecimento de energia com segurança e sem interrupções e apagões.
Privatizar a Eletrobras é um erro estratégico. Erro tão grave quanto está sendo a privatização de segmentos da Petrobras. No passado, essas privatizações já foram tentadas pelos mesmos integrantes do PSDB que hoje dividem o poder com os golpistas. Naquela época, isso só não ocorreu porque os seus trabalhadores e o povo brasileiro não permitiram. Mais uma vez devemos lutar para não permitir.

Nº 22.140 - " A 'condução coercitiva' de Lula. Pelo povo, veja só "

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22/08/2017

A “condução coercitiva” de Lula. Pelo povo, veja só



Do Tijolaço - 22/08/2017


onibuslula


por Fernando Brito  


Não é meu, mas o lugar se chama Campo do Brito e fica entre Lagarto e Itabaiana, em Sergipe.
Lá, uma multidão fez parar o ônibus que conduzia Lula para o comício noturno na segunda cidade e o obrigou a descer, para abraçá-lo.
Uma condução coercitiva do tipo que Lula merece.
E que explica e prova o que se escreveu aqui, com palavras roubadas do professor Wanderley Guilherme dos Santos:  “a direita e a esquerda de nariz torcido evitam reconhecer que a indestrutibilidade de Lula não é propaganda partidária, mas fenômeno sociológico”.
Acompanhei cenas assim, no interior do Rio de Janeiro e no do Rio Grande do Sul, com Leonel Brizola. Seus braços ficavam roxos de tantos puxões e agarrões recebidos do povo.
É o “corpo de delito” da sua significação pública.
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Nº 22.139 - "Wanderley: Lula é indestrutível!"


22/08/2017


Wanderley: Lula é indestrutível!

Do Cafezinho 21/08/2017 Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Redação



 


O FEDOR DA FORÇA BRUTA


Por Wanderley Guilherme dos Santos,  blog Segunda Opinião

21 de agosto de 2017

O Golpe de 2016 expulsou a representação popular do circuito legal do poder executivo. A violência continua, exonerando técnicos de governo por suspeitada simpatia pelas teses econômicas e sociais progressistas. Evitar a qualquer custo o retorno legítimo de representantes populares ao Executivo resume a cláusula pétrea do breviário golpista. Atenção para o “evitar a qualquer custo”. Não se trata de recurso estilístico de mau gosto: indica o compromisso prioritário dos reacionários com a manutenção da liderança golpeada no ostracismo. Antes ou depois da vitória eleitoral da oposição popular.

A coalizão reacionária não tem programa a oferecer. Desastrosos resultados de iniciativas delirantemente privatistas e antinacionais esgotaram a mínima reserva de expectativas, até daquela parte da população brasileira solidária com a truculência primitiva. Prometer o quê? Privatizar a Caixa Econômica e o Banco do Brasil? Fechar a Embrapa, o Ita, a Embraer? Alugar o BNDES ao sistema financeiro? Ceder a base de lançamento de foguetes de Alcântara aos Estados Unidos? Reafirmar a crença de que o mercado resolverá, em algum momento inespecífico do futuro, os problemas de emprego, renda, miséria e desigualdade? A derrota é inevitável.

O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é indestrutível. Ele ascendeu àquela região em que a pessoa física continua vulnerável, mas o poder mobilizador permanece inalterado. A direita e a esquerda de nariz torcido evitam reconhecer que a indestrutibilidade de Lula não é propaganda partidária, mas fenômeno sociológico. Terá parentesco com crenças religiosas, sim, porém com fundamento empírico inegável. Por isso, a menos da descoberta de contas abrigando, no mínimo, um Pedro Barusco, as trampolinagens jurídicas que apresentam um apartamento em Guarujá e sítio em Atibaia como prova de corrupção resvalam para o vazio da fúria impotente. Sabe a maioria da população que, na bichada cultura cívica brasileira, a corrupção está “precificada”, como lá dizem os corruptos. Doações inferiores ao valor de venda de um apartamento, arbitrado pela família de Aécio Neves junto aos potentados da JBS, somado ao empréstimo obtido dos mesmos irmãos açougueiros, e às propinas que surgirão das obras da cidade administrativa de Minas Gerais e de Furnas, aquém desse montante, avaliam os empreiteiros, os burocratas e os políticos, não se trata de corrupção, é troco. E nem isso os ferozes curitibanos comprovaram.

O manual cotidiano entregue à população brasileira tem sido esse: profissionais liberais que sonegam o imposto de renda e chantageiam os clientes com preços diferenciados, com e sem recibo; ainda quantidade assustadora dos restaurantes, papelarias, lojas de roupas, farmácias, padarias, supermercados não dão nota fiscal e ninguém reclama; os jogos de azar (jogo do bicho, corridas de todo tipo de animal, bingos, cassinos) são de conhecimento geral e, à exceção dos cassinos, operando às claras. O consagrado intermediário nas negociações ilegais entre a população e o varejo dos serviços públicos é o famoso “despachante”. Há estratificação de credibilidade e renda entre eles, estabelecidas pelo mercado, em função da celeridade dos resultados e economia no valor do suborno vencedor. A população foi ensinada a ser cínica, cultivar elevadíssimo limiar de indignação diante de absurdos e a incorporá-los aos cálculos de sobrevivência. Reagir individualmente é arriscar-se à antipatia social.


