segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Contraponto 783 - "Quem dá cotovelada em quem?"


23/11/2009

Quem dá cotovelada em quem?


A "pequena" presença militar dos Estados Unidos em torno do Irã

Tijolaço - segunda-feira, 23 novembro, 2009 às 11:52

E já que o assunto dominante na mídia hoje vai ser mesmo a visita de Mahmoud Ahmadjad ao Brasil, deixa eu comentar logo a notícia que sai na edição de hoje d0 jornal americano “The New York Times”. Ela diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “está dando cotoveladas” no seu colega americano, Barack Obama, ao receber o presidente iraniano :”as ambições brasileiras de se tornar um ator importante no palco diplomático global batem de cabeça nos esforços dos Estados Unidos e outras potências mundiais de controlar o programa de armas nucleares do Irã”, afirma o “NYT”.

Desculpem-me a pergunta: o que o Brasil tem com isso? Nosso país não tem que se alinhar a isso, a não ser que haja uma política de banimento global de armas nucleares, o que seria, isto sim, uma boa posição para “os esforços dos Estados Unidos e outras potências mundiais”. O Irã é um país soberano e o Brasil pode e deve manter boas relações diplomáticas com ele e com todas as nações.

Depois, a realidade dos fatos não demonstra, ao contrário, que o Brasil esteja fazendo qualquer concessão improcedente para agradar o Irã. Semana passada, a Petrobras aventou a possibilidade de deixar as duas concessões que detém no mar de Tusan, no Golfo Pérsico. Devemos destratar o presidente iraniano de esquecer dos interesses comerciais do Brasil?

Esta conversa de “armas de destruição em massa” sem provas já mostrou, no Iraque, o que encobre. Restrições ao nível de liberdades democráticas e ao pluralismo cultural no regime iraniano? Como, se apóiam e protegem a Arábia Saudita, que quase propriedade uma dinastia real e até poucos meses atrás nãos permitar sequer a existência de cinemas?

Os Estados Unidos ocupam um extenso território, no Iraque e no Afeganistão - nas fronteiras do Irã. Na verdade, basta olhar um mapa e ver, mais da metade das fronteiras secas iranianas estão sob controle americano. Será que alguém acha que , quase dez anos depois, os EUA estão gastando uma fortuna numa guerra sem fim no Afeganistão para procurar o Bin Laden? E se contarmos o Paquistão e a Arábia Saudita, que confronta o Irã em todo o seu litoral no Golfo Pérsico, é fácil ver que aquele país está cercado, pois aqueles dois países tem forte presença militar americana .

Aliás, o Paquistão, vizinho do Irã, assumidamente possui armas nucleares, mas como é aliado dos Estados Unidos, pode ter várias bombas atômicas. Ainda assim, o Irã garante que está disposto a aceitar inspeções internacionais, numa atitude que foi, inclusive, elogiada pela ONU.

O regime de governo iraniano é o que os iranianos escolherem. Devemos acreditar que não existem interesses americanos no único grande território no Oriente Médio que ainda não dominam militar ou politicamente? A verdade é que essa história com o Irã nada tem a ver com Israel ou com o alegado antisemitismo iraniano - que, aliás, é mais propaganda que fato.

O que está em jogo é petróleo.

Agora, em matéria de cotovelada, acho que a única coisa assemelhada a isso que há neste caso é “dor-de-cotovelo” dos EUA ao perceber que “os caras”, aqui e por toda parte, já não fazem só o que eles mandam fazer.

Brizola Neto

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PITACO DO ContrapontoPIG

O mapa acima mostrando o Irã encurralado pelos EEUU . A sede americana pelo petróleo fica bem patenteada só pelo exame desta foto.
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