A caravana iniciada por Lula, agora em agosto de 2017, será irresistível. É razoável esperar que os radicais direitistas inaugurem a violência física. O pavor dos reacionários os levará à criação de problemas a granel e a intensifica-los de tal modo que a urgência de soluções tenderá a romper os prazos com que a democracia opera. É o que esperam para que a cláusula golpista mantenha-se pétrea: o voto popular deixará de ser o único recurso para chegar ao poder. Sinto o fedor da força bruta.

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Nº 22.138 - "Venda da Eletrobras é renúncia do Brasil a ter política energética"

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22/08/2017

Venda da Eletrobras é renúncia do Brasil a ter política energética



Do Tijolaço · 21/08/2017

eletrobras



Por Fernando Brito


Em 1954, o então Presidente  Getúlio Vargas propôs a criação  da Eletrobras, para dotar o Brasil deuma política nacional de energia elétrica, num paós onde faltava, mesmo nas grandes cidades, luz elétrica, o que que dirá energia  para industrializar-se.

O imposto proposto por Getúlio, para “financiar instalações de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica” foi aprovado sete dias depois de sua morte, na Lei Nº 2.308, de  31 de agosto de 1954. A criação de empresa que ia usa-lo para isso, porém, não.

Durante sete anos um Congresso dominado por forças antipátria  atrasaram sua criação – e Vargas o citou  na Carta-Testamento: “A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero” – só efetivada com João Goulart.

O regime militar, que era ditatorial mas não um completo vendilhão da pátria e tinha vapores de desenvolvimento do país a preservou e expandiu.

Criou, inclusive, outros mecanismos tributários para expandir a produção de energia, portanto, usando nisso dinheiro público.

Sarney arruinou isso, aceitando a articulação de José Serra, que deslocou para os estados consumidores (leia-se São Paulo) qo grande peso tributário da energia.

Energia que tem de ser distribuída, a preços perversos, a todas as regiões e áreas do país, não por uma simples “lei de mercado”.

Agora, tal com está fazendo com os direitos do trabalho, o governo Temer prepara-se para ir além do que fez Fernando Henrique Cardoso, que vendeu usinas, linhas de transmissão e concessionárias de distribuição, mas preservou a coluna dorsal do sistema elétrico.

Lula retirou, em 2004, a Eletrobras do Programa Nacional de Desestatização.

A empresa participou da maioria dos programas de expansão da produção de eletricidade no Brasil, diretamente ou através de suas controladas, especialmente Eletronorte e Furnas, tanto quanto como antes havia assumido a distribuição nas áreas menos rentáveis do Norte e Nordeste brasileiros.

Apesar de todo o “depenamento”, o sistema Eletrobrás ainda é responsável por 40% de toda energia que se produz no Brasil ( metade de Itaipu e e de Belo Monte) e quase 60 % das linhas de transmissão elétrica.

Agora, o Governo Temer vai entregá-la aos grupos privados, por um valor miserável que equivale a apenas um ano do aumento que impôs aos combustíveis.

Ou seja, nada.

Um país que abre mão do controle de sua capacidade de produzir energia, abre mão de sua capacidade de desenvolver-se.

Talvez Temer tenha razão: já que acaminhamos para o passado, que mal há em vender o futuro?

Nº 22.137 - "Brasil abre suas selvas e fronteiras aos EUA por ter um governo ilegítimo, pária, colonizado, subalterno, covarde e de ladrões"


22/08/2017


Brasil abre suas selvas e fronteiras aos EUA por ter um governo ilegítimo, pária, colonizado, subalterno, covarde e de ladrões



Palavra Livresegunda-feira, 21 de agosto de 2017



Por Davis Sena Filho 

Se é verdade que uma tropa do exército dos Estados Unidos participará de exercício militar, que, de acordo com os analistas e observadores de segurança militar e de territórios as ações militares serão de dez dias, realmente e definitivamente passa não ser necessário explicar que o desgoverno de *mi-shell temer, o mais fracassado, incompetente em todos os segmentos de atividades humana e o mais entreguista da história da República, chegou ao fundo do poço, como a maior praga que assolou, desmoralizou e humilhou o povo brasileiro — a Nação.

Jamais, em tempo algum, o Brasil se subordinou tanto, ao ponto de dobrar seus joelhos e não conseguir se levantar. Trata-se da entrega total do País por parte de ladrões e bandoleiros, que tomaram de assalto o Palácio do Planalto, como fazem os bandidos e delinquentes nas ruas, nas lojas e nas residências das cidades. Quadrilheiros de colarinhos brancos que já foram fotografados, filmados gravados, confiscados documentos e provas e contraprovas de delatores, igualmente bandidos celerados, contra a escória que tomou de vez os poderes da República, para transformar o Brasil em terra de ninguém, sendo que sua posição nos índices de violência é uma das maiores do mundo.

Agora o golpista e usurpador pária, que traiu e trai a Nação, cujo vulgo é *mi-shell temer, enfia goela abaixo do povo brasileiro uma gringada yankee violenta, ladra, colonizadora e imperialista para tomar fé do território da Amazônia, conhecer o território brasileiro in loco, bem como fazer exercícios de guerra contra um povo e país irmãos, que são os venezuelanos e a Venezuela.

O fantoche do Planalto, o pau mandado, o apátrida e bastardo do povo, assim como desprovido de sentimento de nacionalidade e soberania, trai a eleita e constitucional Dilma Rousseff, assume o poder de forma ilegítima, sem quaisquer votos e legitimidade e resolve mais uma vez fazer um monte de merda, como se aliar à repressão e à opressão dos EUA, quando não têm seus interesses econômicos e geopolíticos atendidos e concretizados.

*mi-shell temer e seu capataz do Itamaraty, o tucano Aloysio Nunes Ferreira, além de instalarem a "diplomacia do tirar os sapatos e abaixar as calças" para os EUA e os países colonialistas da Europa, agora os golpistas fundamentalistas do mercado inauguram a "diplomacia prostituída", a fim de fazer com que o Brasil se torne, insofismavelmente, um país anão, insignificante, bananeiro, cucaracha, dependente, subalterno, atrasado e com vocação para o retrocesso, o fracasso, a miséria e a pobreza.

Tudo isto para manter o Brasil como "michê" de estimação, a ser uma Nação ad aeternum ultrajada e humilhada para que os golpistas e seus associados do empresariado, do Judiciário e do Congresso mantenham seus privilégios e benefícios eternamente, de forma que o Estado nacional seja um instrumento de cooperação dos interesses da casa grande brasileira e da plutocracia internacional.    

Esse processo terrível e vexatório que afundou o Brasil, pois praticado por um desgoverno de direita capitaneado por um sujeito sem moral e que diuturnamente entrega o Brasil e retira direitos e benefícios conquistados pelo povo brasileiro no decorrer de décadas a fio, e, por sua vez, permite que tropas estrangeiras do país que mais faz guerras no mundo e assassina milhares de pessoas todo o ano, a destruir economias inteiras de países que não rezaram por sua cartilha homicida e de interesse exploratório, consolide sua presença física, por intermédio de tropas militares alienígenas aos interesses estratégicos de defesa do Brasil e da América do Sul.

Porém, a submissão do governo fantoche e colonizado aos EUA não surpreende. Quando os golpistas de direita tomaram de assalto a Presidência da República, o sorrateiro e traiçoeiro José Serra (PSDB/SP), autor do projeto que entrega a Petrobras e o Pré-Sal à gringada pirata, malandra e esperta, deu início à expulsão da Venezuela do Mercosul. Isto mesmo, o capacho dos yankees começou a política de enfrentamento contra o governo de esquerda a soberano de Nicolás Maduro, a fazer com que o país do norte da América do Sul fosse isolado economicamente e culturalmente, de forma a favorecer o processo de golpe de estado contra o governo daquele país soberano, que jamais aceitou a interferência estrangeira em seus assuntos e decisões internos.

Diferente do Brasil, um país que se tornou pigmeu diplomático e satélite do círculo de influência dos Estados Unidos, que por meio do presidente de extrema direita, Donald Trump, ameaçou a Venezuela de invasão nas barbas do Brasil e de sua diplomacia subalterna e subserviente, que virou piada internacional, a humilhar todos os brasileiros que tenham um pingo de vergonha na cara e que fazem oposição ao desgoverno da escumalha ou da corja que transformou o Palácio do Planalto em um covil de patifes e bandoleiros, que têm irremediavelmente profundo desprezo e ódio ao povo brasileiro, o mesmo que sustenta a opulência e a riqueza da casa grande, que, desgraçadamente, não possui projeto de soberania e desenvolvimento para o País, porque jamais teve a dignidade de pensá-lo.   
   
O Brasil praticamente abandonou os Brics, seu poderoso banco, o G-20, a Unasul e o Mercosul. Não luta mais para integrar o Conselho de Segurança da ONU, abandonou a diplomacia Sul-Sul, a se integrar com a África, bem como não tem mais voz ativa e não é levado a sério por seus parceiros comercias, que juntos são cerca de 50% da população mundial, com economia internas gigantescas e portadoras de forças militares que dominam o setor nuclear.

O Brasil, até a pouco tempo, era protagonista e líder da diplomacia latino-americana, com grande força em âmbito mundial e a ser parte importante de decisões dos principais fóruns internacionais. Após o golpe dos ratos e das ratazanas, com vocações para a subalternidade digna de cucurachas da Banânia, o Brasil e seu desgoverno controlado por ladrões e corruptos de monta, origem e ordem, transforma-se em apenas um território gigante com milhões de pessoas, que estão a perder seus direitos e garantias.

Contudo, o que realmente impressiona é a vocação para o suicídio coletivo de parte de milhões de brasileiros, que foram partícipes do golpe bananeiro, que transformou o Brasil em uma republiqueta terceiro-mundista, controlada por uma quadrilha, que, inacreditavelmente, tem o apoio do Judiciário, que é repleto de coxinhas de direita, que não têm quaisquer ligações com a sociedade e com seus interesses, porque de mentalidades pequeno-burguesas e, consequentemente, completamente dissociados das realidades e dificuldades da maioria da população, pois se trata realmente de um Judiciário burguês, de casaca ou fraque e punhos de renda.

Agora estamos aí, a descarrilar ladeira abaixo e o Brasil a se juntar aos fantoches e subalternos tradicionais e antigos dos Estados Unidos, a exemplo da Colômbia e o Peru, este último com menor intensidade. Trata-se da aliança de direita que tem por finalidade derrubar o governo de Nicolás Maduro, com a participação do Brasil e do Exército Brasileiro, cujos generais estão a ver todos seus planos estratégicos de modernização das Forças Armadas irem para o beleléu.

A verdade é que quando um País tem um golpista de dimensão diminuta e limitada, a exemplo de Raul Jungmann como ministro de Defesa, é porque, verdadeiramente, a mediocridade tomou conta do País e a irresponsabilidade passa ser a tônica e a reflexão de que realmente o Brasil chegou ao fundo do poço como colônia de um potência que somente recebe recursos e ainda impõe a política diplomática que o governo pária e usurpador de *temer deve implementar.

É vergonhoso para o Exército ter de se submeter a uma força militar estrangeira. Não sei como os generais do Exército e seu comandante principal aceitaram uma desfaçatez e humilhação dessa. Nem os generais da ditadura militar aceitariam uma imposição desmoralizante, a aceitar, de cabeça baixa, que golpistas ordinários e desprovidos de legitimidade e de moral, a fim de consolidar seus negócios, permitam a entrada, volto a ressaltar, de tropas estrangeiras, sendo que militares estadunidenses liderem, em novembro, os exercícios militares dentro do território brasileiro, na Amazônia, a fustigar um país vizinho e irmão, que possui interesses comuns ao Brasil muito mais do que os Estados Unidos.

Trata-se de um soco no estômago. Arruinaram a economia do País, entregaram o patrimônio público, acabaram com o mercado interno, extinguiram dezenas de programas de inclusão social, desempregaram 20 milhões de trabalhadores, desindustrializaram o País para beneficiar a indústria estrangeira, sufocaram os programas estratégicos de independência e soberania e deram mais um golpe de estado contra os interesses do povo brasileiro.

Esta é a obra de demolição do Estado nacional e de destruição de esperanças para que sobre apenas a falta de solidariedade, o egoísmo, a intolerância e a violência. O Brasil está à deriva e a violência campeia em todas suas regiões de forma exponencial. E agora o País tem de se submeter à presença de militares norte-americanos, a nos transformar em território aberto à exploração do grande capital, que tem interesse em derrubar o legítimo governo da Venezuela.

O Brasil, o País do presidente pária e usurpador, transforma-se em um País exportador de golpes de estado em sua própria região, a ter como seu "chefe" os Estados Unidos e seu Exército multiplicador de guerras, invasões, piratarias e mortes, no decorrer de 150 anos. Muitas mortes... Mortes em profusão. Os Estados Unidos impuseram a presença de suas tropas em território brasileiro por meio das pressões do embaixador Peter McKinsey, sendo que a intenção é viabilizar o teatro de operações no sul da Venezuela.

Como ocorreu na Líbia, um dos países mais desenvolvidos da África, cujo estado financiava a moradia, a saúde e a educação, de forma desenvolvida, e que foi transformado em um país pária, ingovernável e com muitas favelas e grande pobreza por causa da invasão militar de países europeus e dos Estados Unidos, o objetivo ou a estratégia do consórcio internacional golpista é ocupar uma porção do território venezuelano, onde, segundo as forças de segurança do Brasil e, principalmente da Colômbia e dos Estados Unidos, afirmam que tal território é ocupado por traficantes, mercenários e organizações paramilitares. Uma "boa" desculpa para exercitar a prepotência, a arrogância e a fome ensandecida pelo petróleo e outras riquezas da nação bolivariana.   

Assim também foi feito na Líbia, sendo que a Síria hoje tem seu território ocupado por inúmeras forças, regulares e irregulares, que tentam abocanhar fatias de poder e derrubar o presidente sírio, que tem o apoio da Rússia e os Estados Unidos como inimigos e acusados de serem o financiadores de grupos terroristas, quando foi comprovado com a morte de diplomata americano junto aos grupos armados que combatem o governo de Bashar al-Assad.  

Ocupar o território conhecido como Cabeça de Cachorro por intermédio da tríplice aliança de direita formada por Brasil-Peru-Colômbia é tudo que os Estados Unidos querem, após Donald Trump afirmar que uma solução militar para a Venezuela não estava descartada. O propósito é desestabilizar ainda mais e internamente o governo venezuelano, que reagiria com mais dureza e disposição a qualquer tentativa de golpe por parte dos direitistas venezuelanos.

No país de Hugo Chávez não basta apenas colocar coxinhas tresloucados e celerados de classe média nas ruas e contar com campanhas insidiosas, mentirosas e sistemáticas por parte da imprensa de negócios privados, a exemplo da Globo e suas assemelhadas, que contaram ainda com a lamentável cumplicidade do Judiciário brasileiro e do Congresso, que também conspiraram e participaram da derrubada do Governo trabalhista e democrático de Dilma Rousseff, bem como ainda dão continuidade ao golpe em prol da caçada política e ideológica ao presidente Lula, pois a finalidade é afastá-lo das eleições presidenciais de 2018.

Não mesmo... A violência política na Venezuela é mais radical, porque nesse país existe um governo forte, eleito e reeleito pela força das urnas, com direito à sabotagem da oposição de direita, que até hoje não aceita ter perdido a hegemonia política e o dinheiro do petróleo, que sustentou durante mais de um século as bilionárias oligarquias venezuelanas, que, como as do Brasil, tratam seus povos como esparros, cujos únicos deveres são servi-los como mãos de obra barata, sem ter direito a reclamar e a ter acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários.

Os EUA, na verdade, querem transformar a Venezuela em uma Líbia para desestabilizá-la. Uma Líbia, só que maior, mais populosa, rica e mais forte militarmente. Enviar tropas norte-americanas para invadir a Venezuela para roubar petróleo e matar seu povo seria temerário, ou seja, tiros nos pés dos Estados Unidos, que, certamente, teriam problemas com a Rússia, com a China e o recrudescimento da histórica antipatia contra os yankees na América Latina, com exceção dos coxinhas analfabetos políticos, colonizados e sem noção alguma de soberania por faltar-lhes totalmente o sentimento de nacionalidade, além da ausência de orgulho e da própria identidade nacional. Complexo de vira-lata! Cabeça colonizada! Alma entreguista e subserviente!

Os Estados Unidos estão a ser, por total irresponsabilidade, tal qual como fazem no mundo, os fiadores e financiadores de guerra entre países da América do Sul após 150 anos de paz. Ponto. De acordo com a imprensa venezuelana e setores de inteligência do país bolivariano, as forças especiais terão 800 homens do exército estadunidense denominadas Seal. A aventura militar, no qual o desgoverno irresponsável e incompetente de *temer se meteu, será em novembro e praticamente coincide com as eleições de dezembro nas províncias venezuelanas.

A verdade é que as manobras militares de interesses colonizadores por parte dos EUA, Brasil, Colômbia e Perú significam, hipoteticamente, a invasão da Venezuela e o Brasil, mesmo a se tratar de manobras, é parte de um consórcio militarmente colonizador e politicamente de direita, que pretende derrubar um governo autêntico e legítimo, que não é o caso do desgoverno do pigmeu moral, *mi-shell temer, que, absolutamente, já deveria estar a planejar sua medíocre vidinha ordinária e de traidor de dentro de uma cadeia.

O general Vilas-Boas, comandante do Exército Brasileiro, de acordo com informações que repercutem na imprensa e nos segmentos de decisão e poder das Forças Armadas, está a reagir contra as operações militares lideradas pelos Estados Unidos em território nacional. Não é possível que os chefes das Forças Armadas estejam a favor de manobras que visam entrar em confronto com as forças armadas da Venezuela e seu povo, que é irmanado com o povo brasileiro, principalmente o amazônico.

É inaceitável! Um despropósito! É covardia! Trata-se de imbecilidade e idiotice totais e praticadas por golpistas que tomaram o poder de assalto no Brasil e não param de fazer merda atrás de merda, porque são completamente irresponsáveis, levianos e tirânicos. É simplesmente imperdoável se o Brasil e suas Forças Armadas entrarem em um guerra draconiana e covarde contra um país pobre, de povo pobre e que há séculos é explorado violentamente, como acontece no Brasil, por oligarquias e oligopólios que não se importam com nada, a não ser ganhar dinheiro e roubar cada vez mais para manter seus privilégios e benefícios eternamente.

Não cabe e não é de forma alguma aceitável que os militares brasileiros invadam o território do país irmão, a autonomia e a independência de outros povos. Se os Estados Unidos estão acostumados a matar e a sujar suas mãos de sangue, que sujem suas mãos sozinhos. O Brasil é de paz e na paz o Brasil sempre edificará seu presente e seu futuro com todas as nações, principalmente as sul-americanas e as latino-americanas.


As Américas não são apenas dos Estados Unidos. As Américas pertencem e são de todos os países e povos americanos. O lugar apropriado dos golpistas e usurpadores do desgoverno *temer é a cadeia! É na cadeia que esses sem vergonhas e golpistas deveriam brincar de governar. É isso aí.

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Nº 22.136 - "Criança Esperança afronta nossa consciência"

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21/08/2017


Criança Esperança afronta nossa consciência



Brasil 247 - 20 de Agosto de 2017


Reprodução / TV Globo


por Paulo Moreira Leite

Houve uma época em que o programa Criança Esperança era visto com a inocência das iniciativas filantrópicas – e seu rosto era o de Renato Aragão, o último palhaço genuíno que a TV brasileira foi capaz de exibir.

Na versão 2017, o Criança Esperança tornou-se uma plataforma política, com agenda, palavras de ordem e uma linha de intervenção definida sobre as grandes questões do país.

"Qual o grande problema do Brasil?" perguntou, na noite de sábado a atriz Leandra Leal, uma das apresentadoras. "A corrupção", respondeu Marcos Caruso, o Pedrinho da novela das 7 Pega-Pega, alinhado com a orientação da casa, que desde 2014 empenha-se em transformar Sérgio Moro em ídolo popular.

Numa tentativa de paródia de um sucesso de Gonzaguinha, o humorista Marcelo Adnet tentou fazer graça com o refrão "é bonita, é bonita, é bonita," substituindo por "é corrupta, é corrupta, é corrupta."

Mobilizando estrelas das novelas e da linha de shows, o tom pós-golpe tem uma função óbvia. Pretende encobrir uma realidade vergonhosa para um programa dedicado a pedir a população que tire dinheiro do próprio bolso para apoiar projetos que – supostamente – possuem o compromisso de combater a pobreza e a miséria.

O constrangimento encontra-se na atuação política da Globo na "imbecilização" do país – as palavras são do sociólogo Jessé Souza, presidente do IPEA entre 2015-2016 -- inseparável da criação do ambiente nefasto que, permitiu o desmonte da 6ª maior economia do mundo e abriu caminho para o desemprego recorde e uma recessão sem perspectiva, fatores fundamentais para o atual recrudescimento da miséria e desigualdade. Depois de atravessar quatorze anos – de 2003 a 2016 – num esforço permanente de enfraquecimento e combate a políticas de combate a desigualdade e abertura de oportunidades aos mais pobres, a Globo volta a cena para pedir – em tom de aulinha cívica -- que os brasileiros corram ao telefone para fazer alguma coisa. É imoral como o sujeito que provoca o incêndio e aparece no dia seguinte para vender serviços de bombeiro.


Num país onde os programas de Estado Mínimo de Temer-Meirelles – apoiados de forma integral e sem remorsos pela Globo – levaram à expulsão de um milhão de beneficiários do Bolsa-Família, ao esmagamento do FIES e das bolsas do Pró-Uni, ao desmonte já consumado dos direitos trabalhistas, o Criança Esperança afronta a consciência dos brasileiros. Sua única função reconhecida é repetitiva: ajuda a sustentar a visão de que, ao longo da História, as tragédias só costumam repetir-se como farsa.

Alguns exemplos. Entre outros assuntos, o programa de sábado foi uma noite de denúncias sobre o massacre da juventude negra do país. São fatos verdadeiros e é bom que sejam debatidos. O problema é fazer isso na tela da mesma emissora que por mais de uma década usou seu poderio econômico, político e cultural para combater programas de ação afirmativa e cotas raciais, possivelmente a mais importante iniciativa na abertura de oportunidades aos afrodescendentes do país depois da Lei Aurea e das leis contra o racismo.


Hoje um programa conceituado de combate à miséria, imitado e replicado em dezenas de países, o Bolsa Família foi alvo, desde o lançamento, em 2004, ainda no primeiro mandato do governo Lula, de uma campanha permanente de denúncias erradas, exageradas e injustas. Sempre ficou claro que o objetivo era criar um ambiente de suspeitas e criminalização contra toda política em benefício dos mais os pobres e a luta contra a pobreza. A Globo fez o possível para que o programa desse errado. Mas a proposta deu tão certo que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU – não por acaso criado por um brasileiro, Josué de Castro.

O problema aqui é de regressão civilizatória. Vivemos num país onde só muito recentemente os direitos sociais passaram a ser reconhecidos como parte da cidadania e políticas de Estado, não como versões variadas para "esmola". Até muito recentemente, a luta necessária contra a miséria e a exclusão funcionava como uma oportunidade para os bem-nascidos exercitarem a própria generosidade – e seus aliados montarem esquemas condenáveis de troca de favores e domínio político.

Alvo de uma pequena homenagem no final do programa, Renato Aragão deixou escapar que vivemos em 2017 um "ano difícil". Aragão foi o idealizador daquilo que mais tarde iria se chamar Criança Esperança.

Em 1985, quando tinha o nome de SOS-Nordeste, o programa recolheu donativos para amenizar o sofrimento da população desta região do país, atingida por uma seca de proporções trágicas.

Como parte da maré ideológica conservadora liderada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, vivia-se o tempo de desmanche dos serviços de assistência social no mundo inteiro. No mais puro Consenso de Washington, dizia-se que essas tarefas deveriam ser assumidas por ONGs filantrópicas que, no mais puro Consenso de Washington, iriam fazer o papel do Estado com mais eficiência e pontualidade. O resultado no plano internacional está aí – e seu sinal mais visíveis são os refugiados africanos que cruzam o Mediterrâneo numa luta desesperada.


Trinta e dois anos mais tarde, mais uma vez o Brasil enfrenta uma das mais graves e prolongadas estiagens de sua história. O sofrimento é real mas não se veem saques em supermercados nem cenas de desespero social do passado. Ainda que o grau de irresponsabilidade social da dupla Temer-Meirelles não permita descartar reações desesperadas no futuro, não há, no Brasil de hoje, o equivalente às levas de refugiados de antigamente.



Não se trata do efeito Criança Esperança e iniciativas semelhantes. Foram milhares de cisternas, espalhadas pelas áreas críticas do Nordeste, que permitem ao sertanejo armazenar água da chuva. Foram anos de estímulo aos investimentos na região, que, invertendo uma curva da história. Foi a transposição do São Francisco – combatida com tenacidade pela Globo, com auxílio da nova conservadora Marina Silva.

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Nº 22.135 - "Carnificina social"

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21/08/2017

Carnificina social


Jornal O Povo 17:00 | 19/08/20171420


por VALDEMAR MENEZES

Valdemar MenezesEstupefação e indignação tomaram conta dos segmentos democráticos e humanitários do Brasil e do Exterior ao ser confirmado o corte de 543 mil beneficiários do Bolsa Família. Só no Ceará foram 41 mil. Ao todo, mais de um milhão de famílias foram excluídas do programa pelo Governo Temer, até aqui. Embora, desde muito, a direita brasileira ameaçasse extinguir o programa ainda havia uma tênue esperança de que esse segmento de pobreza extrema fosse poupado. Mas não existe compaixão no coração dos responsáveis. Os cortes estão ocorrendo no momento exato em que o desemprego campeia no País e cresce o desespero e o suicídio entre os pais de famílias que não suportam mais encarar o sofrimento dos filhos, quando retornam à casa de mãos vazias, após buscar inutilmente um trabalho para sustentar a família. Graças ao Bolsa Família, o País saiu do Mapa Mundial da Fome.

ATOLEIRO O Brasil está num atoleiro movediço. Generaliza-se o convencimento de que a bandeira anticorrupção foi apenas uma cortina de fumaça para encobrir uma ardilosa trama para inviabilizar os governos das forças populares e impor um outro contrário à política desenvolvimentista, nacional e inclusiva, baseada no aumento real e contínuo do salário mínimo e na ampliação das conquistas sociais, na criação de empregos e na defesa do pré-sal e expansão do mercado interno: tudo o que não interessava aos que vivem da renda dos altos juros da dívida pública e da agiotagem internacional. Se o critério fosse realmente o combate à corrupção, o governo Michel Temer não teria aguentado nem uma semana, diante dos escândalos, sem paralelos, que o envolvem. Que distância das singelas “pedaladas” de Dilma (uma operação contábil que nunca se constituiu em crime de responsabilidade). Segundo O Globo, Michel Temer deixará um rombo fiscal que chegará a meio trilhão de reais até 2020. Em contraste, Dilma, em seu primeiro mandato, fez superávits de R$ 292 bilhões; não fez mais porque a partir daí foi sabotada pelas “pautas-bomba” de Eduardo Cunha, e não pôde mais governar. 

DOIS PESOS As acusações que embasaram as delações contra o alto tucanato, apesar de recheadas de cifras sobre propinas e contas bancárias na Suíça não deram em nada. Que diferença quando comparadas aos contorcionismos do sistema para tentar arranjar uma mínima prova palpável contra Lula, apesar das devassas implacáveis nos últimos anos. Na última semana, importantes figuras do mundo jurídico democrático desmontaram, no livro “Comentários a uma Sentença Anunciada: o Processo Lula” (assinados por 122 juristas), aquilo que consideraram perversões contra o Direito e a Constituição, na condenação judicial de Lula pelo juiz Sérgio Moro. O mundo jurídico internacional está abismado com a perseguição a Lula, intensificada esta semana, por alguns juízes, para impedir sua caravana ao Nordeste.  


DESPUDOR Hoje, os autores do golpe do impeachment confessam, sem pudor, que o que derrubou Dilma não foram as “pedaladas”, mas, a insatisfação do mercado financeiro com o prosseguimento, pelo quarto governo consecutivo, de um modelo econômico detestado pelos financistas, rentistas e capital improdutivo em geral. Isso exige uma indagação: desde quando, no presidencialismo, é constitucional derrubar um governo apenas por se discordar de seus rumos? Não estamos no parlamentarismo. Estranhamente, o STF fechou os olhos ante essa violação brutal da Constituição. A desculpa dada não convence nem a leigos. Um dia essa história será contada em seus detalhes e aí se verá quem vendeu a alma ao diabo.


VALDEMAR MENEZES. Colunista do jornal O Povo (CE)

Nº 22.134 - "Bom dia, imprensa cínica e golpista"


21/08/2017

Bom dia, imprensa cínica e golpista


Do Cafezinho 21/08/2017 - Escrito por Miguel do Rosário,
Postado em Arpeggio, Miguel do Rosário, Spoiler


 

[Esse é o Cafezinho Spoiler, nosso serviço de análise política diária, enviado aos assinantes em duas edições, às 7:30 am e às 9:30 am. Para assinar, basta  clicar aqui É gratuito, por enquanto)

Miguel do Rosário

A grande imprensa hoje, inflada de propaganda do governo federal, repete o seu serviço sujo diáriode desinformar e fazer política partidária em favor da direita e do governo golpista.

Para disfarçar, a Folha publica denúncia anódina sobre financiamento aos deputados, mas a sua verdadeira mensagem é um editorial econômico profundamente chapa-branca, intitulado “Respiro Econômico“, no qual diz que todos os índices estão melhorando.

É um editorial mentiroso, que esconde números muito perigosos para o futuro dos brasileiros, em especial a paralisia (ou mesmo cancelamento) dos investimentos públicos em educação, saúde, pesquisa, inovação, infra-estrutura e assistência social. Paralisia que tem repercussões trágicas para milhões de pessoas. Não há nenhum “respiro econômico” para quem voltou a passar fome.

Ainda na Folha, há histórias para boi dormir sobre o DEM lançar seu candidato próprio em 2018, sair do governo no primeiro semestre de 2018, superar o PSDB, e também sobre a briga interna no PSDB sobre ficar ou não no governo.

Fake news.

DEM não vai lançar nenhum candidato próprio, não vai sair do governo e a briga tucana sobre sua posição em relação ao governo é apenas um jogo de cena: o PSDB, está claro, não vai sair governo. A preocupação da ala “jovem” do PSDB é apenas com sua imagem na opinião pública, e não com ética ou com a orientação ideológica do governo Temer, que é uma orientação essencialmente tucana. Espera-se, com ajuda da mídia, que o contratempo da delação da JBS se dilua no tempo, e que a passsividade da população continue como está.

No Globo, há duas matérias tenebrosas. Uma delas é um sórdido ataque duplo ao BNDES: a reportagem sugere (e defende) que o BNDES deve perder uma de suas principais fontes de crédito, o FAT, e ainda vende a implementação do famigerado TLP, em substituição ao TJLP, como algo que poderá “ajudar” ao banco, na contramão do que afirmar todos os especialistas do BNDES e da indústria, que afirmam, com base em inúmeros estudos, que o TLP irá simplesmente destruir o BNDES, que perderá qualquer sentido de existir.

A outra é um surreal ataque à Dilma como se esta ainda fosse presidente da república. O subtitulo sugere que se trata de um texto velho contra a Dilma que tiraram da gaveta: “Dilma usa Fies como peça de propaganda eleitoral e acrescenta bilhões ao rombo fiscal”.

É um texto escrito com a linguagem baixa e vulgar da mais vil luta partidária: “No Brasil de PT e Dilma, como se tornou praxe, o programa [FIES] passou a ser encarado como a chave da porta do paraíso para jovens carentes”.

O ódio aos pobres exalado pelo editorial é digno de uma marcha nazista. Não há nenhuma referência ao fato de que o Fies ajudou o país a incluir milhões de jovens no ensino superior.

A expressão “Brasil de PT e Dilma” é uma expressão de ódio, um cacoete fascista, porque os governos petistas foram eleitos pela maioria do povo brasileiro, tinham forte apoio popular, e essas iniciativas, como o Fies, eram não só apoiadas pela população como tinham sido articuladas, desde muito tempo, por setores sociais. Não foram iniciativas nascidas da cabeça do “Brasil de PT e Dilma”. Foram iniciativas que nasceram da sociedade.

Nunca houve um “Brasil de PT e Dilma”, como se PT e Dilma tivessem sequestrado o país: ao contrário, PT e Dilma foram eleitos quatro vezes consecutivas pela maioria do povo brasileiro, em especial pelo povo mais humilde, sem apoio da mídia, sem apoio dos EUA, vencendo candidatos que tinham, por sua vez, apoio de magnatas bilionários da mídia e dos grandes fundos internacionais interessados em saquear o país (como estão fazendo agora, após o golpe).

Estas são as razões pelas quais eu afirmei, no Spoiler 1, que o artigo de Michel Temer, dizendo que Brasil e Paraguai são “irmãos” e que “não se admitem, em nossa região, rupturas democráticas”, resume tão bem o cinismo golpista que caracteriza o noticiário político desta segunda-feira.


Miguel Do Rosário. Editor em CafezinhoMiguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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